Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto…
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)