CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

A confiança que o empresário deposita no desenrolar da economia é superimportante. Embota tímida, mas ensaiada pela classe produtiva, serve de baliza para verificar o comportamento dos programas que o governo executa na sua administração. Vez por outra, espantado com o que ver, o homem de negócios dá seus pitacos. Às vezes, aprovando as medidas tomadas pelos gestores. Outras vezes, no entanto, em vez de aplaudir, critica. Desce a lenha. Desde 2013, o desenrolar da economia tem oscilado. Quando o ponteiro do balizamento tá lá em cima, revelando que a economia responde perfeitamente bem às medidas programadas, o governo merece fé. Desperta confiança. Neste aspecto, o investidor se anima, chega junto. Noutras ocasiões, no entanto, o descontentamento é generalizado, sinalizando que alguma peça descarrilou do programa traçado. Desviou do caminho planejdo. Aí, no lugar de aplausos, aprovação, o que mais rola na praça, são críticas, protestos, ofensas, choradeira. Muitos boatos desabonadores. Sob esta ótica, temendo o pior, o empresário se afasta. Vai procurar bons pastos noutros mercados.

O que afere a conduta do empresário, revela a participação do setor industrial, mostrando se as medidas aplicadas foram acertadas, merecem confiança ou desaprovação, é o ICEI-Índice de Confiança do Empresário Industrial. Quem apura o indicador é a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice é aferido mensalmente em cima de pontos, que vai de zero a 100. Quanto mais alto o ponto, melhor. Em agosto de 2013, o ICEI marcava 52,5. Um ano depois, justamente em agosto de 2014, a confiança declinou. Caiu para 46,5 pontos. Em agosto do ano seguinte, 2015, a queda permaneceu em evidência, cravou 37,1 pontos. Lá embaixo. Já em agosto de 2016, a economia deu uma acordada. Aqueceu um pouco. Assinalou, 51,5 pontos. A subida continuou e em agosto de 2017, o ponteiro cravava 52,6 pontos. A ascensão não esfriou e em agosto de 2018, a marcação estava em 53,3 pontos. Situação de positividade que colocou o ponteiro na casa de 59,4 pontos em agosto de 2019, contra 57,4 em julho.

O fator interessante recai na apuração recente. Entre julho e agosto de 2019, a diferença cresceu 2 pontos, depois de emborcar repetidas vezes, a partir de fevereiro de 2019. O resultado indica otimismo do empresário no programa de Bolsonaro. Embora as discórdias, o tiroteio de desaprovação ser disparado de todos os lados do bastidor político, quatro setores produtivos respondem com positividade. Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

Diante do quadro, é fácil traçar panoramas sobre o desenrolar da economia. Em 2017, a taxa de crescimento ensaiou tímidos passos de aquecimento. A recuperação econômica dava sinais de que queria avançar. Mas, barrada pela alta de preço dos alimentos e do desemprego, que derrubaram o consumo, houve ligeiro tropeço no mercado. A ideia de contornar a fragilidade de consumo, foi copiada de 2017, quando liberaram parcialmente os saldos do FGTS para reforçar o consumo. Por outro lado, redução da taxa básica de juros prometida para este segundo semestre pode atrair investimentos e estimular mais consumo.

Caso a reforma da Previdência seja aprovada neste final de ano, algumas novidades poderão surgir no desempenho econômico brasileiro. A possibilidade da taxa de crescimento do ano pode bater na casa de 2,0% e a inflação ficar em 3,85%, cria condições para o grau de incertezas esfriar. Todavia, está cedo demais para as comemorações. Algumas vertentes perigam atrapalhar os bons sonhos. O desequilíbrio das contas públicas, acionado pelos gastos de governo, o desemprego desestimulante e a péssima qualidade do emprego, se forem desconsiderados, são capazes de implantar um patamar de recessão. Mas, apesar de tudo, resta um pouco de esperança. A economia brasileira tem um patamar sólido. A pauta de exportações, embora não se revigore com as vendas externas de manufaturados, contudo pode contar com a força do minério de ferro, aço, soja, automóveis, açúcar, aviões, café e carnes de boi e de frango.

Todavia, o chamuscado que vem do desenrolar da bolsa, câmbio e juros, especialmente depois do acender do pavio de guerra comercial entre Estados Unidos e a China, além dos tumultos políticos da Argentina, que também incomodam, os economistas, cautelosos, preferem aguardar o pano descer para opinar sobre a tendência de melhora na economia brasileira. Por enquanto, para não dar uma pisada em falso, é olho vivo no panorama brasileiro. Ainda fragilizado e oscilante.

Por outro lado, algumas atividades de menor quilate também dão aquela força para revigorar o compasso da economia. Setores como agricultura, mineração, pesca, pecuária e extrativismo vegetal não estão dormindo em berço esplêndido, letárgicos. Agem, cada um a seu modo, para tentar revigorar o palco econômico. Fortalecer a vontade do empresário industrial, doido para experimentar novos e confiantes lances no mercado produtivo. Pelo menos, alguns dados reforçam este desejo. Em 2017, a economia brasileira foi classificada como a oitava maior do mundo. O PIB, totalizou 6,6 trilhões de reais, valor que coloca o país no segundo lugar das Américas. Abaixo apenas do gigantesco Estados Unidos. No entanto, a desconfiança recai sobre o céu brasileiro, que se encontra carregado de turbulentas nuvens carregadas de poluição negra, pode botar tudo a perder. Jogar tudo abaixo. Caso os interesses políticos, abrasadores e inférteis, superem os benefícios embrulhados nos programas de arrumação da casa. Totalmente, bagunçada de escândalos, comandados pelas devoradoras saúvas infiltradas em todos os cantos do país. Executivos, Legislativos e no Judiciário.

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