CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Um dos maiores desejos do cidadão é botar o pé na estrada, dar umas voltinhas por lugares diferentes, viajar a passeio, livre de compromissos. Pegar o carro, trem, navio ou avião e sair por aí sozinho ou acompanhado para curtir um lazer joinha. Na medida. Tanto no lado social, quanto no aspecto financeiro e pessoal.

Opções é o que não faltam neste país. Tem para todos os gostos e condições financeiras. Cenários deslumbrantes, culinária deliciosa, cultura e costumes diversificados, trilhas, clima quente de sol direto ou de temperatura fria pra quem gosta de se agasalhar. Afinal, parques, pousadas, resorts e hotéis nas mais diferentes categorias, estão prontinhos, só esperando ocupação. Basta escolher o destino, cair em campo e sair por aí. À vontade.

O prazer de viajar é preenchido por uma séria de satisfações. Gozar a liberdade, desgrudar-se da rotina, chutar os compromissos pro baú, escapar dos problemas, livrar-se das responsabilidades do trabalho e das compras semanais no supermercado. Nas viagens, basta sentar à mesa, traçar o roteiro, escolher o cardápio, engolir a comida, pagar a conta e tamos conversado. O resto é só descanso pra novas investidas no lazer.

Além disso, viajar enriquece conhecimentos, amplia relacionamentos, favorece a experiência, renova as energias. É prazeroso visitar pontos turísticos, somar experiências, rejuvenescer o coração, aliviar o estresse, somar felicidade, valorizar o bem-estar. As viagens preparam o viajante para enfrentar novas jornadas, especialmente no trabalho. Finalmente, na volta, o turista chega tranquilim, tranquilim. Renovado, super feliz. Novamente em forma para enfrentar outra jornada.

Como os destinos internacionais estão em baixa por causa da pandemia, cola pensar num turismo doméstico. Mais fácil de ser realizado, preferencialmente em locais de praia e de sol. Afinal, o verão começa fervendo e o fim do ano se aproxima.

Então, quem não quiser curtir o estrangeiro, vale dar umas voltinhas pelo Brasil. País extenso territorialmente e rico de lindas paisagens, belezas naturais e formidável biodiversidade de flora e fauna. Infindáveis atrações, na porta de casa.

Segundo a crença popular, o Brasil tem formidáveis destinos turísticos, pra ninguém botar defeito. Fora os tradicionais e famosos roteiros que atraem turistas do mundo inteiro, como Copacabana, Ipanema e Corcovado, vale dar uma esticadinha por lugares diferentes, poucos conhecidos. Mas aconchegante de verdade.

Foz do Iguaçu tem de estar no roteiro de viagem. As quedas d’água das Cataratas, deslumbram. O marco das três fronteiras, Brasil, Argentina e Paraguai, cativam.

Nas aventuras selvagens, de ecoturismo ou no plano de animais exóticos e de lindas aves em seu habitat natural, o Pantanal, das terras alagadas, é o bicho. Tá à disposição, seja em Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul, o encanto é o mesmo. Tanto faz andar a pé, a cavalo ou de barco. Fugindo das piranhas, os dourados e os pacus esperam o viajante para aquela curtição.

Quem quiser lances diferentes de ecoturismo, a cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, tem um sonhado perfeito. A natureza em seu esplendor, a fauna, a flora, os rios cristalinos, as cachoeiras, as cavernas são o máximo. A Gruta do Lago Azul, de Bonito, com 90 metros de profundidade, é a caverna das fortes emoções.

Logo ali pertinho, o visitante topa com o Jalapão, no estado de Tocantins. Uma maravilha ao natural. Terra de cerrado, dunas, cânions, cachoeiras, fervedouros e morro avermelhado. A cor dos arenitos, avermelha o paraíso das trilhas.

Nas vizinhanças, fica a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que oferece um conjunto de formações rochosas, esculpidas pelo vento, com um visual semelhante às crateras lunares. Nesse ambiente, o visitante dispõe de grutas, fendas, cachoeiras e piscinas naturais de águas cristalinas e fascinantes.

Do cerrado, vale dar uma esticada até a Rota das Emoções, no Nordeste. No Maranhão, os Lençóes Maranhenses fascinam pelo contraste. Paisagem desértica, com lagoas sazonais de água da chuva, rodeadas por dunas de areia branca.

