Creio que já tarda uma gigantesca reestruturação do atual 3º. Grau de Ensino brasileiro. É urgente a adoção de estratégias que reflitam novas demandas cognitivas, num contexto latino-americano cada vez mais dinâmico, mormente agora com a vigência do acordo do Mercosul com a União Europeia.
Somente por intermédio de um qualificado ensino superior, a Ciência, teórica e aplicada, desenvolverá sua missão primordial: consubstanciar uma maior solidariedade para com todo o seu derredor social, pela transmissão crítica das melhores maneiras de pescar, bem assimilada a dimensão do que seja parceria, revitalizando-se todas as faixas etárias e regiões.
O pensamento do professor Ronaldo Tavano Palaia, ex-diretor da Faculdade Trevisan, continua a se refletir como um alerta que se alastra pelos quatro pontos cardeais do país:
A sobrevivência das organizações na Nova Economia está incondicionalmente atrelada às habilidades fundamentais de seus colaboradores em todos os níveis hierárquicos, bem diferentes daquelas exigidas dos trabalhadores e dirigentes na Sociedade Industrial. Hoje, para que uma posição no mercado de trabalho da Nova Economia seja ocupada, é preciso dispor cada vez mais de capital intelectual, que não se traduz apenas pelo simples acúmulo de conhecimento, mas pela capacidade de identificar, obter, organizar e utilizar a informação necessária para alcançar os resultados pretendidos. (…) De todas as grandes organizações seculares, como o Exército e a Igreja, talvez a Universidade seja a mais conservadora em termos de valores e práticas. Neste momento, contudo, a sociedade precisa formar, em nível superior, talentos humanos com preparo adequado para a economia digital e com grande flexibilidade de adaptação a uma realidade econômica, social, cultural e tecnológica emergente.
Segundo aquele docente, estamos atravessando uma crise paradoxal: de um lado, um crescente analfabetismo funcional; de outro, um contingente cada vez maior de vagas em setores especializados, por ausência de mão-de-obra qualificada.
Na atualidade, uma Universidade que deseja se ver respeitada, deve ser possuidora de alguns Princípios Norteadores: Possuir elaboração própria; Saber melhor conjugar teoria com prática; Manter-se em contínua atualização, sem modismos pernósticos; Emular balizamentos emancipatórios; e Ampliar a qualificação formal e política de todos os seus setores técnico-científicos.
A Universidade deve ainda ser possuidora de um acurado instinto cognitivo de sobrevivência, nunca um amontoado de salas de aulas, onde impera uma caduca diferença entre aluno e professor, os primeiros sempre passivos, os segundos portadores de procedimentos apenas auleiros, sem sabor criativo, tampouco amor e contemporaneidade.
Se o diploma de nível superior se encontra em baixa, muito desgastado como reflexo do saber, o conhecimento multidisciplinar se torna cada vez mais uma exigência intelectual, inclusive para docentes. Com honestidade, verifica-se facilmente que a maioria dos nossos atuais docentes universitários não merece sequer ser diplomada. E que inúmeras escolas superiores são simples peças históricas, úteis apenas para se observar como foi a Universidade criada nos anos trinta do século passado.
Segundo o pesquisador Cláudio de Moura Castro, estamos ao limite do conserto fácil. Com a modernização econômica e a globalização cada vez mais acelerada, que sejam eliminadas as posturas meramente burocratizantes, as contemplações dos próprios umbigos e as pesquisas sobre quase-nada, que apenas favorecem os já parcos rendimentos mensais. Posto que, sem grandes saltos qualitativos, ficaremos num eterno ora-veja, vendo a banda passar, sem trombone nem clarins. Tocando apenas os bombos dos bobos.
Sem um Ensino Superior dinâmico, seguramente seremos vítimas de algumas consequências, entres as quais estratégias não implementadas corretamente; aquisições tecnológicas que não alcançam os efeitos esperados; uma estrutura organizacional lenta e dispendiosa; custos não sendo mantidos sob controle; e programas que não apresentam os resultados aguardados.
Tudo ampliando uma sempre crescente Cultura de Fingimento de 3º. Grau.
Prosseguindo os esquerdistas (e com Paulo Freire a tiracolo), tudo isso não é apenas retórica inútil e redundante? O próprio jumento-chefe já declarou — e em mais de uma ocasião — que a manutenção do poder depende de manter o povo ignorante. Precisa desenhar?