A PALAVRA DO EDITOR

A ideia de carnaval surgiu durante a Antiguidade. Creditam a origem do carnaval a duas teorias. Para festejar o renascimento da natureza, os povos antigos comemoravam a alegria com empolgantes festas. Na Roma antiga, para referenciar os festivais pagãos, o homenageado era o deus Saturno.

Nos países católicos, predominava a vontade de reunir pessoas com intenções recreativas, antes da chegada da Quaresma. Tempo de orações e de abstinências. Período de quarentena, revivida desde o século IV, que precede a data maior do cristianismo, a Páscoa e a Ressureição de Jesus Cristo

Nos enfoques cotados, o importante era festejar a alegria. O estado de satisfação, o sentimento de contentamento, a brincadeira, o prazer, para esquecer a dor, o sofrimento, os desgostos, decepções e os sacrifícios.

No Brasil, as brincadeiras chegaram com o entrudo português, no século 17. Pelas ruas das cidades, apareciam bonecos desfilando para alegrar as pessoas, com o propósito de esquecer as tristezas.

Tudo virava animação com o transcorrer do tempo, até quando surgiu uma novidade para atrapalhar a folia. De repente, o que era bom, virou aperreio, confusão. A alegria da festa se transformou em violência.

Foi no século 19 que apareceu o ovo, a farinha, a areia e, principalmente a urina para sujar os brincantes que preferiam espalhar a desconcentração. Numa boa, sem ofensas e agressões.

No século seguinte, a elite inventou o corso. Carros decorados saiam pelas ruas para animar o pessoal. Iniciando a fase dos carros alegóricos das escolas de samba.

Então, de sábado de Zé-pereira até quarta-feira de cinzas a pisada é essa. Desfile de blocos, shows carnavalescos, passo no pé. Alegria, alegria.

O carnaval da Bahia é uma fantástica demonstração popular do país. Graças ao som dos trios elétricos, a manifestação concentra muita gente em volta do somzaço, de amaneira livre e espontânea. De maneira que, entre foliões nativos e turistas, Salvador espera atrair mais de dois milhões de pessoas.

Nos cinco dias da grande festa popular, o Rio de Janeiro se transforma num enorme palco por onde desfilarão as mais variadas manifestações populares. São escolas de samba, bailes de máscaras, festas móveis de blocos, bandas de rua, diversificando a cultura de maneira musical e sexual. Festança maravilhosa que se repente desde 1893.

Por sua vez, o carnaval de São Paulo também promete bombar. Pelo menos, os paulistanos garantem desenrolar o maior carnaval da história do Estado, arrastando desfiles de blocos e de belíssimas musas, para mostrar que São Paulo não se resume apenas em garoa e trabalho.

No Recife, o sábado de carnaval é dia do Galo da Madrugada, bloco criado por Enéas Freire, em 1978, na Rua Padre Floriano, no bairro de São José.

O Galo é tão querido que desde 1995, defende o pomposo título de maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o Guinness Book. Em 2020, o Galo deve arrastar uma multidão de mais de dois milhões de pessoas, totalmente envolvidas e vestidas de pura alegria.

O carnaval recifense, multifacetado, encanta. Também pudera. A programação é divina. Pelos polos descentralizados passarão mais de 200 atrações. São 46 estruturas montadas em diversos bairros da capital pernambucana com uma só finalidade. Alegrar e arrastar o folião, garante as 2,7 mil apresentações artísticas e populares. Programação traçada, visando empolgar os brincantes. Adulto e infantil.

Aliás, o lema do carnaval do Recife se derrete num só delírio de exaltação. Fazer o folião frevar, cantar, pular, sonhar, suar, empolgar-se. Demonstrar, enfim, felicidade durante os cinco dias do Rei Momo.

É como disse Vânia Campos. “E dos momentos mais simples eu faço uma festa, e da festa, meu bem, eu faço um eterno carnaval”. 

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