Nas brenhas do sertão do Riacho da Aurora, havia um jovem, Libório Sombra do Norte, que se inclinou para as bandas de uma moça, Josefa, também da mesma região. Entregue ao recato matuto, Libório, sem saber como abordar a sua favorita, resolveu procurar uma pessoa que pudesse intermediar o namoro, a bem dizer, que regasse o seu intento e, além disso, que pudesse atuar na alcovitagem, isto é, servisse de intermediária nas relações amorosas, se é que estas iriam medrar.
Tempos depois, agora a moça já pedida em casamento, eram os costumes da época, fora o conúbio agendado para se realizar na humilde capela da povoação do Riacho da Aurora. Porém, no dia marcado para a celebração o pároco, montado em seu alazão, não pode comparecer por causa de uma chuva torrencial que fizera transbordar o Ribeirão Aurora.
Frustrados, os nubentes, de comum acordo com a igreja, reagendaram o himeneu para data muito adiante. Desta feita o pároco também não pode comparecer, mas designou um ministro da igreja para oficializar a cerimônia. (Por aqueles tempos a gente sertaneja não dispensava a união por via sacramental, tempos, aliás, em que a moça haveria de encontrar-se em estado virginal).
Assim que o oficiante proclamou: “eu vos declaro marido e mulher”, Libório, querendo reiterar à esposa o irresistível enlevo de tê-la desposado, apesar dos diversos embaraços, expressou assim seu contentamento:
– Zefinha, ou bom ou mau, a desgraça tá feita!
Por vezes palavras exprimem o contrário do que o coração sente.