ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

“Para quem só tem um martelo, todo problema tem cara de prego.”

De acordo com a IEA – International Energy Agency, “As escolhas de políticas energéticas e os resultados obtidos pelo Brasil se apresentam bem diante dos mais urgentes desafios energéticos. Quase 45% de toda a demanda por energia primária é abastecida por fontes renováveis, o que torna o setor energético do Brasil um dos menos intensivos em carbono no mundo. A demanda total por energia primária dobrou no Brasil desde 1990, devido a forte crescimento no consumo de eletricidade e de combustíveis para transporte, fruto de um robusto crescimento econômico e do crescimento da classe média.

Grandes usinas hidroelétricas respondem por quase 80% da geração doméstica de eletricidade, o que dá ao sistema elétrico uma grande flexibilidade. A continuidade do crescimento das hidroelétricas é limitada pela distância e pelas sensíveis questões ambientais ligadas a grande parte das fontes ainda disponíveis. Mesmo assim, 20 GW de capacidade hidroelétrica está em construção na região amazônica. O recurso a outras fontes é crescente, principalmente gás, eólica e bioenergia.  Global Engagement

Ao longo de todo o período de governo militar, e até mesmo até o ano 2.000, a participação da geração térmica manteve-se quase que constante, sendo nossa prioridade a geração hidráulica. Ao final do governo FHC, a incúria governamental levou a que tivéssemos um tremendo “apagão”. A capacidade da geração não acompanhou a demanda energética do país. Naquela ocasião, dentre as infinitas possibilidades disponíveis, optou-se por uma que considero como sendo a mais imbecil possível. A compra de milhares de geradores a diesel. Só faria sentido considerando as oportunidades de subornos e propinas par os agentes governamentais. Foram tantos que chegou a faltar geradores para a venda no mundo. Adquiriu-se até geradores que iriam para projetos de outros países. Tudo a “toque de caixa” e em regime de urgência absoluta. Se formos verificar, a maioria desses geradores provavelmente nunca chegou a funcionar. Ainda hoje, centenas de esqueletos de geradores enferrujados estão em diversas localizações por todo o país. Bilhões de dólares que foram jogados no lixo e no bolso dos políticos.

A etapa seguinte da escalada de incompetência, roubalheira, descaso e incúria no sistema energético nacional veio com a ascensão do PT. O mesmo decidiu priorizar a geração a gás natural. De lá para cá, esta forma de geração passou a representar quase um terço da capacidade, mesmo sabendo que a energia produzida teria um custo de mais de R$ 1,00 por Kwh. Este custo já era bem superior ao preço final de R$ 0,90 cobrado aos consumidores domésticos, sem contar com as tarifas de transmissão e distribuição. Na comparação com o custo de R$ 0,08 da energia produzida por hidrogeração, ou mesmo de R$ 0,13 da produzida por eólica, fica patente o absurdo da prioridade dada a este tipo de energia. Sem falar que a altíssima participação de energias renováveis em nossa matriz começou a se deteriorar aceleradamente. Conclusão: Todo o processo de degradação da nossa matriz energética, liderado pelo PT e conduzido pela gangue dos Lobão, só serviu para gerar propinas milionárias para os ladravazes envolvidos piorar nossa matriz energética.

A etapa final da nossa decadência se deu quando Dilma decidiu subsidiar a gasolina a fim de fazer bonito junto à população. Com essa decisão, a alimária conseguiu quebrar todo o sistema econômico do álcool de cana. O preço pago pelo álcool passou a não ser suficiente para bancar seus custos. O Proálcool foi construído através de décadas de árduas pesquisas tecnológicas e investimentos de bilhões de dólares. É uma herança maravilhosa dos governos militares e que nos colocava em uma condição única com relação ao restante do mundo. Dona Dilma conseguiu jogar tudo solenemente na lata do lixo com apenas uma defecada.

