RODRIGO CONSTANTINO

“O Tribunal Superior Eleitoral finalmente reagiu ao liberticida Jair Bolsonaro e de ofício, sem esperar pela iniciativa do Ministério Público Eleitoral”, comemora o editorial de hoje do Estadão. Causa espanto uma vez que o tradicional jornal sempre parece tão zeloso pelas instituições republicanas, mas está festejando mais uma arbitrariedade ilegal suprema.

O que isso mostra é que a velha máxima marxista, de que os fins nobres justificam quaisquer meios, está mais ativa do que nunca. Muita gente está convencida, de forma sincera ou por interesses obscuros, de que o Brasil precisa se livrar de Bolsonaro. E não medem esforços para esse “nobre fim”. Querem salvar a democracia e nossas instituições, alegam, e para tanto não se importam em rasgar essas mesmas instituições.

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, em entrevista ao Globo, disse: “A resposta institucional foi dada com a nota dos ex-presidentes do TSE. A magistratura brasileira está unida, coesa, e convicta que há no brasil um sistema eleitoral, uma Justiça Eleitoral, e que o princípio da independência dos Poderes há de ser observado, cada qual no seu quadrado normativo. Quem entende de eleição é a Justiça Eleitoral. O Judiciário não governa, não se candidata ao voto popular, mas impede o desgoverno. Vamos respeitar a Constituição, pronto”.

Oi? Permitam-me apertar a tecla SAP: Se o STF/TSE não gosta do governo, então impede que ele possa governar e chama isso de “desgoverno” para dar um verniz de legalidade ao puro arbítrio dos ministros indicados pela quadrilha petista. “É preciso que estejamos todos atentos aos processos contemporâneos de ataques à democracia”, alerta o ex-ministro, insinuando que a ameaça vem de Bolsonaro, ignorando os ataques dos próprios colegas supremos, os primeiros a rasgar a Constituição que deveriam proteger.

Em seguida, Ayres Britto disseminou Fake News ao repetir a ladainha de Barroso de que o nosso sistema eleitoral é um dos melhores do mundo: “Nós somos felizes eleitoralmente e não sabemos disso. Até parece que, consciente ou inconscientemente, certas pessoas são masoquistas porque, como todo masoquista, são pessoas que se sentem mal quando estão bem, e se sentem bem quando estão mal. Nós estamos muito bem porque processamos eleições tão céleres quanto seguras, com autenticidade absoluta nos temos de apuração de votos”.

Não satisfeito, o ex-ministro afirma que nosso sistema já é auditável, o que os especialistas contratados pelo PSDB descobriram ser falso, e tenta deliberadamente confundir o avanço do sistema eletrônico com a volta do voto em papel ou cédula: “Urna eletrônica é algo assim como democracia, é viagem de qualidade sem volta. Você não pode pensar em substituir a democracia, você pode pensar em aperfeiçoar a democracia. Concurso publico, licitação, internet são viagens de qualidade sem volta, são ganhos de civilização. O que se pode fazer, tentar, é contribuir eletronicamente. O sistema eletrônico já é auditável. Ele tem seus patamares de segurança, de tecnicalidade avançada e é à prova de fraude, é inviolável. Nunca se provou uma fraude eleitoral, então quem chega pedindo a introdução do voto impresso para auditar o voto eletrônico não percebe que o voto impresso não pode servir de elemento de auditagem porque ele é inferior tecnologicamente ao objeto da própria auditagem”.

O irônico é que o próprio TSE explicava em seu site o voto impresso acoplado à urna, desfazendo falácias sobre o assunto. Muita gente que defendia essa evolução está veementemente contra hoje, só para demonizar Bolsonaro. O que mudou? Por que mudou? Tal mudança abrupta não gera mais desconfiança ainda? Quando uma deputada como Tabata Amaral mente em vídeo ao falar de voto em papel levado pelo eleitor, isso não produz mais desconfiança? Quando João Amoedo aplaude decisão do TSE hoje, mas vemos seu vídeo explicando com serenidade a importância de um voto impresso, isso não deixa as pessoas com a pulga atrás da orelha? Quando um jornalista como Reinaldo Azevedo repudia a demanda por voto auditável impresso agora, mas aplaudia a iniciativa tucana de auditar os votos em 2014 por vários indícios e suspeitas de fraude, isso não chama a atenção para algo suspeito?

Um humorista fracassado, em busca da minha atenção, insinuou que recebo dinheiro do governo para “defende-lo”. Pedi a ele para ser mais direto, explicar do que exatamente ele estava me acusando, mas ele preferiu manter a ambiguidade, para a infelicidade do meu advogado. Mas o foco não é sua covardia, e sim o fato de que o tal humorista tentou me ridicularizar por ter afirmado que o humor deve ser contra o sistema. Ele achou graça de alguém como eu afirmar isso, já que eu seria um puxa-saco do governo. O humorista, que nada entende de política, não seria capaz de entender que o sistema pode estar contra o governo!

José Dirceu ameaçou: podem até perder nas urnas, mas vão manter o poder. Hoje fica claro, para quem está atento e tem alguma inteligência, que boa parte do sistema atua para boicotar o governo Bolsonaro, ou mesmo derrubar o presidente eleito. Mas o povo está de olho. A hashtag #BarrosoNaCadeia ultrapassou a marca de 200 mil menções no Twitter, mostrando que as redes sociais não se intimidam com o arbítrio supremo. Parece que a tática do iluminado ministro gerou um efeito bumerangue. Teria sido um tiro no pé do próprio sistema?

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