O ÚLTIMO TANGO DO SERTÃO

Um tango se ouvia como trilha sonora. No cabaré de um distante sertão, em meio à fumaça e cheiro de cigarros, tudo à meia luz, um tango. No canto do salão, apenas a pequena e quase inexistente claridade de um abajur lilás, bem menos forte que o sol que, dali a pouco, brilharia no céu daquele ambiente triste e profundo. Mas um tango? Melhor seria dançar um baião bem compassado como os que se acostumara a ouvir, pensou ele, antecipando o desejo de ter aquelas coxas fartas e outras curvas dela ao seu dispor, entre suas coxas. Por uma fresta da janela entreaberta, percebia-se um clarão que se achegava, diluindo o sonho, antecipando o final do tango … Ela, com sono, cochilava entre os acordes de um bandoneon tentando tocar La Cumparsita … E ele se pergunta: – ¿Qué has hecho de mi pobre corazón?

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  1. Na última postagem de Xico eu comentei que o poeta é um inventor de cenário. Na aridez do sertão, no ninho do forroboxote, Xico coloca, sensuais, adeptos de Cardeal. Isso seria possível sem os gametas da poesia? É mole ou quer molho?

  2. Mestre Xico:

    É com prazer da porra que leio seus textos aqui publicados, que considero-os geniais pela grandiosidade da história em formato curto. Não possuo esse dom, mais amo nos outros.

    Quem me despertou pela manhã foi um telefonema de José Tavares, diretamente de Sergipe: – Leste Xico? Está um arraso O ÚLTIMO TANGO DO SERTÃO, principalmente por me lembrar das noitadas sessentonas no cabaré da cafetina mais inteligente que conheci e que tu estás tentando resgatar nas tuas crônicas no JBF.

    “La Cumparsita” de Carlos Gardel me traz muitas recordações boas, principalmente quando me lembro que, a primeira vez que avistei Zefinha (Zefinha é a mulher dele há quarenta anos de amor!), chamei-a para dançar Carlos Gardel numa festa de batizado numa casinha de taipa perto do Rio Capibaribe!i

    Lindo, não, Xico? É tão bom quando a gente escreve coisas que tocam as pessoas, mesmo as mais insensíveis!

    Parabéns mais uma vez amigo do coração. Brevemente a gente vai se encontrar na casa de Luiz Berto ou nalgum lançamento de livro para eu lhe dar um abraço amigo!

  3. Sinta-se abraçado, Cícero, e estenda meus cumprimentos ao José Tavares. Muito bom saber que tem alguém que leia s se sensibilize com minhas baboseiras e besteiragens.

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