PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho…
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…
Esta árvore, meu pai, possui minh’alma! …

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

Um comentário em “A ÁRVORE DA SERRA – Augusto dos Anjos

  1. Acho que já escreveram sobre isso.

    A árvore nos acolhe desde o nascer até nossa morte, dando matéria prima para o berço e o caixão.

    Ela está presente desde os livros que a gente lê, até o papel higiênico que nos limpa.

    Há alma nelas? Não sei, mas que é um presente de Deus a nós, disso eu não tenho dúvidas.

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