JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Clarice Ribeiro Chaves Herzog nasceu em 1941, em São Paulo, SP. Socióloga, pesquisadora, publicitária e professora. Ficou conhecida como esposa do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1975. Manteve uma luta ferrenha para elucidar as circunstâncias do crime e conseguiu responsabilizar o Estado Brasileiro pela morte do marido.

Graduou-se em Ciências Sociais pela USP-Universidade de São Paulo, na década de 1960. Conheceu Vladimir Herzog, então estudante de Filosofia, em 1962 e casaram-se em fevereiro de 1964. Mudaram-se para Londres, onde nasceram seus filhos: Ivo e André. Em 1968, em plena ditadura militar, retornaram ao Brasil e Vlado seguiu trabalhando como jornalista e cineasta. Ela seguiu numa carreira bem-sucedida com pesquisas na área da publicidade.

Em 24/10/1975 seu marido foi prestar depoimento no II Exército e nunca mais foi visto vivo. Ela foi a primeira a romper o silêncio declarando “Mataram o Vlado”. Ficou viúva aos 34 anos e a partir daí travou uma luta ferrenha contra a mentira forjada pelo Exército que Vlado havia cometido suicídio. O Fato comoveu a sociedade e tornou-se na maior mobilização popular contra a ditadura. A missa de 7º dia na Catedral da Sé, uma missa ecumênica, conduzida pelo arcebispo Dom Evaristo Arns, reuniu mais de 10 mil pessoas lotando a igreja e a Praça da Sé, protestando e velando a morte de Vlado.

Em 1978, Clarice junto com os filhos publicaram o livro Caso Herzog: a sentença, pela editora Salamandra, com prefácio de Raimundo Faoro, expondo a íntegra do processo movido contra o Estado. A partir daí, tornou-se uma pessoa pública e indignada, passando a buscar a verdade, não obstante sofrer ameaças da repreensão. Dizia que “Não quero virar esta página. Quero imprimi-la na História”. No mesmo ano conseguiu uma sentença histórica que condenou o Estado, obrigando-o a indenizar a família pela morte do marido. Tal indenização só veio ocorrer em fevereiro de 2025, quando Clarice conta com 83 anos, sofre do mal de Alzeihmer e talvez não possa comemorar, a contento, sua vitória numa luta de vida inteira.

Em 2009, o caso foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA-Organização dos Estados Americanos com apoio do CEJIL-Centro pela Justiça e Direito Internacional. Com isso, abriu um precedente importante para todas as famílias de mortos e desaparecidos políticos. Ainda em 2009, foi criado o Instituto Vladimir Herzog com o objetivo de preservar a memória do jornalista e promover ações que atraiam a atenção da sociedade aos problemas sociais e econômicos do Brasil com ênfase nas consequências do golpe. Em 2013, 38 anos depois do crime, ela conseguiu a retificação do atestado de óbito, não mais como suicida, mas como vítima da violência do Estado brasileiro.

Os anos de luta de Clarice contra a mentira do regime militar foram destacados por Eneá Stutz, presidente da Comissão de Anistia como “uma luz que ilumina os erros que o país tem cometido diante da sua própria história. Ao ser tão determinada, ela ajudou o Brasil, um país que se acostumou ao esquecimento e à impunidade”. Há 45 anos vem sendo outorgado anualmente o “Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos”, que presta homenagem a jornalistas, repórteres fotográficos e artistas do traço que, por meio de seus trabalhos, defendem a democracia, a paz, a justiça e os direitos humanos.

Em abril de 2025 foi anunciado o filme sobre a trajetória de Clarice na mesma linha do filme Ainda estou aqui, evidenciando o papel das mulheres como protagonistas na luta para reestabelecer a verdade, a justiça e manter viva a memória. “Assim como o filme sobre Eunice Paiva não é exatamente sobre Rubens Paiva, o filme sobre Vladimir Herzog será, na verdade, sobre Clarice. Essas mulheres foram as grandes agentes da luta por justiça nos dois casos”, diz o release. O filme, recontando a última semana de Herzog e sua repercussão, com direção de Susanna Lira e roteiro de Ana Durães e Débora Mamber, começa a ser filmado em 2025 e deverá estar pronto até 2027. No momento encontra-se em fase de captação de recursos e produção.

5 pensou em “AS BRASILEIRAS: Clarice Herzog

  1. Agora já estão chamando o regime militar de ditadura e os comunistas de heróis? Não se houve um “A” sobre o soldado Mario Kozel Filho quando covardemente os cumpanheros da VPR lançaram um carro bomba contra o quartel onde o soldado estava de guarda no portão. Não se falou um “A” acerca do sequestro do embaixador norte-americano. Não se falou um “A” sobre a execução sumária do tenente Alberto Mendes Junior pela canalhada da VPR. Pelo amor de Deus, fazer filminho de quinta categoria exaltando essa trupe não passa de idolatria a bandidos e ignorância da verdade dos fatos. ACORDA BRASIL! MINHA BANDEIRA JAMAIS SERÁ VERMELHA E NÃO SOU SIMPATIZANTE DESSES LIXOS COMUNISTAS QUE TENTARAM DAR UM GOLPE E NÃO CONSEGUIRAM E HOJE SEUS FAMILIARES FICAM GORDOS COM A BOLSA DITADURA. LIXO! Achou ruim? Vá comer abóbora.

    • Grato Dom José Paulo

      Seu comentário me alivia o sentimento de não poder responder o comentário de um tal de marv, aí em cima. Não respondo em respeito à educação mantida pela coluna nestes últimos 7 anos

      Há braços

    • Beleza, Miriam
      Grato pela visita ao nosso Memorial. Clarice é uma das poucas memoráveis ainda viva. Homenagem boa é quando se faz ainda em vida.

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