– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho…
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…
Esta árvore, meu pai, possui minh’alma! …
– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)
Acho que já escreveram sobre isso.
A árvore nos acolhe desde o nascer até nossa morte, dando matéria prima para o berço e o caixão.
Ela está presente desde os livros que a gente lê, até o papel higiênico que nos limpa.
Há alma nelas? Não sei, mas que é um presente de Deus a nós, disso eu não tenho dúvidas.