Simulação de um corretivo
Nestes quase 90 anos de vida de participações culturais, sinto-me um privilegiado.
Tive oportunidade de circular com certa proximidade, de alguns mestres, cujas memórias sempre estou recordando e louvando. Realço aqui, Capiba, de todos, o meu mais próximo dessa linhagem.
Foi um personagem que jamais vi igual, dado à sua diversidade cultural, pois era tocador de trompa, cantor, pianista, maestro, letrista, compositor, poeta, escritor e pintor. Acima de tudo, um contador de histórias engraçadas.
Já estou no 4º livro em que ajudei a manter sua popularidade. Nestes dias estou tirando da prancheta mais um: “Viva Apiba!” E neste título não há erro. Era assim que ele se identificava: “Eu me chamo Apiba!”
Fazia músicas também por encomenda; tanto para o teatro quanto para atender sugestões de populares. O primeiro desafio foi criar, por solicitação de estudantes, u’a música para celebrizar a “Festa da Esmeralda”, evento anual dos formandos de Medicina. A valsa .oficial
Com letra do poeta Ferreyra dos Santos, criou a “Valsa Verde”. “Maria Betânia”, veio em seguida, para se tornar a trilha sonora da peça de Hermógenes Viana: “Senhora de Engenho”, surgida por encomenda de Mílton Persivo.
Mas teve uma, incomum, composta para uma peça do Teatro de Bonecos, de autoria do meu saudoso amigo José de Moraes Pinho, que foi apresentada pela primeira vez nos anos de 1950, em palco armado no Parque 13 de Maio, no Recife.
Quando foi improvisada a barraca-palco, o primeiro espetáculo constou da apresentação de um mamulengo (teatrinho popular de bonecos) arte muito conhecida do interior do Nordeste.
O principal astro era o boneco “Tiridá”, que vibrava ao ver a polícia bater nos ladrões e ficava escondido, gritando: Haja pau!. Haja pau! Capiba compôs a trilha sonora, sob encomenda. Completou-se o êxito da peça, que mais adiante, tornou-se internacional e foi premiada em Neuchâtel, durante o Festival Internacional de Teatro Infantil, na Suiça.
Augusto e o boneco Tiridá
Seria muito bom que essa peça, fosse adaptada para os nossos dias, a fim de focar, como personagens reais da atualidade, conhecidos políticos e funcionários da “Injustiça”, verdadeiros ladrões engravatados.
E que o povão, vibrando, pudesse gritar, ao invés de: “Fulano ladrão, teu lugar é na prisão!”, um entusiástico: “Vocês só merecem pau: Haja pau!.Haja pau!”.

