GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Indo à Holanda, de ônibus.

Saímos de Paris à noite, o ônibus parou em uma lanchonete na estrada para café, banheiro, esticamento de pernas, não nessa ordem, porque a necessidade primeira, mais premente, era de alongamento, por causa do ônibus desconfortável, apertado, com muita gente grandalhona, não dava nem para mover a poltrona para uma posição mais deitada.

Quem diria! Europa, era de se esperar mais conforto!

A viagem estava sendo meio assustadora, porque os rapazes, enormes, bebiam muito, parecia que usavam drogas, começavam a ficar desagradáveis.

Os comentários eram de que muitos jovens estavam aproveitando as festas do aniversário da rainha da Holanda para irem a Amsterdã e se drogarem.

Precisávamos sair daquele ambiente apertadíssimo para relaxar e para usar os toaletes, tomar um cafezinho e seguir viagem.

Das excursões que fizemos, essa seria uma das mais atrapalhadas, nada dava muito certo, volta e meia acontecia algum problema.

Pois, foi descer do ônibus e entrar na lanchonete para dar mais um enguiço: tentei comprar alguma coisa nas máquinas automáticas, a máquina comeu a moeda de dois Euros, não entregou a mercadoria, tentei usar o mecanismo de devolução do dinheiro, mas nada. Apelei para a ignorância, como vemos nos filmes, dei-lhe umas pancadas, chutei, esmurrei e nada aconteceu.

Fui ao balcão, reclamar do problema com os entraves da língua estrangeira.

A moça disse que não podia fazer nada.

Como assim? Então chama o gerente. Veio o gerente que disse ”não podemos devolver o dinheiro, porque as máquinas não são nossas”. Ora, mas eu é que não posso ficar no prejuízo, as máquinas estão dentro do seu estabelecimento, vocês tem que ser responsáveis. Mas não somos, os responsáveis têm o nome, o endereço e o telefone escritos nas máquinas para reclamações, vocês tem que falar com eles. Como assim? De madrugada, no meio da estrada, em trânsito por vários países, vou telefonar para reclamar alhures por uma moeda? Pois bem, só por desaforo, onde está o número do telefone? Vamos ver. Ah, não! O telefone é em Marselha, vocês estão brincando! Deixa para lá! Nunca mais vou usar essas máquinas para comprar o que quer que seja.

Mas, como “nunca mais” é muito tempo, eu iria ainda por duas vezes, em estações de metrô de Paris, tentar comprar refrigerantes nas malditas e perder meu dinheiro.

Portanto, fiquem sabendo, para não passar raiva: evitem comprar salgadinhos, doces e refrigerantes naquelas malditas máquinas!

Não vou perder o tempo de ninguém relatando o drama que foi, no início da viagem, entrar no ônibus em Paris, em uma noite fria, cujos lugares não são pré-determinados e com a multidão aglomerada na porta da viatura, todos tentando entrar primeiro.

Nessas horas, mesmo a educação européia dá lugar ao salve-se quem puder.

Também não vou falar da via-crucis na chegada à Holanda para a disputa das acomodações, nem vou reclamar do apartamento acanhadíssimo do hotel escolhido pela agência, nem do fato de que na volta a Paris (entre a saída do hotel, com o vencimento da diária, e a entrada no ônibus, que ainda por cima atrasou mais de hora para chegar no ponto de encontro) tivemos que ficar onze horas zanzando sem rumo para passar o tempo.

E nem vou lembrar de outros incômodos dessa viagem, porque, afinal, valeu a pena e superou tudo o fato de termos conhecido Amsterdã, termos visitado algumas cidades do interior da Holanda e termos conhecido Haia, onde nosso Rui Barbosa se elevou como uma águia nos céus do Velho Mundo.

Só vou dizer que, para não faltar mais nada, choveu, e este andarilho passou um frio do cão naquelas ruas encharcadas da linda cidade.

Está certo, não foi um mar de rosas essa viagem, mas foi um mar de tulipas, plantações quilométricas delas, de todas as cores, lindas, maravilhosas, pelos campos cortados pelas estradas por onde passamos.

