JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Ecléa Frederico Bosi nasceu em São Paulo, SP em 14/10/1936. Psicóloga social, professora, escritora, tradutora e pioneira nos estudos sobre a memória social das classes trabalhadoras. Foi professora titular e emérita da Faculdade de Psicologia da USP, focada na área da psicologia social de fenômenos histórico-culturais.

Graduou-se no curso de Psicologia da USP em 1966 e obteve seu mestrado em 1970, dissertando sobre o tema “Leitura de imagem: um estudo de semiologia”. Em seguida obteve o doutoramento em psicologia social com a tese “Leituras de Operários: estudo de um grupo de trabalhadores em São Paulo”. Passou a lecionar na USP, onde tornou-se livre docente em 1982. Publicou seu primeiro livro – Cultura de massa e cultura popular: leituras de operárias –, pela Editora Vozes, em 1972. O livro recebeu menção honrosa do Pen Clube do Brasil.

Em 1961 casou-se com o prof. Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras e historiador de literatura brasileira. É mãe de Viviane Bosi, professora de teoria literária e José Alfredo Bosi, professor de economia, Manteve a carreira acadêmica numa militância pela causa dos idosos, resumida na sua frase: “O velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele”. Dedicou-se à uma área pouco estudada em termos acadêmicos, o que pode se confirmar através de seus livros: Memória e sociedade: lembranças de velhos, lançado pela Companhia das Letras, em 1994.

Trata-se do livro que escreveu com maior empenho e foi recompensada com sua inclusão numa lista do MEC de 100 obras distribuídas para milhares de bibliotecas escolares do País. Esta temática foi aprofundada resultando na edição de mais livros, como O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social, pela Ateliê Editorial, em 1998 e Velhos amigos, pela Companhia das Letras, em 2003. Em 1994, através de uma de suas iniciativas, a Universidade de São Paulo passou a acolher maiores de 60 anos em cursos regulares no programa Universidade Aberta à Terceira Idade, conhecido agora como USP 60+ funcionando nos campi da capital e do interior de São Paulo.

Foi homenageada na edição nº 1 (2008) da revista “Psicologia USP”, dedicada exclusivamente a ela e no ano seguinte recebeu o “Prêmio Ars Latina” pelo conjunto da obra. Em 2011 foi agraciada com o ”Prêmio Averroes”, dedicado a personalidades com trajetórias de pioneirismo e generosidade no compartilhamento de conhecimento em diversas áreas. No mesmo ano recebeu também o “Troféu Loba Romana”, da comunidade italiana no Brasil, em reconhecimento à sua contribuição cultural, destacando-se por sua herança e conexão com esta comunidade no Brasil. A premiação ocorreu numa cerimônia ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Além da militância na vida acadêmica, teve atuação destacada no movimento ecológico, participando da criação do Parque Ecológico Chico Mendes, na Vila Curuça em São Paulo. Criou também os EcoEncontros da USP, travou uma luta ferrenha através da imprensa contra a construção de Angra 3 e formulou os “10 mandamentos da Ecologia”. Faleceu em 10/7/2017 em plena atividade na coordenação do “Laboratório de Memória e História Oral Simone Weil”, uma unidade de pesquisa do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP (IPUSP).

O estilo literário de suas reflexões tem uma singularidade que além de expressar o vigor de sua prosa em tom suave, delicado, que ajuda a dotar as narrativas de uma particular dimensão literária. Relatos de pesquisa empírica e ensaios teóricos ganham muitas vezes corpo de bela prosa poética.

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