Gosto de subir ao ponto mais alto para ver o sol se por
Uuuuffffaaaa!
Estou chegando. Tem sido cansativo, mas, a Fé divina me move, acalenta e recompensa.
Jovem adolescente, inebriado pelas vantagens que aparecem nessa etapa da vida, namorei e me apaixonei. Embeveci e fiquei aberto como um flor com o néctar que atrai as abelhas.
Nessa etapa da vida, mal percebemos o quanto somos sensíveis e abertos para todas as coisas. Para o amor, por exemplo. Para tudo que imaginamos nos fazer bem. E, o amor faz bem em qualquer fase da vida.
Foi quando ganhei o primeiro presente material. Um livro. Longe dali, no Liceu o livro chegou no momento exato que, na sala de aulas, o professor nos ensinava a “interpretar textos lidos” – aprendizado aquele que hoje faz falta aos jovens que fingem estudar orientados por professores que fingem ensinar.
O presente veio de quem, como uma abelha que adoça nossas vidas, estava me conquistando. Ela era a abelha e eu o néctar da flor viçosa ávida pela êxtase que desconhecia, mas desejava sentir. Um livro. O Pequeno Príncipe. A instabilidade me fez sentir o próprio – e tudo se aproximava da fase leve da vida. Ela deixava momentaneamente de ser a abelha e se transformava numa raposa. Como no livro. Como na parábola. Como em qualquer pôr do sol dos envoltos e apaixonados.
Uuuufffffaaa!
Chegamos, juntos e caminhando e olhando na mesma direção – como deve ser sempre o amor: “caminhar e olhar na mesma direção para ver, juntos, o mesmo pôr do sol”.
O pôr do sol visto pelos apaixonados
Hoje, muito além daquela fase, aprendi que sempre gostei de ver o pôr do sol. Subir ao ponto mais alto da montanha da vida e, juntos, olhar o sol se pondo com todos as odes e letras de um poema. Talvez eu sempre tenha vivido apaixonado por mim mesmo.
No fundo, no fundo, acho que os que amam, amam também a si próprios. Amam a si, amam a família, amam a vida e são apaixonados pelas coisas divinas e da Natureza. São felizes!
Eu sou feliz!
Vivo, amo, divido até o que não tenho com a minha eterna raposa. Continuo dividindo o pôr do sol, visto do lugar mais alto da montanha.
As uvas não estavam verdes – elas eram verdes
Na subida da montanha, juntos, eu e a raposa, encontramos uma plantação. Nunca entendi que uva matasse a fome – e, eu e ela não estávamos famintos. Estávamos enamorados e procurávamos ver o pôr do sol. Continuamos a subida. Olhamos o poético pôr do sol, e voltamos.
Vimos o vinhedo. As uvas ainda estavam lá, no mesmo lugar.
Descobrimos que elas “não estavam verdes” quando subimos. Na descida percebemos que elas “eram verdes” – como todos os apaixonados e com objetivos (o nosso era caminhar, juntos, para ver o pôr do sol) definidos, só então entendemos que o amor empana as necessidades da vida.
Descemos até que alcançamos o lugar inicial da subida. Nos dividimos – e, ainda hoje estamos divididos.
Sós, gostamos de olhar e contar estrelas
Só. Estou só. Preferi assim – e não há arrependimento. Aprendi muito.
Momentaneamente me flagro no sopé da montanha. Me imagino subindo, encontrando as mesmas trilhas. Faço isso – agora só! – e encontro mais dificuldades. Talvez sejam os prêmios do aprendizado e da vida. As uvas, então, eram verdes. Alguém as comeu.
Chego ao topo, onde gostava de ver o pôr do sol. O sol já se pôs. Se escondeu ou deu um até amanhã, quando poderá ser visto por pessoas juntas.
Eu entendo. Aceito. Me contento em olhar e contar estrelas.



