FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Creio que já tarda uma gigantesca reestruturação do atual 3º. Grau de Ensino brasileiro. É urgente a adoção de estratégias que reflitam novas demandas cognitivas, num contexto latino-americano cada vez mais dinâmico, mormente agora com a vigência do acordo do Mercosul com a União Europeia.

Somente por intermédio de um qualificado ensino superior, a Ciência, teórica e aplicada, desenvolverá sua missão primordial: consubstanciar uma maior solidariedade para com todo o seu derredor social, pela transmissão crítica das melhores maneiras de pescar, bem assimilada a dimensão do que seja parceria, revitalizando-se todas as faixas etárias e regiões.

O pensamento do professor Ronaldo Tavano Palaia, ex-diretor da Faculdade Trevisan, continua a se refletir como um alerta que se alastra pelos quatro pontos cardeais do país:

A sobrevivência das organizações na Nova Economia está incondicionalmente atrelada às habilidades fundamentais de seus colaboradores em todos os níveis hierárquicos, bem diferentes daquelas exigidas dos trabalhadores e dirigentes na Sociedade Industrial. Hoje, para que uma posição no mercado de trabalho da Nova Economia seja ocupada, é preciso dispor cada vez mais de capital intelectual, que não se traduz apenas pelo simples acúmulo de conhecimento, mas pela capacidade de identificar, obter, organizar e utilizar a informação necessária para alcançar os resultados pretendidos. (…) De todas as grandes organizações seculares, como o Exército e a Igreja, talvez a Universidade seja a mais conservadora em termos de valores e práticas. Neste momento, contudo, a sociedade precisa formar, em nível superior, talentos humanos com preparo adequado para a economia digital e com grande flexibilidade de adaptação a uma realidade econômica, social, cultural e tecnológica emergente.

Segundo aquele docente, estamos atravessando uma crise paradoxal: de um lado, um crescente analfabetismo funcional; de outro, um contingente cada vez maior de vagas em setores especializados, por ausência de mão-de-obra qualificada.

Na atualidade, uma Universidade que deseja se ver respeitada, deve ser possuidora de alguns Princípios Norteadores: Possuir elaboração própria; Saber melhor conjugar teoria com prática; Manter-se em contínua atualização, sem modismos pernósticos; Emular balizamentos emancipatórios; e Ampliar a qualificação formal e política de todos os seus setores técnico-científicos.

A Universidade deve ainda ser possuidora de um acurado instinto cognitivo de sobrevivência, nunca um amontoado de salas de aulas, onde impera uma caduca diferença entre aluno e professor, os primeiros sempre passivos, os segundos portadores de procedimentos apenas auleiros, sem sabor criativo, tampouco amor e contemporaneidade.

Se o diploma de nível superior se encontra em baixa, muito desgastado como reflexo do saber, o conhecimento multidisciplinar se torna cada vez mais uma exigência intelectual, inclusive para docentes. Com honestidade, verifica-se facilmente que a maioria dos nossos atuais docentes universitários não merece sequer ser diplomada. E que inúmeras escolas superiores são simples peças históricas, úteis apenas para se observar como foi a Universidade criada nos anos trinta do século passado.

Segundo o pesquisador Cláudio de Moura Castro, estamos ao limite do conserto fácil. Com a modernização econômica e a globalização cada vez mais acelerada, que sejam eliminadas as posturas meramente burocratizantes, as contemplações dos próprios umbigos e as pesquisas sobre quase-nada, que apenas favorecem os já parcos rendimentos mensais. Posto que, sem grandes saltos qualitativos, ficaremos num eterno ora-veja, vendo a banda passar, sem trombone nem clarins. Tocando apenas os bombos dos bobos.

Sem um Ensino Superior dinâmico, seguramente seremos vítimas de algumas consequências, entres as quais estratégias não implementadas corretamente; aquisições tecnológicas que não alcançam os efeitos esperados; uma estrutura organizacional lenta e dispendiosa; custos não sendo mantidos sob controle; e programas que não apresentam os resultados aguardados.

Tudo ampliando uma sempre crescente Cultura de Fingimento de 3º. Grau.

Um comentário em “REESTRUTURAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR BR

  1. Prosseguindo os esquerdistas (e com Paulo Freire a tiracolo), tudo isso não é apenas retórica inútil e redundante? O próprio jumento-chefe já declarou — e em mais de uma ocasião — que a manutenção do poder depende de manter o povo ignorante. Precisa desenhar?

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