VOU NO POPULAR – “A LINGUA CERTA O POVO”

Personalidades de destaques no mundo profissional, político, artístico, etc., em muitas ocasiões, são “pegos de calças curtas”, por conta de declarações onde, muitas vezes estão erros ou impropérios verbais, dos mais simplórios aos mais absurdos.

O nosso poeta Manuel Bandeira, já predizia em brilhante colocação, que o bom de se ouvir era a “língua certa do povo”, que sabia transmitir o recado, a mensagem simples e direta.

Hoje temos uma infindável gama de palavras, digamos, diferentes. Termos técnicos, então, povoam os TCCs e redações das mais diversas áreas do conhecimento. Linguagens de profissionais de RH, Administração, publicidade, psicologia e, por aí vai.

Nas próprias escrituras sagradas existem várias passagens se reportando a língua. Destaco: “Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes? Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Salmos 34:12-13”.

Mas, retornemos ao tema da linguagem do povo. Nada de adentrar nos meandros e filigranas da língua culta. Regras de concordância? Pontuação? Figura de linguagem? Pode ser.

No entanto, sem se aventurar pelas metáforas, hipérboles, metonímia, Nada disso. Deixemos esse manjar para ser posto e saboreado por nossos cultos escribas daqui dessa gazeta, pra lá de escrota.

Garimpei na própria internet, alguns exemplos da diferença entre o uso de palavras pseudo cultas e o popular. Mesmo contendo o implícito intuito da galhofa, notamos, prima facie, que o coloquial é simples, direto e objetivo. Como diria o poeta, uma língua gostosa.

E funciona melhor que um anúncio, um ofício, uma circular, um édito, um boletim…

• “Prosopopéia flácida para acalentar bovinos” (Conversa mole pra boi dormir);

• “Romper a fisionomia” (Quebrar a cara);

• “Creditar o primata” (Pagar o mico);

• “Dar carga à bolsa escrotal” (Encher o saco);

• “Impulsionar bruscamente a extremidade do membro inferior contra a região glútea de alguém” (Dar um pé da bunda);

• “Derrubar com a extremidade do membro inferior o suporte central de uma das unidades de acampamento” (Chutar o pau da barraca);

• “Deglutir o batráquio” (Engolir o sapo);

• “Derrubar com mortais intenções” (Cair matando)

• “Aplicar a contravenção do Sr. João, deficiente físico de um dos membros superiores” (Dar uma de João sem braço);

• “Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira” (Nem a pau);

• “Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais” (Nem que vaca tussa)

• “Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente” (Chutar o balde);

• “Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica” (Tirar o cavalinho da chuva);

• “Alongar as tíbias” (Esticar as canelas);

• “A ruminante bovina deslocou-se para terreno sáfaro e alagadiço” (A vaca foi pro brejo)

• “Colóquio soporífero para gado bovino repousar” (História pra boi dormir);

• “Sugiro veementemente a Vossa Excelentíssima que procure receber contribuições inusitadas na cavidade retal” (Vai tomar no…)

Não se pretende aqui, instigar ou fomentar o assassinato ou desprezo pelo idioma pátrio. Longe disso. O estudo e preservação da nossa riquíssima língua portuguesa é imprescindível para qualquer povo ou nação que à possua. É inerente para os nossos eruditos léxicos e filólogos, abraçar, sorver e mergulhar no infinito estudo da nossa língua.

Trouxe aqui, uma mostra sem figuras de linguagem, estilo ou retórica do dito popular. Sem estratégias de se aplicar ao texto pretenso efeito na interpretação do ouvinte (ou leitor). A popular, língua do povo.

Sem problematização (vixe maria).

3 pensou em “VOU NO POPULAR – “A LINGUA CERTA O POVO”

  1. Marcos, o bom uso do linguajar simples e direto também facilita a compreensão de idiomas estrangeiros. Veja estes exemplos:

    I’m with you and I don’t open.
    (Estou contigo e não abro)

    I will wash my female horse.
    (Vou lavar a égua)

    He is good people for donkey.
    (Ele é gente boa pra burro)

    Do not come that it does not have.
    (Não vem que não tem)

    She is full of nine o’clock.
    (Ela é cheia de nove horas)

  2. Excelente, mestre Bertoluci.

    Obrigado por enriquecer a coluna com seus conhecimentos.

    Isso é que é comentário e, não, pitacos!!!

    E pensar que existem pessoas que nem mesmo(ou só) desenhando, consegue entender algo.

    Se em uma língua já se encontra alguma complicação na passagem do recado, ai, vem você, e dá um show de transmissão de mensagem, usando e abusando, com maestria, do conhecimento vernacular de duas línguas. Sendo, uma delas, a mais difundida do mundo. A língua de Shakespeare.

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