VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O lobo é um animal carnívoro e grande predador. Vive em bandos, denominados de alcateias.

O operam em grupo, onde cada membro tem um papel específico. Assim, matam presas que não iriam conseguir capturar sozinhos.

Alcateia é o coletivo de lobos. Designa um grupo de lobos, animais selvagens, que vivem, caçam, comem e dormem juntos. É uma estrutura familiar.

O termo é confundido com matilha, coletivo de cachorros.

Muitos pesquisadores já se dedicaram ao estudo das alcateias. Isso, porque a maneira hierárquica que os lobos usam para se organizar é intrigante, principalmente por serem animais selvagens e perigosos. Lembram muito os humanos.

A alcateia pode ser comparada a uma organização política ou familiar.

Como acontece nos núcleos familiares e políticos, na alcateia há o lobo líder, que exerce o domínio sobre os demais.

Na verdade, há o lobo líder e o vice-líder, que assume o lugar do chefe, na sua ausência.

O líder é o lobo mais forte e o mais dominante. Dá assistência a qualquer tipo de problema. Além disso, é ele que sai para a caça e determina quem comerá — depois dele.

A fêmea do líder, por sua vez, lidera as outras fêmeas da alcateia e usa sua sabedoria para garantir o bem-estar de todos.

O vice-líder é submisso, e verdadeiro saco de pancadas do líder, quando alguma coisa não dá certo. É o comando secundário da alcateia.

É comum que o vice-líder, na alcateia, esteja em segundo lugar, nos quesitos força e prestígio. A fêmea do líder é a responsável pelos lobinhos. Exerce o papel de babá, garantindo que todos os lobinhos cresçam saudáveis.

Por último, existem os lobos chaleiras, puxa-sacos ou babões, que não deixam de ser perigosos. São os lobos que não possuem um lugar garantido na alcateia; são mão de obra e andarilhos, meros prestadores de serviço. Por conta da insegurança do posto, esses lobos são tratados como companheiros de 2ª classe. Essa categoria de lobo sempre come por último. São tratados como verdadeiros “bodes expiatórios.” Mesmo assim, em termos, são protegidos pela alcateia.

De longe são reconhecidos os lobos puxa-sacos, pois a submissão é obrigatória na alcateia. Eles são deixados de lado nas brincadeiras e também precisam se encolher, baixar as orelhas, lamber o focinho do líder e, ainda, manter os rabos entre as pernas.

Daí, originou-se a expressão “ficou com o rabo entre as pernas”, que se diz, vulgarmente, quando alguém é maltratado e não reage.

Devemos ter muito cuidado, pois os lobos estão soltos!!! e há lobos vestidos com pele de cordeiro.

Está na Bíblia:

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” (Mateus 7:15-20).

2 pensou em “A ALCATEIA

  1. Violante,

    Estou atrasado na leitura de sua crônica porque passei o dia fazendo uma visita a um estimado amigo que mora em outro estado e estava visitando o Recife. Valeu a pena acessar o Jornal da Besta Fubana para ler um texto corajoso sobre a alcateia como metáfora da nossa política. Gostei demais da conta e compartilho um poema de Manoel Belizário, poeta cordelista paraibano, cuja sua última estrofe chega a mesma conclusão da sua instigante e belíssima crônica:

    AOS LOBOS OS CORDEIROS

    Se amoita numa ingazeira
    Ou bola de marmeleiro;
    Embaixo de timbaúba
    Ou detrás de juazeiro
    No lugar do olho o tato
    Farejando feito gato
    Por instinto traiçoeiro.
    .
    As ovelhas indefesas
    Seguem em fila, em procissão
    A qual passará por onde
    Se atocaia o vilão
    Para um ataque bandido
    Contra o fraco e desvalido
    Com gesto de traição.
    .
    Porém o que mais desperta
    Este olhar expectador
    É a covardia expressa
    No aceno do pastor
    Que age perversamente
    Entregando friamente
    Ovelhas ao predador.
    .
    O pastor se sente esperto
    No gesto cruel, ímprobo,
    Pois entregar cordeirinhos
    Na bocarra vil do lobo
    Traz para si proteção,
    Mas pensa assim o vilão
    “Depois eu janto esse bobo.”
    .
    Caberá aos cordeirinhos
    Juntos numa só canção
    Mudar o rumo, o caminho;
    Conduzir a procissão;
    Serem seus próprios pastores;
    Superar as próprias dores
    Para vencer o vilão.
    .
    Dessa narrativa faço
    A seguinte analogia:
    O político é o lobo
    Que nos sangra todo dia.
    O pastor é o sindicato
    O qual nos vende num trato
    Que muito o beneficia.

    Desejo um final de semana pleno de paz, saúde e harmonia

    Aristeu

  2. Obrigada, Aristeu, pelo gratificante comentário e por compartilhar comigo este excelente poema de Manoel Belizário, poeta cordelista paraibano, “AOS LOBOS OS CORDEIROS” Gostei imensamente! ..

    O meu texto é uma verdadeira sátira, à insegurança política que estamos atravessando. O poema “AOS LOBOS OS CORDEIROS” tem a mesma conotação..

    Um feliz final de semana, com muita saúde e Paz!

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