Gosto muito de ver e ouvir entrevistas inteligentes.
Em dias recentes revivi momentos pouco conhecidos sobre algumas opiniões de Chico Anysio, saudoso humorista, entrevistado por Roberto d’Avila.
Numa delas, ele faz referências à sua revolta quanto ao aprendizado escolar, na fase infanto-juvenil, pelo excesso de matérias.
Entrevista ao Roberto D’Ávila
Aos 6 anos comecei a frequentar a escola, mas já havia aprendido com minha mãe a ler, escrever e contar.
Lia com certa desenvoltura, escrevia com razoável primor, mas me atrapalhava nas contas. Números nunca foram o meu forte!
O currículo do Curso Ginasial era “pesado”: Leitura e Interpretação, Francês, Inglês, Física, Geografia, História, Educação Moral e Cívica, Português, Matemática, Latim, Organização Social e Política do Brasil e Desenho.
Coisa de louco! Muitas vezes, passei pelo “paudo canto”.
Sempre me revoltei com as aulas que eram estafantes, cujas matérias me pareciam sem valor prático.
A tal da Raiz Quadrada, por exemplo, era o próprio “Satanás de rabo”, pois eram números misturados por símbolos. E dar resultados com números, letras e símbolos era u’a mistureba do cacete.
Países desenvolvidos (frequentemente chamados de “primeiro mundo”), como Finlândia, Singapura, Suíça e nações escandinavas tratam a descoberta de aptidões não como uma “seleção precoce”, mas como um desenvolvimento holístico e personalizado. A abordagem foca em identificar os interesses e talentos naturais da criança desde a primeira infância (até 6 anos) para criar um ambiente que estimule a autonomia e a criatividade.
Ferramentas de avaliação precoce focam em medir habilidades como linguagem, raciocínio matemático e habilidades socioemocionais, não apenas conhecimento técnico.
Segundo o que consegui pesquisar à respeito, qualquer criança que mostre dificuldades ou talentos específicos recebe suporte extra (apoio pedagógico ou programas de extensão) para maximizar seu potencial, tratando a educação como um direito do desenvolvimento individualizado.
E ouvindo o humorista – que era homem muito inteligente – observei que minhas ideias são semelhantes às dele.
A inutilidade de um ensino tão “puxado” não levava a nada; tanto que findávamos as Séries sabendo muito pouco.
Guardo na lembrança até hoje essa revolta silenciosa.

