JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

Na condição de brasileiro usando dos direitos e prerrogativas concedidas pelo regime democrático ao cidadão livre, faço aqui uma análise política do meu país isenta de comprometimentos com partidos, ideologias ou credos.

Parto do ano de 1964 quando eu, jovem universitário, assisti o Brasil escapar das garras do comunismo para um regime autoritário de 21 anos de duração. Na época presenciei professores sendo tirados de salas de aula, colegas procurando refúgio para escapar da prisão e manifestações públicas dissolvidas à base de cassetetes.

Ouvi falar de maus tratos e torturas a encarcerados. Alheio ao mundo político não dei a atenção devida. Primeiro, por desconhecer a face da verdade tolhida pela censura, depois, por focar apenas na dureza dos estudos e na perspectiva do futuro.

Em 1985, lamentei a morte de Tancredo Neves eleito pelo voto indireto no nascimento da Nova República e vi a perplexidade de José Sarney ao aparar no colo um mandato caído do céu. Assisti o seu governo sucumbir ante o descontrole da inflação e de medidas antipáticas como o congelamento de preços.

Aplaudi Collor de Mello, em 1990, como o primeiro presidente escolhido por eleições diretas após o regime militar. Assumia o poder o mais jovem mandatário da nação. Conheci a sua empáfia aliada à coragem de sequestrar a poupança do brasileiro sob a sombra indesejada de PC Farias e da corrupção o que lhe propiciou a condição de ser, também, o primeiro presidente a sofrer impeachment no Brasil.

Observei, em 1992, Itamar Franco, vice de Collor, em dois anos estabilizar a economia e domar a inflação no país ao criar o Plano Real com Fernando Henrique à frente do Ministério da Fazenda. Saiu do governo limpo como entrou para ser considerado o melhor presidente pós-ditadura – deixar-se fotografar ao lado da modelo Lilian Ramos sem calcinha, na Marquês de Sapucaí, foi o seu único deslize.

Contemplei Fernando Henrique Cardoso assumir a presidência em 1994 e, reeleito, permanecer no cargo até 1998. Foi um governo de altos e baixos marcado pela implantação do neoliberalismo no Brasil. FHC emplacou diversas reformas e privatizou estatais importantes, consolidou o Plano Real e controlou a inflação – assumiu em 22,41% e entregou a 12,53%.

Século XXI em curso vi, em 2003, Luiz Inácio ocupar a presidência após três tentativas frustradas. Lula cogitava se tornar o Lech Walesa dos trópicos, não vingou porque o sindicalista polonês procurou abolir o comunismo do país, enquanto o brasileiro sonhava em implantar o comunismo aqui – o Foro de São Paulo que o diga.

A falta de zelo com a coisa pública e a corrupção deslavada demonstraram a total falta de comprometimento moral com o povo, nunca antes na história deste país vista ou sequer imaginada. O Pai dos pobres ou O cara – segundo Barak Obama -, foi o maior desastre em toda a memória republicana do Brasil.

Indignado assisti Dilma Rousseff suceder a Lula, em 2011, e se reeleger em 2016, para governar sob a mesma bandeira do antecessor. Ou seja, mais seis anos de o país orquestrado pela batuta do único ex-presidente a ser preso por crime comum.

A presidenta Dilma saltou de uma aprovação recorde para o impeachment. 70% do povo aplaudiu o ato, porém, gratificada mesmo ficou a Língua Portuguesa por se ver livre das agressões impostas ao vernáculo.

O mandato tampão de Michel Temer durou 2 anos e 4 meses. Mala cheia de dinheiro arrastada pelas ruas de São Paulo, caixas com milhões de reais escondidas num apartamento em Salvador e conversa sombria com poderoso empresário, em Brasília, detonaram o seu governo.

Vejo-me agora, em 2020, com Jair Bolsonaro há um ano e meio no poder. A impulsividade do presidente é fato comprovado. Nela reside o calcanhar de Aquiles ideal para desestabilizar a presidência. Entretanto, não existe interesse em divulgar que a corrupção do passado desapareceu e mamatas com o erário acabaram.

Neste momento, um conflito político se sobrepondo às crises econômica e sanitária reverterá num elevado ônus para o brasileiro, que anseia pela convivência democrática e harmônica entre os poderes constituídos. Daí confiar no bom-senso de quem sintonizar a bússola da coerência no rumo certo das tratativas políticas e, na fleuma do autor da tarefa de apaziguar as tendências arredias da nação.

Ainda existe tempo para exercitar a resiliência e reequilibrar a governabilidade. Depende somente do querer do timoneiro, lembrando que, na voz da verdade, querer é poder e humildade e Ivermectina não causam mal a ninguém.

10 pensou em “UMA VISÃO DA NOVA REPÚBLICA

  1. Pois é Marcelino, ainda ontem falei sobre a inoperância da oposição nesse país. Um ano e meio de governo e continuam chamando Bolsonaro de mentiroso, fascista, etc. Eu alertei que se tudo isso não foi suficiente pra derrotar, qual o efeito que terá agora com o cara no exercício do mandato? Não se tem ouvido notícias de escândalo de recursos. Agora, a aproximação com o centrão é lamentável

    • Maurício, eu também fiquei surpreso, mas, pensando melhor, percebi que é uma alternativa política que o Presidente não tem como fugir. Um grande número de pedidos de Impeachment e um Presidente da Câmara que não é de sua base aliada, Torna-se um risco muito grande para a permanência dele no cargo. Precisamos ficar atentos, como vai ser essa aliança, nos moldes antigos ou somente com a indicação de cargos, porém, sem corrupção?
      Além deste ponto, depois da pandemia ele vai ter que enviar outras reformas ao congresso e para aprová-las, vai precisar de maioria.
      Gostei do artigo e me manifestei sobre o comentário porque coincidiu com a minha opinião no momento que li sobre a aliança..

  2. Obrigado a ambos, Assuero e Fábio, por compartilharem do meu pensamento. Nada de turbulência política na atual situação brasileira. Queremos paz, concórdia e crescimento. Temos tudo para sermos uma das maiores nações do planeta, mas a política comezinha não deixa.

  3. Só não vou comentar, señor Narcelio em virtude de seu texto ser primoroso e minhas mãos insitirem em manter o aplauso. Grande texto, imenso abraço.

  4. Natal, minha cidade, onde quebrou a Globo, a Coca-Cola e o Mc Donald’s. Funcionário público é de direita e tem o salário que tem, reajustado pelo comunista Lula e enaltece o Paulo Guedes, aquele mesmo que te chamou de parasita

  5. Na condição de brasileiro usando dos direitos e prerrogativas concedidas pelo regime democrático ao cidadão livre, faço aqui uma pergunta:
    Isentão rachadinha é prática honesta?

    • Não faz muito tempo falei sobre isso na minha coluna. Rachadinha é crime. Apure-se e puna-se. Mas, eu vejo que somente os culpados usam esse argumento de tirar o crédito de quem o acusa. Coisa de quem só pensa com um lado do cérebro.

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