
Essa aliança nefasta tucanopetista, que tem como símbolo Alckmin como vice do “ladrão que quer voltar à cena do crime”
Tenho dito – e repetido – que a elite tucana é tão ou mais culpada pela situação do país quanto a turma petista. Essa aliança nefasta tucano-petista, que tem como símbolo Alckmin como vice do “ladrão que quer voltar à cena do crime”, é a responsável por nosso caos. Alexandre de Moraes, nunca é demais lembrar, era um tucano, que chegou a ser muito atacado pelos petistas quando foi indicado por Temer para o STF.
Em entrevista ao Globo hoje, o economista “liberal” Armínio Fraga deixa claro como essa elite não pode ser poupada de duras críticas. É um grau de alienação um tanto incompatível com a inteligência e o sucesso do sujeito, o que nos leva a crer que se trata de uma alienação deliberada, fruto do cinismo. Fraga parece perdido, sem saber inclusive aonde os Estados Unidos querem chegar com suas demandas. Podemos ajudá-lo.
De forma bem simples: querem chegar ao restabelecimento da nossa democracia que gente como o próprio Armínio Fraga ajudou a destruir ao fazer o L. Não é tão difícil de entender. Vejam o que Arminio fala sobre o julgamento de Bolsonaro, que Trump classificou como “caça às bruxas” e instrumento de “lawfare” para eliminar adversários políticos:
“E, em última instância, eu espero que a coisa seja conduzida de uma maneira tal que se chegue a decisões bem fundamentadas, para não repetir erros que foram cometidos em outras circunstâncias no passado, processos mal estruturados, com falhas de natureza jurídica, o que seria uma grande pena.”
O entrevistador quis saber quais erros seriam esses, e Armínio acrescentou: “Tudo o que aconteceu com o mensalão e com o petrolão (Operação Lava Jato). Réus confessos recebendo dinheiro. Se a coisa tivesse sido bem conduzida, hoje em dia eles estariam pagando suas penas, alguns já até pagaram, mas foi um grande fiasco em última instância. Esses cuidados precisam ser respeitados. Esse episódio mostra que sair do caminho de respeitar o processo legal é uma grande ilusão e um grande erro. Não estou dizendo que isso será feito agora, mas problemas já existem. E é preciso um certo cuidado”.
Ora, em que planeta vive o economista? Problemas? Certo cuidado? Será que alguém de sua estatura intelectual não consegue sequer perceber que Bolsonaro é julgado por foro sem competência, já que deveria estar na primeira instância e não no STF? Será que ele não se deu conta de que Moraes é o juiz, mas também a vítima, o investigador, o procurador e tudo mais? Armínio não atentou para o fato de que a colaboração contraditória e vazia de Mauro Cid é tudo que Moraes possui?
É uma piada de mau gosto e uma ofensa à inteligência do leitor tratar esse julgamento como coisa séria, mas é exatamente o que fez Arminio. Mas não para por aí: na hora de listar os maiores problemas do Brasil, Armínio, acertadamente, volta o olhar para dentro, mas não admite que em todos os aspectos mencionados o governo Lula, que ele ajudou a eleger, piorou cada problema existente:
“Nossos problemas enormes estão aqui dentro. É a situação fiscal, o Banco Central abandonado, sem apoio fiscal, com esses juros altíssimos. É a situação da segurança, é a situação da corrupção. Isso é tudo coisa nossa. E é um país que investe muito pouco.”
A situação fiscal estava em ordem com Paulo Guedes no governo Bolsonaro, e Lula simplesmente destruiu as contas públicas de forma irresponsável. No quesito corrupção nem é preciso falar nada. Os baixos investimentos são problemas estruturais, mas que melhoravam com Tarcísio e companhia, enquanto se agravam com um governo perdulário e socialista.
Mas o máximo que Armínio consegue dizer é que tem “medo” do quadro brasileiro, sem reconhecer que escolheu esse destino, e não pode alegar ignorância: qualquer um, mesmo sem seu sucesso profissional, já sabia que seria um caos soltar o condenado e colocá-lo de volta ao poder. Como eu digo sempre, nossa elite tucana é podre e responsável pela destruição do país.
O baile Macabro do Planalto – Maurino Júnior, 13 de agosto de 2025
Brasília, esse monumento à ironia nacional, segue pulsando como um coração doente, bombeando não sangue, mas privilégios, esquemas e malversações para cada canto desta nação fatigada. No epicentro desse teatro grotesco, o presomente — um personagem que mais parece um amálgama de coronel de interior com sindicalista de botequim — continua a se mover com a segurança de quem sabe que, neste país, a impunidade é não só provável, mas hereditária.
Lá está ele, sentado no trono dourado dos desvarios, encastelado no Palácio como um velho cacique de tribo decadente, distribuindo cargos como se fossem balas de carnaval para a turma do bloco “Meu Amigo Primeiro, o Brasil Depois”. A liturgia do poder virou liturgia do saque: o cofre público é a caixa registradora de um bar onde ninguém paga a conta, porque a conta, claro, é sempre nossa.
E para coroar o deboche, lá está a aliança nefasta tucanopetista, um conluio tão indigesto que faria Maquiavel pedir bicarbonato. Seu símbolo é a imagem quase caricatural de Alckmin, outrora opositor inflamado, hoje vice de plantão do “ladrão que quer voltar à cena do crime”. É a foto perfeita do cinismo político brasileiro: dois adversários de outrora, agora de mãos dadas, não pela pátria, mas pelo apetite comum pelo poder e pela manutenção das tetas estatais.
Enquanto o povo se estapeia por ossos no açougue e espera horas na fila do posto de saúde para ser atendido por um médico com cara de exílio, Brasília fervilha em jantares regados a vinhos caríssimos — pagos com o suor do trabalhador que mal pode pagar um litro de leite. Nas mesas, o menu é variado: tem superfaturamento de obras, tem licitação combinada, tem emenda que aparece como milagre e desaparece como fumaça.
O presomente — esse novo pai dos pobres e padrasto do erário — insiste em se vender como estadista, mas é incapaz de perceber que governa não como líder, mas como chefe de quadrilha institucionalizada. Ele não administra; ele gerencia lealdades compradas a peso de ouro. É o maestro de uma orquestra afinada para tocar a sinfonia do atraso, e, no compasso, cada deputado, senador e ministro executa o solo de sua própria fortuna.
E o povo? O povo é a plateia pagante desse circo de horrores, aplaudindo ou vaiando, mas sempre pagando o ingresso. Enquanto isso, o país sangra, e sangra bonito: na educação, onde livros didáticos atrasam; na segurança, onde a bandidagem desfila armada como tropa de elite; na economia, onde o imposto é voraz, mas o retorno é um fantasma.
Eis o Brasil sob o desgoverno: um banquete para poucos, servido sobre a carcaça de milhões. E, lá no alto, o presomente mula, sorridente, crente que o tempo — esse juiz implacável — não virá lhe cobrar a fatura. Ah, mas virá. A História, ainda que tardia, não perdoa quem se serve da pátria como se fosse quitanda de esquina.