O maior símbolo da roubalheira desbragada praticada no setor energético foram os “leilões” realizados para outorgar a construção das geradoras a gás. O grande vencedor desses leilões foi o Grupo Bertin, parceiro da JBS, na sua divisão agropecuária, de onde se originou. Seu grande concorrente foi Eike Batista. O grupo ganhou o direito de construir inúmeras centrais térmicas, porém não chegou a concluí-las. Quebrou antes, em uma falência bilionária e altamente fraudulenta! O naipe dos “investidores” envolvidos já diz bem da lisura de todo esse processo.

Segundo a Fundação de Amparo à pesquisa “O potencial de geração de energia eólica no Brasil é estimado em cerca de 500 gigawatts (GW). De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), é energia suficiente para atender o triplo da demanda atual de energia do Brasil. O número é mais de três vezes superior ao atual parque nacional gerador de energia elétrica, incluindo todas as fontes disponíveis, como hidrelétrica, biomassa, gás natural, óleo, carvão e nuclear. Em dezembro de 2018, a capacidade de geração instalada somou 162,5 GW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desse total, as usinas eólicas responderam por 14,2 GW, igual à capacidade instalada da usina de Itaipu”, ou de toda a CHESF.

Todo este imenso potencial foi solenemente ignorado pelos nossos brilhantes gestores até que, em meados de 2008, um milagre aconteceu: A Sudene, que havia sido extinta, foi reativada devido à imensa pressão colocada pelos nordestinos. O primeiro superintendente escolhido, Paulo Sérgio de Noronha Fontana, veio da turma do Gedel, Jackes Wagner e companhia. Apesar da origem nada recomendável, teve uma atitude altamente meritória. As empresas de eólicas estavam diante de um impasse: Não ofereciam lances nos leilões porque não havia financiamento. Estes não eram concedidos porque os equipamentos eram importados. Os fabricantes não se instalavam no Brasil porque não haviam projetos. Foi quando Paulo Noronha assegurou aos investidores que financiaria os projetos com dinheiro do FDNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste), mesmo os equipamentos sendo importados.

A partir daí, foram aprovados projetos totalizando mais de 1 GW no Ceará e outro no Rio Grande do Norte. No final de 2010, Luciano Coutinho, Presidente do BNDES e cabeça da gangue montada pelo PT para depenar o erário brasileiro, descobriu a estória. Correu e contou pra Dilma. A PresidANTA ficou irada. Foi a Recife, demitiu Paulo Noronha e proibiu (de boca) a Sudene de financiar qualquer projeto voltado para energia. Prerrogativa esta, segundo ela, exclusiva do BNDES. Extinguiu o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste e disse que iria montar outro fundo para substituí-lo. Enquanto isso, ficava tudo parado e não liberava nem um tostão. Só que as empresas haviam acreditado na seriedade dos contratos com a Sudene e tinham investido bilhões, sempre aguardando pela liberação das parcelas. Passou-se mais de um ano. A ação decisiva do novo superintendente, Dr. Luiz Gonzaga Paes Landim, salvou-as todas. Foi uma luta imensa para desfazer o nó jurídico dado em cima do assunto. Esses projetos possibilitaram a instalação da base produtiva para equipamentos dessa modalidade de energia que está mudando o Nordeste. De dependente da energia importada, a exportador para o restante do país. Em paralelo, está tirando as térmicas do circuito e “limpando” de novo a matriz energética.

Por esta mesma época, a empresa Koblitz, empresa pernambucana do setor de projetos elétricos, foi adquirida pela francesa AREVA, estatal especializada em todas as fazes do ciclo nuclear de produção de energia elétrica. Após Fukushima, o céu desabou na cabeça desta empresa: pedidos cancelados, centrais desativadas, países banindo a energia nuclear, etc. O alvo agora é o Brasil. Começaram a realizar seminários sobre energia nuclear, a distribuir agendas, visitas de dirigentes da NUCLEBRÁS a Pernambuco… Tudo visando empurrar goela abaixo dos pernambucanos mais esse imenso “abacaxi”, gerador de gordas propinas governamentais.

Nós não queremos uma bomba atômica ao lado de nossas casas! Nós não precisamos desta porcaria!

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