ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Uma das obras que mais marcaram a minha adolescência foi um singelo e despretensioso filme de ficção científica estrelado por Charlton Heston. O nome do filme era “O Planeta dos Macacos”. Era uma distopia situada em um futuro indefinido. Uma nave espacial teria saído da terra em busca de novos mundos a serem povoados por nós humanos. Depois de alguns meses viajando a uma velocidade próxima à da luz, a nave se vê forçada a aterrissar em um planeta bem parecido com a terra.

Ao desembarcar, os tripulantes se deparam com uma situação interessantíssima. As espécies dominantes, e as mais inteligentes, eram diversos tipos de símios que, por apresentarem características diferentes, assumiam diferentes papeis na sociedade que organizaram. Os poucos humanos com que se depararam eram pobres criaturas totalmente embrutecidas e que nem falar sabiam. Eram tratados como animais de estimação, ou então escravizados pelos macacos. Como de se esperar, estabeleceu-se de imediato uma disputa entre as espécies. Os humanos, liderados pelos forasteiros altamente desenvolvidos e articulados, e seus novos senhores símios.

Ao final, e depois de muitas marchas e contramarchas, tudo o que o nosso herói deseja é encontrar um local onde possa se afastar de toda aquela beligerância e viver em paz com sua companheira recém adquirida.

Ocorre apenas que as coisas nunca são assim tão fáceis e, ao final, quando este se afastavam cavalgando lentamente pela praia, eis que se defrontam com uma Estátua da Liberdade parcialmente destruída e semienterrada na areia. Poderia até pensar se tratar de mais uma filial das lojas da Havan. Só que não era! Na realidade, era a Estátua da Liberdade original. É quando nosso herói se dá conta de que aquele planeta é a nossa boa e velha terra, só que após a destruição total da nossa civilização, muito provavelmente por uma guerra nuclear. Fato este que abriu a possibilidade da ascenção dos símios ao topo da escala evolucional.

O que teria ocorrido é que, por se encontrarem em velocidade próxima à da luz, o tempo teria passado bem mais lento para os tripulantes da nave. Achavam ter transcorrido meses, mas, enquanto isso, haveriam transcorrido séculos aqui na terra. Tudo de acordo com a Teoria da Relatividade.

O filme é de 1968. Hoje, transcorrido quase meio século, fica fácil ver que, se não fomos regredidos ao estágio de bestas feras por uma guerra nuclear (ainda). Estamos sofrendo, porém, no Brasil, o mesmo processo, e de forma acelerada, simplesmente através do Gramscismo e da aplicação intensiva do método Paulo Freire. A estupidificação que está sendo implantada nas nossas novas gerações é algo absolutamente palpável. Os sintomas de que estamos convivendo com gerações de débeis mentais saltam à vista. Senão, vejamos:

• O universo vocabular dos mais jovens é de uma pobreza franciscana. Estudos ao longo dos anos acompanharam uma gradual redução, saindo de 8.000 palavras, para algo inferior a 800 atualmente. O linguajar é um pobre babujar tatibitate, semelhante a uma criança aprendendo a falar, e com uma dificuldade imensa para expressar qualquer ideia, por mais simples que seja. O uso constante de chavões e de estereótipos é considerado sinal de pertencimento (inclusão social?).

• O domínio da língua escrita é uma raridade. Até em locais onde se imaginaria haver um maior rigor, como placas de sinalização de rodovias, apresentam-se crases malucas utilizadas ao Deus dará, ou outras aberrações. Os meios de comunicação de massa apresentam erros grosseiros e toscos no uso da nossa língua.

• O tipo de música apreciada pelas hordas ululantes de proto-humanos do país é qualquer coisa digna de uma escola para retardados mentais. É difícil distinguir uma da outra. São todas em tons monocórdios e cantadas invariavelmente de forma lamurienta, choramingando as agruras de insucessos no amor.

• Esta mesma música se tornou onipresente. É tocada em todos os locais possíveis e imagináveis, sempre no volume mais alto possível. Parece que o objetivo é impedir totalmente qualquer possibilidade de conversa, raciocínio ou de introspecção.

• Os jovens (alguns já não tão jovens) com um visual padronizado e parecendo saído de um filme de terror ou de uma distopia social. Montanhas de sinais e símbolos de total desajuste social como abundantes tatuagens, representando nada com coisa nenhuma, brincos e piercings em todos os locais possíveis e imagináveis, cabelos com características de indefinição sexual, e por aí vai.

Não é à toa que órgãos internacionais dedicados à análise comparativa dos países têm apresentado consistentes sinais desta nossa derrocada intelectual, prenúncio decisivo da derrocada moral e social concomitante pela qual estamos passando.

