Miguel Arraes de Alencar nasceu em 15/12/1916, em Araripe, CE. Advogado, economista e político, foi deputado estadual e federal, secretário de estado, prefeito de Recife, teve três mandatos como governador de Pernambuco e presidiu o Partido Socialista Brasileiro no período 1999-2005.
Filho de Maria Benigna Arraes de Alencar e José Almino Alencar, concluiu o curso secundário no Colégio Diocesano, em 1932. No ano seguinte ingressou no curso de Direito da Faculdade Nacional no Rio de Janeiro e concluiu na Faculdade de Direito do Recife, em 1937. Passou a trabalhar no IAA-Instituto do Açúcar e do Álcool, onde fez carreira até 1943 no cargo de delegado regional. Aí manteve contato com o presidente do IAA Barbosa Lima Sobrinho, que em 1947, quando tornou-se governador de Pernambuco, levou-o à vida pública no cargo de Secretário da Fazenda. Em 1950 foi candidato a deputado estadual, ficando na suplência e pouco depois assumiu o cargo. Em 1954, disputou de novo o cargo e foi eleito ocupando a liderança na oposição ao governo Cordeiro de Farias.
Em 1959, no governo Cid Sampaio, retornou à Secretaria da Fazenda e no ano seguinte foi eleito prefeito do Recife, apoiado pela Frente Popular. Em sua gestão foi criado o MCP-Movimento de Cultura Popular, com investimento em massa na cultura e na educação. Mobilizou artistas e entidades, realizando uma cruzada pela melhoria dos serviços públicos básicos. Em um ano abriu vagas nas escolas para 10 mil crianças, onde o déficit chegava a 100 mil. Em 1961 ficou viúvo de Célia de Souza Leão, com quem teve 8 filhos. Em seguida casou-se com Maria Madalena Fiúza, tendo mais 2 filhos. Em 1962 foi eleito governador de Pernambuco. Em sua gestão foi assinado o “Acordo do Campo”, visando a implantação de relações mais justas entre os canavieiros e usineiros. No ano seguinte foi lançado pré-candidato à presidente da República por várias lideranças do País, propondo um programa nacionalista e correção das desigualdades sociais.
Em abril de 1964, foi deposto do Governo pela ditadura militar instaurada pelo Golpe de Estado. Ficou preso por um ano na Ilha de Fernando de Noronha; seguiu para o Rio de Janeiro; pediu asilo na Embaixada da Argélia, onde ficou 14 anos ao lado da família, em Argel. Ficou conhecido em todo o mundo como político progressista que ajudou os movimentos de independência das colônias portuguesas na África e apoio na estruturação destas jovens nações.
No Tribunal Internacional Bertrand Russell, em 1974, denunciou a ditadura militar no Brasil, responsabilizando-a pela prisão, tortura e morte de muitos dos opositores e ampliação das condições de desigualdade social da população. Com a anistia, em 1979, retornou ao Brasil e foi recebido no Recife por cerca de 50 mil pessoas carregando-o no ombro e retomou sua vida política no PMDB-Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Diversas faixas traziam a inscrição “Arraes taí”.
Foi eleito deputado federal, em 1982, com a maior votação do estado e em 1986 foi eleito governador de Pernambuco pela 2ª vez. No ano seguinte foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do infante Dom Henrique de Portugal. Como governador, teve como foco corrigir as desigualdades sociais e iniciou o mais ambicioso programa de eletrificação rural no Estado. Implantou o sistema de microcrédito dirigido aos camponeses e periféricos, e dizia: “Nas regiões miseráveis do interior e da periferia do Recife, modernidade é um bico de luz aceso e uma torneira pingando água”. Ao mesmo tempo, criou a 2ª secretaria de Ciência e Tecnologia do País e a 2ª Fundação de Amparo à Pesquisa. Mobilizou esforços em favor da implantação de uma refinaria de petróleo no Estado e, em 1996, promoveu negociações com o governo da Venezuela, visando uma parceria binacional para viabilizar a planta de refino petrolífero no Estado.
Em 1990 foi eleito, novamente, deputado federal pelo PSB-Partido Socialista Brasileiro com a maior votação proporcional do País. Em 1994, foi eleito governador pela 3ª vez e ampliou o programa de eletrificação rural com a meta de implantar a rede de eletricidade em 150 mil domicílios rurais. Em 1998 perdeu a reeleição para o 4º mandato de governador e em seguida elegeu-se mais uma vez para a Câmara dos Deputados. Trata-se de um político popular, no trato com as pessoas. De certo modo era até sisudo e de poucas palavras. Seu estilo chegou a propiciar-lhe a alcunha de “Oráculo do Nordeste”, devido a concisão de seus pronunciamentos.
Para comprovar sua aversão ao populismo, traduziu para o português o livro A mistificação das massas pela propaganda política, de Serge Tchakhotine, publicado pela Editora Civilização Brasileira em 1967. O livro foi censurado na França em 1939, queimado pelos nazistas em 1940 e reeditado em 1950. Hoje é um livro raro, que bem poderia ter sua edição em português reeditada. Além desta tradução, deixou mais de 10 livros publicados, com desataque para: A nova face da ditadura brasileira. Lisboa: Seara Nova, 1974; Le Brésil: Le peuple et le pouvoir. Paris: François Maspéro, 1970; O jogo do poder no Brasil. 2. ed. rev. São Paulo: Alfa-Ômega, 1982.
Faleceu em 13/8/2005 e deixou um considerável legado que pode ser avaliado no acervo do Instituto Miguel Arraes, criado em 2008 em Recife, que não se destina a ser uma espécie de museu do seu patrono. Foi concebido como “uma instituição sem fins lucrativos, atuante nas linhas e princípios defendidos por ele”. Em 2006 foi lançado o livro Arraes, de Teresa Rozowykwiat, a primeira biografia autorizada publicada pela CEPE-Companhia Editora de Pernambuco. Em fevereiro de 2016, Arraes foi homenageado no carnaval do Rio de Janeiro, pela Escola de Samba Unidos de Vila Isabel.

Grande texto. Dr. Arraes merecia. E o complemento, do vídeo, ficou muito bom. Curioso é que a Maconha ficou para depois. Viva o mestre José Domingos.
Grato Mestre
pela visita ao Memorial e pelo redobrado apoio. A maconha ficou para depois porque foi comentada depois de seu falecimento, no vídeo de sua neta Marília Arraes.