SAUDADES DE ORLANDO TEJO

Meu querido e saudoso amigo Orlando Tejo, que encantou-se em julho do ano passado, era um sujeito de uma genialidade e de um talento fantásticos.

Ele compôs uma música intitulada Indo e Voltando, um samba em homenagem a Noel Rosa.

Isto mesmo: um ícone da cultura nordestina fazendo samba para uma lenda da cultura carioca.

A particularidade genial da letra desta composição é a seguinte: você lê cada verso de cima pra baixo, e em seguida, de baixo pra cima, linha por linha, que faz sentido do mesmo jeito.

A letra está transcrita a seguir pra que vocês comprovem isto:

INDO E VOLTANDO – De Orlando Tejo

Se eu quiser fazer um samba
É só evocar Noel
Batendo papo de bamba
Com o luar de Vila Isabel
A melodia descamba
No peito do menestrel

Como se sambista fosse
As rimas encho de som
A cadência a viola trouxe
Não precisa de outro tom
Só quero uma flauta doce
Para o samba sair bom

O samba é pombo-correio
Quando as suas asas solta
Transmitindo no passeio
A mensagem sem revolta
Se ele volta é porque veio
Se ele veio é porque volta

Se o samba é indo e voltando
E a gente faz batucada
O coração vai marcando
A rima cadenciada
E até surdo sai sambando
Se a luz faz emboscada

O vídeo a seguir, gravado nos anos 90, foi feito durante um encontro de amigos, uma farra na churrasqueira da minha casa, quando eu morava em Brasília.

Neste vídeo o próprio Orlando Tejo aparece cantando um verso desta sua música.

Quanta falta você faz, seu cabra!

Uma ideia sobre “SAUDADES DE ORLANDO TEJO

  1. Berto, fiquei desconfiado desse sujeito quando vi você declamando o começo do poema que ele fez para Canindé. Pensei com meus botões: esse cabra não presta.

    Minha impressão se desfez quando o poema chegou na metade e descambou para o final. E aí pensei: Orlando Tejo é um anjo. Rsrs.

    Outra coisa, estou aqui. Firme e forte, acessando o blog diariamente, não raro, mais de uma vez.

    Um abraço.

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