CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Cartaz em DVD, lançado em 2000

Essa crônica foi elaborada em parceria com o grande cinéfilo d.Matt., que me guiou e me orientou sobre a origem do enredo e sobretudo pela origem da música, e sua adaptação para o filme, que originalmente foi tirada de uma famosa ópera francesa, (Carmen de Bizet) e belamente adaptada para a cena americana, totalmente dentro dos usos, costumes e comportamentos da comunidade negra daquele país.

Dedicamo-la aos nobres colaboradores e comentaristas do Jornal da Besta Fubana, amigos, cumpades, cumades e irmãos do coração: Sancho Panza, Xico Bizerra, Maurício Assuero, José Paulo Cavalcanti, Adônis Oliveira, Magnovaldo Santos, Violante Pimentel (a dama das crônicas do JBF), Peninha e todos os demais que não foram mencionados aqui, mas que estão presentes de corpo e alma nessa confraria da alegria, sem esquecer o idealizador, o monumental Luiz Berto, o criador dessa obra-prima que é o JBF.

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“Diz a sinopse do filme CARMEN JONES (1954), o extraordinário musical operístico: Impulsionado pela poderosa obra musical de George Bizet e as magníficas letras de Oscar Hammerstein II, esta versão americanizada da clássica ópera Carmen de Bizet é ‘um show dinâmico e soberbo’ com uma incandescente Carmen no auge de sua exuberância musical.”

Dorothy Dandridge, indicada ao Oscar de melhor atriz, estrela do papel principal, uma ardente e sexy criatura que cativa Joe, (Harry Belafonte), um soldado atraente, que está longe de sua amada (Olga Jemes).

Após uma briga fatal com seu sargento, Joe deserta (abandona) seu regimento com sua excitante “femme fatale.”

Porém, logo Carmen se cansa dele e se une a um lutador peso pesado (Joe Adams), disparando a trágica vingança de Joe. Ajudando a colocar fogo na tela estão Pearl Bailey e Diahann Carroll, parte do “sensacional” elenco que torna esse maravilhoso musical “difícil de ser batido” (como bem resumiu o Los Angeles Times) na época do lançamento do filme.

Carmen Jones é uma ópera francesa, adaptada e traduzida musicalmente para as terras americanas, com talento e muita criatividade por gente talentosa que conhece o que faz e o faz com muita competência, catilogência, muito talento e muito amor à arte cinematográfica.

O que veio depois desse clássico musical (se é que veio alguma coisa do gênero), foram chanchadas salobras sem qualquer originalidade e não nos vem à memória nada que possa ser citado como produção de qualidade, mesmo a propalada ressurreição do gênero pelo pretensioso musical “LA LA LAND”, que a nosso ver foi um grande fiasco, como já era esperado pelos amantes dos musicais de qualidade e pela crítica de filmes desse naipe.

Esse breve introito serve apenas para lembrar aos possíveis leitores que no passado do cinema, no ano de 1954, foi levado à telona uma obra-prima do gênero musical, uma grande ópera, traduzida e regiamente adaptada pelos experts hollywoodianos, no que resultou em uma das maiores obras do gênero musical de todos os tempos.

Referimo-nos à famosa e muito popular ópera CARMEN DE BIZET. Hoje em dia chamar uma ópera de popular é quase uma falácia, mas creiamos mesmo que a ópera Carmen sempre foi a mais encenada, principalmente nos países latinos ou europeus de língua de origem latina.

Os produtores entregaram ao muito competente diretor Otto Preminger, outrora à frente da direção de Laura (1944), Anatomia de Um Crime (1959), Exodus (1960), O Homem do Braço de Outro (1955), a direção do filme e o resultado ficou acima de todas as expectativas. O diretor, com muita criatividade, exigiu um elenco totalmente de atores negros, pois nem mesmo nas cenas externas de rua das cidades em que foram filmadas, encontra-se uma única pessoa de cor branca. É um mundo black em todos os sentidos, e esse mundo é explorado com precisão em todas as cenas, com o comportamento dos personagens, suas reações, suas falas características, com sotaques “nigger”.

As árias, belamente adaptadas, são cantadas também com sotaques dos “niggers”, como por exemplo, quando Carmen na primeira ária, a famosa “Habanera”, ela canta num inglês crioulo, com gesticulação, sotaque e palavras adaptadas para o regionalismo criado. A ária “Habenera” da ópera é então cantada como “DAT’S LOVE’, exibindo um regionalismo local muito enraizado. Isso acontece em todo o filme, porém com grande qualidade, cujo resultado é acima do esperado.

