RODRIGO CONSTANTINO

Meu vizinho vende insumos básicos para mim, e eu vendo alimentos que produzo de forma competitiva para ele. Mas ele é um brutamontes criminoso, com ampla passagem pela polícia. Finjo não saber disso, pois afinal somos vizinhos e temos interesses comerciais. Não preciso ser a polícia do mundo. Tampouco preciso falar bem dele pela vizinhança. Ocorre que o marginal resolveu fazer chantagem: se eu fizer uma só crítica pública a ele, meus insumos serão suspensos.

Diante dessa abjeta ameaça, típica de um cafajeste da pior espécie, quem deveria ser o alvo das mais duras críticas, ainda mais por quem tem algum senso de justiça e apreço pelas liberdades? Mas muita gente preferiu me condenar por ter questionado a origem da sujeira na calçada. Ficaram revoltados… comigo! Acham que devo pagar o resgate desse sequestro sem qualquer tipo de reclamação, ignorando que nosso comércio é via de mão-dupla, já que ele compra os alimentos de sua família de mim.

A Folha deu a seguinte manchete nesta sexta: “Produção de vacina está totalmente parada e ritmo da imunização pode diminuir, diz governo de SP”. O subtítulo dizia: “Insumos para Coronavac estão parados na China em meio a crise diplomática após frases de Bolsonaro”. Causa espanto ver tanto jornalista e “liberal” usando a ocasião para desferir novos ataques contra o presidente, poupando a ditadura chinesa.

Um regime opressor faz chantagem aberta com vacinas, ou seja, com vidas humanas, mas essa gente resolve demonizar nosso presidente e aliviar a barra do regime ditatorial? Essa turma precisa rever imediatamente seus valores. Mas sabemos que a China tem muitos assessores de imprensa e lobistas no Brasil. São os mesmos que se recusam a admitir que o maior culpado pela pandemia é justamente o regime que perseguiu médicos e jornalistas quando a coisa começou em Wuhan.

Algum grau de pragmatismo diplomático é essencial, sem dúvida. Não dá para querer fazer justiça contra todos os bandidos do mundo de uma vez. Mas seria aconselhável que nossos jornalistas e “liberais” ao menos tivessem a coragem de apontar para condutas inaceitáveis de uma ditadura. O embaixador chinês no Brasil já tentou intimidar deputado federal, e o então presidente da Câmara tomou o partido da ditadura. Ele já enviou cartas aos nossos deputados “recomendando” não reconhecer as eleições em Taiwan, e ficou por isso mesmo.

Se dependesse desses jornalistas e “liberais”, o Brasil virava logo uma província chinesa, e o jornalismo desapareceria de vez, como as liberdades. Pragmatismo sim, subserviência e vassalagem não! Por fim, vale notar que apesar de toda a narrativa e ameaças, o Brasil bateu recordes de exportação para a China este ano. Foram quase US$ 30 bilhões até agora, o maior volume na década. Menos histeria e covardia, portanto…

4 pensou em “VASSALOS DA CHINA

  1. Eu falo sempre aqui, se o Brasil suspender as exportações de alimentos para a China por 1 mês apenas, eles vão passar fome e a população com fome derruba o regime. Então eles podem até mostrar os dentes, mas morder, eles não ousariam.

  2. Primeiro: Só nos compram porque temos preço. Segundo : Aceitar agressão à Pátria é coisa de arrombados, já que venderam seu r*no. Agora, serem vendidos fdp, é uma opção. Como neste pasquim não encontrarão a receita, aconselho procurarem os petralhas, certamente têm a vaselina adequada.

  3. Ofensiva midiática da China avança em várias frentes
    Pequim fortalece sua própria TV e obtém influência sobre órgãos de imprensa internacionais com viagens grátis para jornalistas e encartes pagos em jornais. Repórteres Sem Fronteiras vê ameaça às democracias.
    A China vem tentando estabelecer uma nova ordem mundial da mídia, na qual os jornalistas se tornam meros “auxiliares da propaganda estatal”, denunciou a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em relatório divulgado nesta segunda-feira (25/03). O documento destaca como a expansão internacional da abordagem midiática chinesa constitui uma ameaça direta à liberdade de imprensa e às democracias em todo o mundo, incluindo a exportação de modelos de censura para Estados ditatoriais a campanhas de intimidação de dissidentes.

    “Pequim está esbanjando verbas para modernizar sua emissão de TV internacional, investindo em canais de comunicação estrangeiros, comprando enormes quantidades de publicidade na mídia internacional e convidando jornalistas de todo o mundo a viagens para a China com todas as despesas pagas”, aponta a RSF.

    “Essa expansão, cuja escala ainda é difícil de avaliar, representa uma ameaça direta não só à mídia, mas também às democracias”, acrescenta, classificando o presidente Xi Jinping de “inimigo da democracia, dos valores universais, dos direitos humanos e da liberdade de imprensa”. Além disso, jornalistas estão se transformando em instrumentos do Partido Comunista chinês para “transmitir propaganda partidária”, cujos tarefas se centram em “se alinharem com a liderança do partido em pensamento, política e ação”.
    Continua em : https://www.dw.com/pt-br/ofensiva-midi%C3%A1tica-da-china-avan%C3%A7a-em-v%C3%A1rias-frentes/a-48086188

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