A cadela espantada com o catita
A leitora Elba Freire, solidária com a pequena tragédia de D. Jumira, comentada na crônica anterior, nos ofereceu este episódio de cunho pessoal.
Tudo começou após um “evento ratazanístico” digno de investigação científica: simplesmente choveu. E quando chove, tais roedores entendem que são merecedores de abrigo digno.
Logo se reúnem, pintam cartazes, queimam pneus nas esquinas, adotando táticas do MRST – Movimento dos Ratos Sem Teto.
Quando a chuva desce, os “Mickey Mouse” urbanos entram em “modo sobrevivência”. Procuram abrigo nas residências próximas. E parte de sua “freguezia” é a residência onde moram Elba, Dudu, Vitinho e Clarinha.
Os roedores já saem de suas malocas “armados”; ou seja, de bexiga cheia, fazendo ameaças a todos.
Em seus gatilhos só há “balas líquidas”, cujos pingos mortais” são produzidas por urina dosada, de fábrica, com a temida bactéria: leptospira e flatulências violentíssimas, compostas por “nitrato de pó de peido”.
Não há quem aguente!
Saem os anarquistas do desconforto dos bueiros das ruas. Um batalhão deles: roedores: ratazanas e catitas.
E assim, em nossa história, mais uma vez, os ratos escolheram justamente a residência de nossa leitora Elba, para servir como hotel cinco estrelas.
No Condomínio Sol Nascente o acesso aos aptos superiores é facultado através de escada de alvenaria, com três lances.
E mesmo assim, os roedores sobem com uma habilidade e velocidade que faria qualquer personal trainer se admirar. São praticamente astros olímpicos das invasões domiciliares.
Na residência, reside também, Nerda Kosovsky, a cachorra importada, até então respeitada, com nome e sobrenome eslavo, que poderia ser a heroína dessa saga. Poderia. Mas não foi!
Ao pressentir qualquer ruído na sua “Zona de Segurança”, ela reage. Nos latidos é fera!
Outro dia, sentiu um odor diferente. Armou os dentes, correu à cozinha, avaliou a situação, deu um “latido de advertência”, para intimidar o invasor, e quando o rato mostrou os dentes, ela correu apavorada, com o rabicho entre as pernas.
Depois do episódio a família resolveu procurar um Mickey Mouse pernambucano para alegrar Maria Clara e encher o saco da cachorra frouxa.