Depois do rio Nilo, na África, e Mekong, no Vietnã, o Delta do Parnaíba, no Piauí, é o único das Américas que deságua em mar aberto. No Brasil, o despejo do Rio Parnaíba é no oceano Atlântico, através de cinco saídas, que formam um belo santuário ecológico, enriquecido por manguezais, igarapés e variada biodiversidade. A Revoada dos Guarás é inesquecível.

Integrando a Rota da Emoções, o Ceará oferece Jericoacoara, terra de sol permanente e deliciosas praias. Razão de Jeri tornar-se num badaladíssimo vilarejo do Nordeste. A paixonite por Jeri começa pelo divertido passeio de buggy pelas dunas ou em aventuras na tirolesa, no tobogã e no kitesurf.

Descendo um pouquinho, o turista esbarra na cidade de Ipojuca, Pernambuco. Nessa cidade, o viajante encontra praias paradisíacas. Tem a de Muro Alto, Cupe, Maracaípe e a soberana praia de Porto de Galinhas.

Num pulo, descortina-se a beleza do Caribe brasileiro em plena cidade de Maragogi, no estado de Alagoas. O cenário também é vibrante com arrecifes de corais, flora e fauna exuberantes para bater forte nas emoções do visitante.

Ao lado, desponta Sergipe prontinho para encantar o viajante que escolher passar pelo município de Canindé do São Francisco, distante somente 186 quilômetros de Aracaju, capital sergipana. Ali, nas margens do rio São Francisco, o forasteiro pode deslumbrar-se com enormes cânions.

Porto Seguro é a estância turística costeira da Bahia. A água é cristalina, o lugar, inesquecível. Aliás, Porto Seguro tem o monumento do Marco do Descobrimento do Brasil, colocado em 1503, durante a expedição de Duarte Coelho.

No entanto, convém esticar as pernas até a Chapada Diamantina no abençoado estado da Bahia. Região de serras, a Chapada Diamantina tem lindos cenários para se curtir. Além de estar rodeada por uma cadeia de serras, o pico de Barbados tem 2033 metros de altura, o visitante encontra 24 cidadezinhas banhadas pelas borbulhantes águas de belas cachoeiras.

Uma dessas cidades serranas é chamada simplesmente de Lençóis. No passado, Lençóis reinou absoluta na extração de diamantes. Nas suas ruas, existem muitos prédios do século XIX. Lençóis contorna o vasto Parque Nacional da Chapada Diamantina que oferece bela área montanhosa, lindas florestas, quedas de água e grutas para o deleite turístico.

Completado o roteiro, sobram apenas saudades e aquele gostinho de quero mais. Plano de fazer novos giros pelos belos cenários espalhados por este Brasilzão maravilhoso.

6 pensou em “VIAJAR

  1. Por ter percorrido as estradas de quase todos os recantos do Brasil, afirmo, sem medo de errar, que o melhor lugar em que coloquei meus pés é o “cudomundo”, ou seja, o distrito onde nasci, minha querida Desengano…

    Tem explicação:
    E para todos comprenderem, recorro a Pessoa através de Alberto Caeiro:

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

    O Tejo tem grandes navios

    E navega nele ainda,

    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha

    E o Tejo entra no mar em Portugal.

    Toda a gente sabe isso.

    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

    E para onde ele vai

    E donde ele vem.

    E por isso, porque pertence a menos gente,

    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

    Para além do Tejo há a América

    E a fortuna daqueles que a encontram.

    Ninguém nunca pensou no que há para além

    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

    7-3-1914
    “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). – 46.
    “O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925.

  2. Caro Sancho Pança vc é maravilhoso. Presentear-nos com estas sublimes Notas não tem preço que pague. Maravilha, beleza, genialidade. Magnífico de poema de Alberto Caeiro, sob a coordenação de Fernando Pessoa em o Guardador de Rebanhos. Fantástico. .Parabéns. .

  3. Caríssimo Carlos,

    Também vou lhe presentear com uma frase do gênio de Machado de Assis: VIVER É VIAJAR!

    Belíssimo artigo, mestre! Que venham mais!

  4. Caro Cícero, tb sou fã do mestre Machado de Assis e esta frase “Viver é Viajar” diz tudo. Aliás, confesso que sempre viajo, e viajo bem, lendo suas belíssimas crônicas. Cada uma melhor do que a outra. Obrigado pela atenção.

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