E vimos os moinhos de vento. E o trânsito das bicicletas; e a fabricação dos tamancos típicos holandeses de madeira; e degustamos os queijos; e andamos de barco pelos canais com o povo jogando ovo em cima da gente; e nos misturamos à multidão no verdadeiro carnaval que é a festa de aniversário da rainha.

Assim foi a aventura na Holanda. Próxima viagem a planejar: Londres!

Na Holanda, foram só três dias que ficarão na nossa memória para nos alertar: – Não vão a Londres de ônibus! Esqueçam a companhia de turismo, vão por conta própria, vão de trem, pelo túnel sob o Canal da Mancha! Escolham o quarto de hotel que vão ficar! Não confiem nas escolhas da companhia de turismo baratinha.

Depois de tudo isso era de se esperar uma lição aprendida, mas Londres nos aguarda e só a passagem de ida e volta pelo Euro$tar, o trem maravilhoso, fica várias vezes mais cara do que todo o pacote turístico baratinho, que inclui o transporte de ônibus de ida e volta, hotel com banheiro no quarto e café da manhã, mais um tour bem safadinho pela cidade…

Londres! Lá vamos nós!

De ônibus de novo! A gente até aprende, mas a grana é curta, como sempre!

6 pensou em “VAI DE TREM!

  1. Parabéns, Goiano!!!

    Agora me perdoe, mas espero que os coleguinhas não achem que eu sou você (já me acusaram 2 vezes). Nem de longe tenho esta verve, este conhecimento, ideologias à parte

  2. Olá, Francisco, obrigado pelo comentário, pelos cumprimentos e pela camaradagem.
    É verdade, já andaram nos confundindo várias vezes, alguma razão deve ter e eu creio que deve ser por ambos defendermos ideias mais claras, ainda que diversas.

    • Ah, VBP, fui a Londres e também a Stoke-on-Trent e a mais iria se dinheiro houvera.
      De Londres tenho uma lembrança estranha, de um restaurante no centro, downtown por assim dizer, isto é, ali perto do Big-Ben, onde os clientes “tínhamos” de comer correndo, porque as garçonetes iam botando a gente pra fora para atender os outros, nunca vi em nenhuma parte do mundo algo igual e nem parecido. Tipo vamos-vamos-vamos-rápido-rápido-rápido, desocupando aí gentem!
      E naquela outra cidade, no interior da Inglaterra, passei pela surpresa de não entender Inglês! Tinha de perguntar várias vezes “a cuma é quié?”. Eles falam com um sotaque muito estranho.
      E foi lá (Londres ao Continente) que pegamos o motorista de ônibus mais estressado que já vi na minha vida: se ainda não contei, qualquer hora conto essa história.

  3. Ah! Vá! ,e o champanhe , o caviar (russo é claro ) , as lagostas ( que os supremos enviaram) , o croissant ( com o suquim de maçã do seu Jorge ), o foie gras ( sem afogar o ganso ) , a ratatouille , o gigot d’agneau, agora vem dar uma de ” economic class ” . Para que serve toda aquela grana na Suíça ? Gaste-a a la vontê e não te esqueças que aqui dissestes algo sobre gravar , ou mostrar música ( Ciranda Nova ? ). Que aconteceu ao Grupo ? .

  4. Caro Joaquim Francisco, um fenômeno que está acontecendo com o isolamento social e com a ameaça que pairda sobre nossas cabeças de contaminação e suas consequências é o de problemas de memória. Não são problemas graves, em geral, mas esquecimentos de coisas corriqueiras, mais do que costumamos esquecer normalmente. A Psicologia está correndo atrás para tentar compreender, mas há de swer algo ligado à ansiedade.
    Pois, eu mesmo andei dando umas esquecidas legais.
    Nem sei se postei em algum lugar a Ciranda Nova, mas se não postei vou cuidar disso agora! O que abunda não prejudica.
    Temos algumas produções musicais, preciso me organizar para divulgar.

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