Fico sempre me perguntando porque será que os países desenvolvidos concentram tanta atenção em pressionar o nosso país na direção de uma catástrofe socialista totalitária. Qual o interesse deles?

1. Seria o fato de sermos detentores de abundantes riquezas naturais que escasseiam de forma alarmante nos seus respectivos territórios, e esta “Nova Ordem” nos abriria a uma maior exploração por eles?

2. O fato de representarmos metade da América do Sul e, por isso mesmo, representarmos uma liderança natural em toda a região? Porque para onde o Brasil se inclinar, o resto da América Latina seguirá?

3. Por termos nossa população composta majoritariamente por multidões de analfabetos funcionais, quando não são analfabetos de todo, juntamente com uma cultura bacharelesca e altamente apreciadora da verbosidade vazia e da pompa dos títulos e comendas, aliadas a uma brutal tendência a trair os interesses nacionais para obter ganhos pessoais? Por sermos assim, fáceis, portanto, de sermos manipulados?

4. Ou o fato de termos sofrido, ao longo de todo o século XX, sucessivas tentativas de insurreição comunista, o que teria nos preparado gradualmente para a “Grande Revolução” que está por vir, e que os colocaria no poder de forma definitiva?

5. Ou será o fato de termos sido dominados por uma esquerda voraz por 15 anos que, ao ser destronada, está ávida para retomar o poder?

Não sei! Talvez nenhum desses, ou mesmo todos eles, e até mais alguns que desconhecemos. O fato é que estamos em uma situação limite. Estamos no ponto de inflexão da curva! Esta é a hora da definição.

Nosso Presidente Bolsonaro representa hoje, para o Brasil, o mesmo que representou aquele garoto holandês que colocou o dedo no furo do dique e evitou uma catástrofe. Rezo para que Deus o ilumine e guarde!

9 pensou em “VIVENDO NO PLANETA DOS MACACOS

  1. Em primeiro lugar eu gostaria de dizer: “como é bom deparar com uma coluna do nosso Mestre Adônis no JBF logo no domingo pela manhã, ela nos faz pensar”.

    O filme “Planeta dos Macacos” marcou época em 1968. Suas continuações não estavam no mesmo nível. Neste mesmo ano também teve o lançamento da maior obra prima da ficção científica de todos os tempos “2001, uma odisseia no espaço”, do Stanley Kubrick que também fala sobre evolução humana, o existencialismo, a tecnologia, a inteligência artificial e a vida extraterrestre. Caro Adônis, nos brinde também com um comentário sobre este filme.

    Sobre o tema da coluna, realmente há uma tendência de involução humana. Não é natural, é forçada pelo Sistema Globalista, que tem interesse nisso. Quem se contrapõe a esta determinação é eliminado, ou como se diz hoje, cancelado.

    Há apenas uma corrente, hoje representada pelo Bolsonaro, que luta contra o Sistema; os conservadores. Goiano, que Deus o tenha com saúde, aqui neste espaço dizia que os conservadores queriam conservar tudo como era antigamente, retrocedendo a evolução humana. Nada mais errado. O que os conservadores mais lutam é pelo aprimoramento da humanidade baseado nos princípios da liberdade individual, do respeito à vida, das crenças individuais, da livre determinação dos povos (Pátria) pela cultura, da propriedade individual e intelectual como bens inalienáveis e do direito de defender-se da tentativa de tirar este pilares do cidadão.

    Estamos sob ataque feroz do Sistema, realmente é um ponto de inflexão. Da frase do Adônis: “Nosso Presidente Bolsonaro representa hoje, para o Brasil, o mesmo que representou aquele garoto holandês que colocou o dedo no furo do dique e evitou uma catástrofe. Rezo para que Deus o ilumine e guarde!”; discordo num aspecto tire o Brasil da frase e no lugar dele, coloque: “Mundo”. É o que eu entendo que Bolsonaro representa hoje para a continuidade da nossa evolução como humanos.

    Obrigado Adônis por me proporcionar o início do Domingo com estas reflexões e faça uma análise do “2001”.

    Bom Domingo a todos.

  2. Prezado João,
    Muito obrigado pela suas gentis palavras.
    Vou rever o filme que recomendas. Faz tanto tempo que o vi que não me lembro direito dos detalhes. De qualquer maneira, concordo inteiramente contigo: É outro dos filmes mais marcantes a que assisti.
    Junto com BLADE RUNNER (que já comentei em outra coluna), formam a trilogia dos meus melhores filmes.