A atriz principal, Dorothy Dandrige, é um achado, ninguém melhor do que ela seria capaz de interpretar esse papel com tanta criatividade, beleza, sensualidade e um carisma impressionante. Ficou famosa mundialmente e depois desse estrondoso sucesso viajou pelo mundo, se exibindo como cantora, inclusive algumas vezes no Brasil para a exibição de sua arte. Ela foi a primeira atriz negra a ser candidata ao prêmio Oscar como atriz principal.

Acontece que no filme quem dubla a cantora Marilyn Hornen, que a dubla em todas as canções, isto porque a atriz Dorothy Dandrige tem uma voz muito pequena e não poderia dar conta do recado completamente.

O elenco é de astros de grande qualidade, principiando com o trabalho notável do cantor Harry Belafonte que se sai muitíssimo bem em todas as cenas dramáticas exigidas pelo papel.

Uma das principais personagens é interpretada pela ótima cantora Pearl Bailey que usa sua própria voz em algumas oportunidades com excelente resultado.

O ator que faz o papel do boxeador famoso (na ópera, um toureiro), Leverne Hutcherson, tem a sua grande oportunidade ao interpretar a ária (toureador) que no filme foi adaptada com grande criatividade e bela interpretação dublada por um Baixo, e nos dá uma magnífica personificação de um pugilista famoso e interpreta magnificamente a famosa ária que foi intitulada “Stand up and fight”, é um dos pontos altos do filme.

O quinteto operístico também está presente, numa bela composição intitulada “Chicago Train”, muito bem cantada a cinco vozes com precisão notável.

Enfim, todas as fases da ópera foram adaptadas belamente com resultados acima do esperado e quando termina o filme, ficamos deslumbrados com tamanha criatividade artística.

Há que se citar também a presença e voz da cantora Diahann Carrol num papel secundário, mas com uma presença de tela bastante agradável.

CARMEN JONES é um filme musical operístico único. Uma bela obra de arte cinematográfica. Assisti-lo cinqüenta vezes, se necessário for, é um presente para o lado bom gosto do cérebro, que não se cansa de sentir o que é belo.

Carmen Jones (trailer)

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Carmen Jones (1955): “Beat Out dat Rhythm on a Drum” – Pearl Bailey – Full Song/ Dance – Musicals

6 pensou em “CARMEN JONES (1954) (UM MUSICAL OPERÍSTICO)

  1. Ah, Ciço,

    Quanto encanto e perigo nas “femmes fatales.” Mulheres com um “it” diferente, a arrastar com seu encanto, para onde desejarem, os sanchos, d matts e ciços deste mundão de meu Deus…

  2. Sancho, querido,

    São mulheres dessas, tipos Cármen Miranda, Cleópatra, Elizabeth Taylor, Demi Moore, Marilyn Moore, que tinham sexo nos poros e fizeram muitos homens endoidarem, embora como dizia Arnaldo Jabor à respeito de Sonia Braga: na tela era um furacão; na cama era mais fria do que a Cordilheira dos Antes.

    • A mais fogosa e esfuziante não está em sua lista, caríssimo. Chamava-se Ava Lavínia Gardner e quebrou lietralmente o Hotel Glória quando esteve no Rio de Janeiro

      • Ela não está na minha lista, querido, mas está na minha cabeça. Grande lembrança, Sancho!

        Prova disse é que foi criada uma repórter fictícia no jornal hebdomadário O PAPA-FIGO nos anos 70 inspirada nela, chamada de Eva Gina. Além de ser repórter ela era a atração fatal dos tarados do Jornal.

        Quando ela ia entrevistar qualquer político daqui do Recife e que nós sabíamos ser mais desconfiado do que cachorro quando cai de caminhão de mudança, a gente mandava ela de minissaia.

        Quando ela abria as pernas, sem calcinha, com a priquita cheia de cabelo parecendo um enxame de abelha, o político ficava doido e confessava qualquer esquema de roubalheira no erário. Denunciava até quem roubava a merenda da escola do Ibura! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. As damas da crônica do mestre Cícero, faria um salseiro e tanto lá no recanto da administradora Bago Mole.
    Muitos colunistas, boa bebida e muita, muita boa músicas.

    Maravilha!

  4. Sobre o texto escrito para esse maravilhoso filme, ninguém comenta.
    É o mesmo que jogar pérolas aos porcos.
    Não vou mais perder meu precioso tempo, tentando mostrar e
    fazer meus textos sobre grandes obras de arte, para àqueles que
    em lugar de caviar, preferem buchadas de bode, ou comer cocadas pretas à
    porta do comitério.

    Para mim chega.
    Fui.

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