RODRIGO CONSTANTINO

Após um ano sem pisar por aqui, estou de volta ao meu querido Rio de Janeiro, à cidade maravilhosa onde nasci, cresci e vivi por 38 anos. Sempre que volto é uma sensação mista de sentimentos. Nostalgia e saudades, misturadas com uma leve tristeza. Esta bate justamente porque escolhi sair, e pelas causas dessa decisão.

O potencial do Rio é incrível. E essa tristeza vem exatamente da clara noção de que tínhamos tudo para arrasar. O turismo, para começo de conversa, era para ser muito, muito maior. Temos as mais belas praias, com montanhas, serra, clima bom, povo animado e receptivo. A beleza natural é imbatível, qualquer gringo fica louco. Angra, Búzios, Copacabana, Itaipava: alguém pode passar o mês todo passeando e ficará encantado a cada dia.

Mas não usamos nem uma fração do nosso potencial. E aí vem aquela lista de motivos pelos quais muita gente cansa e, quando pode, se manda. E a cada vez que venho visitar, noto que pouco ou nada mudou quanto a isso. Trânsito caótico, ruas esburacadas, motoristas afoitos e sem educação. Sensação constante de perigo, pois a criminalidade é elevada e somos obrigados a atravessar locais hostis mesmo nos bairros mais nobres. E o mais grave, ainda que compreensível: o carioca é adaptado a isso, banalizou o absurdo como mecanismo de sobrevivência.

É preciso viver num lugar diferente por um tempo para se dar conta de que nada disso é razoável ou aceitável. Mas o “malandro” não só absorve o bizarro, como tira proveito dele. O problema, claro, é que tem malandro demais para otário de menos, e o resultado é um concurso de oportunismo que reduz os benefícios gerais. Os anglo-saxões são mais “certinhos” ou “caretas”, sem dúvida, mas será por isso que foram capazes de construir sociedades mais estáveis, prósperas? O tecido social depende de alguns valores básicos disseminados, entre eles a boa fé quanto ao próximo, para se consolidar uma sociedade de confiança. No Rio isso está basicamente ausente.

E quando falo do Rio, falo do Brasil. Foco no Rio por dois motivos: 1. conheço melhor; 2. representa a capital nacional desse nosso jeitinho. Cheguei a escrever um livro sobre o assunto, e quando retorno e percebo a lentidão da mudança necessária, dá um cansaço e tanto. O que poderíamos ser e o que somos são dois pontos separados por um abismo, e quem tem essa clara noção não consegue impedir uma pontada de tristeza.

Mas somos brasileiros, e não desistimos jamais! Até porque não se trata só de lentidão no progresso, mas sim do enorme risco de retrocesso! Basta lembrar que a esquerda caviar se cria é no Rio mesmo, onde o PSOL tem seu eleitor cativo nos bairros ricos, onde o PT costuma vencer nas eleições presidenciais. A depender dos “institutos de pesquisas”, o ex-presidiário e “descondenado” Lula será presidente novamente. Só de aventar essa hipótese, por mais que desconfiemos dessas pesquisas fajutas, já bate desespero. Só de essa possibilidade ser real já temos a prova de como as coisas mudam pouco em nosso país, de como ainda temos esses bolsões de ignorância e desonestidade espalhados por aí.

É verdade que as manifestações este domingo foram um fiasco, e isso é alvissareiro. O povo não parece interessado na volta do ladrão. Banqueiros, jornalistas, intelectuais, esses sim, lutam pelo pior. Mas quero crer que o povo brasileiro acordou mesmo. É preciso olhar para os países mais avançados para entender como chegaram lá. Não precisamos inventar a roda. Basta endireitar aquilo que ainda é sinistro. Basta começar a valorizar as virtudes e rejeitar os vícios. Aí sim, teremos uma cidade maravilhosa digna de atrair para visitar e morar o mundo inteiro. Aí sim, teremos um país decente. É sonhar muito?

3 pensou em “O RIO CONTINUA LINDO!

  1. O RJ realmente como diz a música, é uma cidade maravilhosa. Mas (como diz Sancho, indefectível mas), tem um povo que se acostumou, desde a época do Brasil colônia, com a malandragem, com o vitimismo, o apadrinhamento, o “levar vantagem em tudo”.

    É o único Estado a ser assim? Não, nas no RJ eles levaram as características acima ao estado da arte.

    Tem outra coisa também, tem mais funcionários públicos do que Brasília, nossa capital Federal. Por já ter sido a Capital, guarda repartições de todas as repartições e autarquias. Por tudo isso é a cidade do: “v. sabe com quem está falando?”.

    Quando eu estudava lá no início da década de 80 se brincava que a polícia em SP batia primeiro (estávamos no regime militar) e pedia os documentos depois. No RJ era o contrário, primeiro a PM pedia o documento, para depois bater. A chance de um PM-RJ encontrar uma “autoridade” pela frente era muito grande.

    Nunca vi escolher tantos governantes errados. Aqui em SP erramos com o Dória, ano que vem ele será limado (escrevam e me cobrem depois). O RJ provavelmente escolherá o Freixo. Aí é o fim.

    • Como diria Sancho…

      João, na interminável serie HÁ SEMPRE UM MAS,acrescento: MAS, qual ESTADO ou MUNICIPIO pode esculhambar o “meu” Rio de Janeiro sem esconder o próprio rabo?

      Nunca vi escolher tantos governantes errados (tal frase cai como luva em qualquer município ou estado da FEDERAÇÃO…

      Estou há tanto tempo por Sampa, que já ando chamando o calcinha apertada de “meu” governador. Votei nele, pois a outra opção seria o FRANÇA…

  2. A ÚLTIMA VEZ QUE ESTIVE NO RIO DE JANEIRO, ISTO É, HÁ 35 ANOS, O QUE VI E SENTI FEZ E FAZ COM QUE JAMAIS, NUNCA MAIS, VOLTE LÁ, POIS ULTRAPASSOU O MÍNIMO QUE ENTENDO COMO TOLERÁVEL.

    TER AS BELEZAS NATURAIS QUE TEM, ADIANTA O QUÊ SE O/A CARIOCA PERDEU TODAS AS SUAS ANTES BOAS QUALIDADES E TORNOU-SE UM PERIGO PARA CONVIVER.

    NUNCA SE SABE O QUE SE VAI ENCONTRAR POR DIANTE.

    VADE RETRO, CARIOCA!!!

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