  3. Sensacional a reflexão a partir de “O planeta dos macacos”, Adonis!
    Filme que marcou minha adolescência, porque, tendo nascido em 1966, assisti à película já pela TV, no final dos anos 1970. A cena final é inesquecível!
    Já que falaste em trilogia, podemos apontar uma de filmes nesse tema, só com o Charlton Heston: “O planeta dos macacos”, “No mundo do 2020” e “A última esperança da Terra”, este último disponível no YouTube: https://youtu.be/pUjrEe8iG5w
    Quanto à perda de qualidade em nossas produções artísticas, ela é mesmo preocupante, em todos os aspectos da arte. Na música isso se torna mais fácil de perceber, porque os pancadões, as sofrências e as apologias à bebedeira realmente gritam aos nossos ouvidos.
    Penso que se trata mesmo de um aspecto da nossa decadência cultural.
    Apenas discordo do último parágrafo, porque acho que superdimensiona o papel do presidente nessa história toda. Penso que as batalhas travadas hoje no campo da cultura e da informação estão muito além do poder instituído. E questiono mesmo se Bolsonaro tem capacidade de compreender tudo isso.
    Penso que pessoas como você, Adonis, que refletem sobre o que está acontecendo, e expõem suas reflexões, são mais importantes no momento atual.
    Parabéns pelo texto!

    • Prezado Marcos,
      É uma honra receber seus comentários.
      Realmente, parece que eu exagerei um tanto quanto sobre o papel do nosso presidente!
      Realmente, fazer o “resgate” da nossa cultura (Oh analogia mais idiota – só que neste caso se aplica mesmo, pois nossa cultura foi realmente sequestrada), será um trabalho hercúleo. Impossível debitar esse missão a uma só pessoa.
      Neste trabalho, nós que formamos o JBF temos realmente um papel importante.
      Grande abraço.

  4. Meu caro Adônis. A verdade é que vivemos num mundo maravilhoso e horrível. O horrível a gente debita na conta de um tal “cerumano” que nele habita. Dizem até, que o tal “cerumano é provido de inteligência, mas possui defeitos irreparáveis, como inveja, ganância, sede de poder insaciável, entre outros tantos. Vejamos o exemplo daquilo que consumimos: frango, o nosso famoso 365, cheio de hormônio para crescer rápido. O ovo, por tabela, deve sofrer o mesmo processo; o leite para durar mais, vem temperado com soda caustica; o pão nosso de cada dia agora é feito com produto transgênico porque é mais barato e suspeito; ainda bem que tem o peixe, saudável, só que não. Por conta do que se joga nas aguas dos rios e mares, o peixe já está vindo carimbado: “contém urina preta, consuma por sua conta e risco”. Bom para os veganos, ou não, já que consomem legumes e verduras topadas de agrotóxicos e frutas amadurecidas, na marra, à base de carbureto, um conhecido cancerígeno. Ainda bem que o tal “cerumano” é solidário no câncer, né não? E aí, num panorama assim, que poderia nos salvar? Talvez, os cocos do Sancho ou a galinha caipira da vozinha do Seu Zé Ramos. “What a Wonderful World(L.Armstrong)

    • Talvez, os cocos do Sancho ou a galinha caipira da vozinha do Seu Zé Ramos

      MISERICRUZINCREDU, BENI!!!! (…)frango, o nosso famoso 365, cheio de hormônio para crescer rápido. O ovo, por tabela, deve sofrer o mesmo processo; o leite para durar mais, vem temperado com soda caustica; o pão nosso de cada dia agora é feito com produto transgênico porque é mais barato e suspeito; ainda bem que tem o peixe, saudável, só que não. Por conta do que se joga nas aguas dos rios e mares, o peixe já está vindo carimbado: “contém urina preta, consuma por sua conta e risco”. Bom para os veganos, ou não, já que consomem legumes e verduras topadas de agrotóxicos e frutas amadurecidas, na marra, à base de carbureto, um conhecido cancerígeno.

      Os cocos verdes sanchianos, a maestria dos textos adonianos, os inteligentes comentários de Beni e as galinhas caipiras da roça do Zé? Esses, eu “agarantxo”!

      • kkkkk, até sua água de coco, meu caro Sancho! Será que não tem veneno também? kkkk

        Veja bem, com aquilo que consumimos cheio disso e daquilo; o tal “cerumanu” está durando mais. Há 50 anos vivíamos até os 60 anos no máximo. Hoje passar dos 80 já é moleza.

        Eu amo a “mudernidade” junto com tudo de maravilhoso e horrível que vem junto dela. Olha que me considero um conservador.

        Abraço, caros Beni e Sancho.

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