JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

A verdade “é um cachorro preso num canil”, dizia Shakespeare (O Rei Lear). E que nem sempre anda solto pelas ruas, poderíamos completar. Assim tem sido, ao longo de toda história da humanidade. Por exemplo, não há qualquer prova de que existiu, mesmo, um Cavalo de Troia – em cujo ventre, de madeira, se esconderam soldados. Sequer de ter nascido Helena, razão daquela guerra. A palavra cesariana, diferente do que sugerem as enciclopédias médicas, não vem do imperador Cesar. E Nero, quando ardeu Roma, estava em Anzio. Distante 50 km. Na volta, em vez de tocar sua lira, tentou foi apagar as chamas. Gutemberg não inventou a imprensa. Que tipos móveis – em cerâmica, madeira e metal – existiam já, na China, 3 mil anos antes. E jamais publicou um livro. A Bíblia de 42 Linhas, conhecida como de Gutemberg, foi obra de Peter Schöffer e Johann Fust. Não há prova de que a holandesa Margaretha Geertruida Zelle, mais conhecida como Mata Hari, tenha sido espiã da Alemanha. Sherlock Holmes disse “Elementar”. E, também, “Meu caro Watson”. As duas frases juntas, nunca. Nem Ingrid Bergman, no filme Casablanca, disse “Toca outra vez, Sam”. A frase certa é Play it, Sam. Play “As time goes by”.

Bom lembrar disso ao refletir sobre o Brasil. Para tentar descobrir, entre Moro e Bolsonaro, quem mente. Sem registros das conversas, devemos buscar um critério válido para encontrar a verdade. Recordo velho ministro do Supremo. Quando lhe perguntavam “como julgar?”, recomendava procurar o Umbilicus Mundi. O centro da dúvida. E a dúvida, no caso, é apenas uma. No meio desse terremoto da Covid-19, para que demitir o DG da Polícia Federal? Por que não esperar? Qual a razão de tanta pressa?, eis a questão. Como paira, sobre isso, um enorme silêncio, cabe só especular. Talvez por conta de inquéritos (inclusive das fake news) do min. Alexandre de Moraes, no Supremo – se diz à boca pequena. E que podem atingir pessoas próximas do poder. Muito. Além do que deveria. Por tudo, então, Moro fez bem. Não levou desaforos para casa. Criou novo lema, “Verdade acima de tudo. Fazer o certo acima de todos”. E saiu maior do que entrou. Agora é esperar para saber a verdadeira história, por trás das versões. Oscar Wilde (Frases e Máximas) dizia que “Se alguém diz a verdade, pode estar certo de ser descoberto, mais cedo ou mais tarde”. Esperamos que sim. E logo.

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  1. De fato, há precipitações de ambos os lados. No meu entendimento, a PF estava fungando no cangote de importantes aliados e de excelências por demais poderosas.

  2. Concordo com os dois e hoje aprendi muito .
    Qual era a postura do Botafogo antes e depois de Moro ?
    Quem ontem esteve na posse do novo ministro da Justiça ?
    Qual é a fala de Bolsonaro ao final do seu discurso na posse do novo ministro ?
    E só para refletir . Moro sabia que seria jogado aos leões . Sairia da forma que saiu sem nenhuma carta decisiva na manga ?

  3. Prezado Dr. José Paulo,

    Sua argumentação acima segue o mesmo padrão de todas as suas obras: Ponderada, bem detalhada e didática.
    Concordo integralmente com a mesma até suas últimas linhas, quando o senhor perdeu totalmente o fio da meada. Baseado em conjecturas (ou Fake News, como o senhor mesmo as denomina), parte imediatamente para conclusões absolutamente “Fake” também.

    O senhor Moro “Não levou desaforo pra casa”. Não! Vomitou-os todos em show midiático altamente venenoso e traiçoeiro. Cometeu uma das maiores cafajestices de que o ser humano é capaz: Mordeu a mão que o alimentava, Apunhalou pelas costas a pessoa que havia lhe defendido de calúnias tantas e tantas vezes e, o que é pior, utilizando-se das mesmas manobras torpes de que havia sido vítima.

    Este senhor volta para casa muito menor do que saiu para Brasília.

    Como Juiz? Nota 10 com louvor. Como Ministro? Um desastre. Como ser humano? Arrogante, prepotente, egocêntrico e, por fim, traidor.

    • Adônis, nosso favorito da deusa Afrodite e boxeador especialista em huppercut, não deixa pedra sobre pedra. Sem meias palavras, sem fru-fru, sem frescura, sem politicamente correto. Direto e reto. Matenha a pegada de DIREITA, caríssimo!!!!!!!

      • Uma pena que minha semi-letrada mãe não entendia porra nenhuma de literatura grega. Eu, pobre Sancho (assim me chamo porque alguém leu para ela a obra de Cervantes, poderia por exemplo, ser Apolo ou Hermes, quiçá um Adônis, quem sabe um Hércules…

  4. É sem futuro qualquer opinião especulativa antes de a verdade vir à tona sobre essa história da saída do MORO do ministério da Justiça e Segurança.

    Prefiro aguardar o Tempo!

  5. Politicamente, conhecemos o Bolsonaro já há muitos anos e melhor ainda nos últimos 16 meses. Já, politicamente, passamos a conhecer o ex-Juiz Sérgio Moro a partir de janeiro de 2019 e melhor ainda a partir da última sexta-feira, que não foi sexta-feira 13, mas, sim, 24 de abril de 2020. Politicamente, Moro, saiu, querendo ser adversário de Bolsonaro em 2022, mas, a meu ver, saiu menor do que entrou na política, mesmo tendo as pesquisas a seu favor. Para se tornar, verdadeiramente, um bom candidato, terá que passar por uma reformulação total, começando pelo modo de falar e pela voz. Uma coisa é pesquisa outra coisa é a realidade.

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