ALEXANDRE GARCIA

Pedido da CPMI do Master avança no Congresso entre deputados e senadores

O pedido de comissão parlamentar de inquérito de deputados e senadores sobre o caso Master já está com 42 assinaturas de senadores, ou seja, já passou da metade, são 81 senadores, e 230 deputados entre os 513. E não tem ninguém do PT, à exceção do representante do Espírito Santo, senador Fabiano Contarato. Assinou. O governo não quer, mas ele assinou. É necessário.

É interessante que a gente vê líder do governo, por exemplo, Jacques Wagner, foi quem conseguiu emprego para o Guido Mantega, um bom emprego, um milhão por mês no Master, depois um bom contrato com Lewandowski, R$ 6,5 milhões, está no Globo e na Folha de S. Paulo de domingo, mas ficou em R$ 5 milhões.

* * *

Compadrio e críticas ao Supremo

Ele deve ter descoberto que o Moraes estava com R$ 129 milhões, a família de Moraes, né? Deve ter achado estranho. Mas foi o mediador aí, a agência de emprego foi o Jacques Wagner, através do Augusto Lima, que era o CEO, do Banco Master. Ele já tinha relações com Augusto Lima, ele próprio conta naquela cesta do povo.

O Fernando Schiller, no Estadão de Domingo, comenta esse compadrio, como uma mão lava a outra no governo. Aliás, falando em Estadão, olhem só, o editorial principal do Estadão de sexta-feira, fazendo o país de bobo. Quem está fazendo o país de bobo? O Supremo, segundo o Estadão, caso da relação do escritório de Lewandowski com o Master é só a mais recente de uma série de situações eticamente reprováveis, mas que são tratadas pelas autoridades com naturalidade.

Isso faz muito mal para o país, e para nós também, principalmente para nós. Se nós, origem do poder, acharmos que isso é natural, que é natural que um escritório de advocacias da família de um ministro do Supremo possa ter um contrato gigantesco, excepcional, inédito, de R$ 3,6 milhões por mês, que é natural que outro ministro de Supremo seja o relator de um processo de um banco que está ligado ao exótico assino dos seus irmãos, supostamente seus irmãos.

É normal que o sujeito saia do Supremo e já feche um contrato com um banco? Não é normal. Isso não é normal.

* * *

Sigilos, suspeitas e pedidos de investigação

Por falar nisso, vejam só. Houve um pedido da imprensa de saber quantas vezes dona Viviane Moraes que ficou como titular nominal do escritório da família de advocacia e defensora, defensora do máster, quantas vezes foi ao Senado? E o presidente do Senado pôs isso com sigilo. Ué, tem alguma coisa pra esconder? Qual é o problema? De um lobista, de uma advogada entrarem no Supremo? Se não for nada ilícito, não tem porquê. Proteger, né?

Aí joga a suspeita em cima. Os senadores Eduardo Girão, Ceará e Magno Malta, Espírito Santo, estão pedindo para a CPI do Crime Organizado quebra do sigilo fiscal e bancário da senhora Viviane Moraes. Não sei o que vai acontecer.

Na CPI da Previdência está prevista a ida de Vorcaro na quinta-feira. Eu fico pensando, poxa, agora que Vorcaro se sentiu desamparado, né?

* * *

Respiradores do Nordeste voltam ao radar

E é bom a gente não esquecer. O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, mandou a Polícia Federal retomar a investigação sobre os respiradores do Consórcio do Nordeste, quem assinou a compra de 40 milhões pagos adiantados, sem garantia de receber o respirador, que não receberam até hoje. 48 milhões. Quem assinou era o então governador da Bahia, Rui Costa, que hoje é chefe da Casa Civil de Lula. Assinou a compra e autorizou o pagamento adiantado. E a vendedora não tinha capacidade técnica para produzir os respiradores, que nunca foram entregues.

Então, tem mais essa que a gente não pode esquecer, sob pena de estimular o inchaço da corrupção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *