JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Joaquim Maria Moreira Cardozo nasceu em Recife, PE em 26/81897. Engenheiro, arquiteto, professor, contista, poeta, dramaturgo, caricaturista, crítico de arte, tradutor, editor e poliglota com domínio de diversos idiomas. Conhecido como “Poeta dos Cálculos”, foi o calculista do arquiteto Oscar Niemayer na edificação de alguns cartões-portais de Brasília, como o Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Congresso Nacional, Palácios do Planalto e do Itamarati, além do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte.

Filho de Elvira Moreira Cardoso e do bibliotecário José Cardoso, teve os primeiros estudos no Ginásio Pernambucano. Aos 16 anos editou o jornal “O Arrabalde”, junto com os amigos, onde estreou na literatura, com o conto Astronomia alegre. Aos 17, publicou os primeiros trabalhos como caricaturista e chargista nos jornais Diário de Tarde e Diário de Pernambuco. Aos 18, ingressou na Escola Livre de Engenharia, interrompida várias vezes, devido a dificuldades econômicas. O curso foi concluído em 1930, aos 33 anos.

Tomou gosto pela docência e foi professor da escola onde se formou. Pouco depois tonou-se um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pernambuco, em 1932. Além da docência, incorporou-se à equipe do arquiteto Luiz Nunes, com a função de organizar a Diretoria de Arquitetura e Construção, da Prefeitura do Recife, em 1934, primeira instituição governamental do Brasil, para cuidar dessa área. Em 1940 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar no SPHAN-Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com o arquiteto Lúcio Costa, o paisagista Burle Marx e o advogado Rodrigo de Melo Franco. No período 1943-1954 trabalhou com Oscar Niemeyer, fazendo os cálculos estruturais do conjunto da Pampulha. Pouco depois projetou as principais edificações de Brasília.

Revolucionou a concepção estrutural do concreto armado com seus métodos de cálculo, contribuindo para a renovação da arquitetura mundial. Para Niemeyer, ele era “o brasileiro mais culto que existia”. Suas hipóteses de cálculo permitiram que as bases dos principais palácios de Brasília apenas toquem o solo como agulhas. Trata-se de um feito considerável, levando-se em conta a resistência do concreto à época, bem menor do que atualmente e pode ser melhor visto no projeto da Catedral Metropolitana.

Sobre a relação da poesia com a arquitetura, declarou: “Não visualizo qualquer incompatibilidade entre poesia e a arquitetura. As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias. Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia”. Suas primeiras poesias foram publicadas em 1924, porém o primeiro livro – Poemas – só foi lançado em 1947, devido ao incentivo dos amigos Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. O livro foi prefaciado por Carlos Drummond de Andrade. Ou seja, sempre esteve em boa companhia.

Sua poesia mescla traços líricos numa dimensão moderna, sem abraçar o modernismo em sua totalidade. Ao todo publicou 11 livros de poesia, destacando-se: A Tarde Sobe, Alucinação em Branco, Espumas do Mar, Imagens do Nordeste, Menina e Tarde no Recife. Ele costumava dizer que “eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia”. Em 1975 foi eleito para ocupar a cadeira 39 da Academia Pernambucana de Letras e tomou posse em 1977, pouco antes de seu falecimento em 4/11/1978. Ao todo foram publicou 11 livros, sendo o último publicado postumamente: Canções Sombrias. Na imprensa, colaborou com o Diário de Pernambuco como chargista; dirigiu a Revista do Norte e participou das revistas do SPAHN, Para Todos e Módulo.

Seus trabalhos contribuíram efetivamente para a construção de uma Teoria da Arquitetura, firmada quando passou a ser o catedrático responsável pela cadeira de “Teoria e Filosofia da Arquitetura” na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco, extinta em 1976, dando origem ao atual Centro de Artes e Comunicações- CAC da UFPE. Costumava dizer que “Os muros das construções são o papel onde se inscreveram as páginas da história, onde ainda se inscrevem as mensagens para o futuro. E escrever estas mensagens, cabe ao arquiteto”.

Não obstante seu talento, sua vida ficou marcada por uma tragédia profissional. Em 1971, o Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte, desabou no fim da construção, matando 69 operários, e ferindo outros 100. A obra era assinada por Niemeyer e ele. A perícia detectou que o erro não foi no cálculo, e sim na execução da obra por parte da empreiteira. Mesmo absolvido, ficou extremamente abalado depois do acidente, encerrou sua carreira de calculista e entrou em depressão.

3 pensou em “OS BRASILEIROS: Joaquim Cardozo

    • Dom José Paulo

      E grande calculista.
      Disseram-me que ando puxando muito a sardinha pros lados de Pernambuco. Pura inveja, né não !?
      Há braços

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *