RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Decidi que também é preciso alegrar o cotidiano e falar de coisas puras e boas. É óbvio que continuarei a falar de política e a baixar o porrete nestes crápulas. Mas vou me permitir falar de coisas boas: crianças, sonhos, escoteiros. Coisas que me fazem muito bem e trazem de volta minha infância e juventude.

Fui escoteiro, ou melhor sou escoteiro, pois como se diz ‘Uma Vez Escoteiro, Sempre Escoteiro’. Passei alguns dos melhores momentos de minha juventude no Movimento Escoteiro, ali forjei grandes e indeléveis amizades. Boa parte de meus amigos do peito vem desta época. Acampei, viajei, fiz muita festa, namorei bandeirantes (ah!! As Bandeirantes) e aprendi lições para toda a vida.

Depois de maduro, meu filho me pediu para ser escoteiro, aguardava seu pedido, pois ele conhece e convive com os escoteiros desde o berço, mas tinha de ter seu momento. Quando tinha 9 anos me falou que ia abrir um Grupo Escoteiro em sua Escola e ele queria participar. Fomos dois, pois ao ingressar e, ele entrou de cabeça no movimento, me arrastou de volta ao Escotismo.

Meu filho, Rodrigo é o nome dele, me surpreendeu, batalhou e conquistou tudo o que se propôs. Alguns Chefes antigos dizem que se parece comigo em determinação, dedicação e perseverança quase ao nível da teimosia. É o orgulho do pai. Mas falarei disto em outro post.

Neste final de semana, em virtude da pandemia, a UEB (União dos Escoteiros do Brasil) promoveu uma atividade on line, organizada para divertir e instruir milhares de jovens Brasil a fora. Foi o Jamboree Nacional on line e a Caçada Nacional de Lobinhos.

Meu filho é Lobinho, que são os escoteiros de 7 a 11 anos. Estes jovens têm suas atividades baseadas na estória de Mogli o Menino Lobo e no Livro da Jungle de Rudyard Kippling. Por isso são chamados Lobinhos e são formados a partir das virtudes e. sabedoria da Alcatéia de SEONE, em que Mogli vivia e de seus amigos da selva.

Por isso a atividade se chama CAÇADA, é que os Lobos caçam juntos. Os Lobinhos também ‘caçam’, ou seja buscam objetivos, juntos, de forma coletiva e solidária.

Na sexta, sábado e domingo crianças, Lobinhos, do Brasil todo participaram de uma grande gincana virtual, a caçada. E tiveram uma ‘viagem’ pelos biomas do Brasil. Algo interessante, pois tiveram de conhecer as características de cada região do Brasil. A medida que passavam pela Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, pantanal, Pampa e Mata Atlântica, tiveram de conhecer suas riquezas e problemas. Tiveram de imitar bichos, conhecer índios, cozinhar e provar comidas típicas (feitas ao seu jeito). Cantaram músicas, conheceram a cultura de outros recantos do Brasil, com suas lendas, brincadeiras e tradições.

Isto é formidável. A criança que conhece a cultura de seus antepassados, que conhece a cultura do seu país, vai respeitá-la e valorizá-la quando crescer. Será um cidadão mais completo. Por isso dou meus parabéns a UEB, aos Organizadores da Caçada e a todos os Escoteiros que dela participaram.

Somos gaúchos e Rodrigo (meu filho) veio me dizer que estavam viajando, no domingo pela manhã, pela Caatinga. Conheceram no Nordeste o Cordel. E a tarefa foi improvisar, esculpindo em uma batata ou qualquer outro material, uma xilogravura, daquelas de cordel. Mas, não só isso, deveriam escrever um pequeno cordel.

Confesso que sou um apaixonado por Cordel, tenho quase uma centena, quando vou ao Nordeste compro vários e, peço aos amigos que vão ao Nordeste me tragam alguns de presente. Busquei alguns, mostrei a meu filho e ele me mostrou o Cordel, feito por Chefes do Nordeste para inspirá-los.

E lá foi meu Rodrigo, do alto de seus 10 anos escrever um cordel. Um gaúcho escrevendo cordel. Orgulho de um pai coruja. Não sei se ficou bom, em minha opinião é maravilhoso. Pediu-me ajuda com algumas palavras da rima, só isso, o resto fez só.

Peço aos amigos a paciência de ler este pequeno cordel, da lavra de meu pequeno Rodrigo.

Espero que gostem (na foto abaixo a tentativa de xilogravura que ele fez).

Cordel dos lobos da Caatinga

Lobinhos, nossa Alcateia
Saiu da Jungle e apareceu aqui
Na Roca, nossa plateia
Veio dar no Cariri
E na cabeça veio a ideia
E o Akelá (1), de gibão de couro, eu vi

No Nordeste temos clima seco
A Caatinga, lugar onde gente mora
Ali o calango, da criança, é o boneco
Ali o Lobinho se aprimora
Seu uivo dá o eco
E a vida se revigora

Desde as Terras do cabeça de Cuia
À bela Terra Potiguar
Pelo São Francisco, canoa e sacuia
Os Lobinhos foram alcançar
A Caatinga, terra sem mucuia
Com sua beleza espetacular.

(1) Akelá é o Chefe dos Lobos.

Espero que meus confrades nordestinos não tenham se ofendido de chamar tão singelos versos de cordel. É apenas orgulho de um pai coruja e besta.

8 pensou em “VAMOS FALAR DE COISAS BOAS

  1. Não pode haver sentenças sobre uma poesia feita com o coração.
    Ficou arretada.

    Lembrei do filme”O Feitiço de Áquila”, quando da sua referência a Akelá.

  2. Venho de uma família de escoteiros; meu irmão, já falecido, foi dirigente em São Paulo. Meu pai foi escoteiro na Suiça; eu estou escoteiro desde 1955. Infelizmente, hoje em dia, poucos dão valor à escola de vida que o escotismo proporciona ( em 1955 já éramos alvo de preconceito). Foram anos de diversão, acampamentos, participação em inúmeros eventos cívicos e, principalmente, ensinamentos que me serviram pela vida toda.
    Sempre alerta!

  3. Também sou apaixonado pelo escotismo. Conheci o Rio Grande do Sul quando participei dum acampamento em Esteio em 1973 aos 17 anos. Camporee Sul, não me lembro qual edição. Hoje sem tempo para dedicar passo uma soma mensal para o Grupo O Grande Urso. Em referência à constelação Ursa Maior é o mesmo grupo da minha infância e adolescência.
    Sempre alerta!

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