XICO COM X, BIZERRA COM I

Meu cunhado Mané, diz: – Sou apenas uma pessoa comum, bem distante do incomum Pessoa … Suas palavras, faço-as minhas em reverência aos Poetas. Ás vezes me atrevo a fazer versos, mas sempre ciente e atento às minhas imensas limitações. Teimosia pura! Na verdade, incomoda-me ser chamado de Poeta. Num chão em que brotaram Pinto do Monteiro e Louro do Pajeú, para citar apenas dois, faz-me constrangido o tratamento de Poeta que às vezes ousam dispensar-me. Considero-me, na melhor das hipóteses, um escrevinhador, um mero ajustador de palavras, um simples arrumador de pretensas rimas. Poeta é aquele que brinca com as palavras, que sabe fingir dor ou alegria. Ou, no caso dos Poetas do Sertão, aqueles que, ao ser-lhes oferecido um mote, num repente ele glosa, com métrica, rima, ritmo, numa convergência e união de lógica e beleza impossível para os comuns humanos. Fazer o que chamam de Poesia, como eu tento fazer, basta apenas tempo, veleidade, audácia, um lápis e um pedaço de papel. Nada disso me falta, além de dispor de um local com o clima adequado e um computador de última geração, Aurélio e Houaiss por companhia a socorrer-me, sempre. Assim, qualquer um faz o que faço. Muito distante de um Bandeira, por exemplo. Ou de um Drummond. Salve, pois, Patativa do Assaré, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Carlos Penna Filho e alguns outros Poetas incomuns de verdade. Se ao que fizeram Pessoa e Neruda deu-se o nome de Poesia, que nome darei ao que teimo em fazer? Quem souber, diga-me, por favor.

6 pensou em “UMA PESSOA COMUM, UM INCOMUM PESSOA

  1. Pois eu digo:

    Você, Xico, é um poeta por excelência: um contista extraordinário de contos curtos, mas contíveis. Extraordinariamente contíveis,

    Parabéns pela verve.

  2. Ao cumpade Ciço meu abraço. Adorei o neologismo. Seja o que for, ‘Contível’ é a benevolência dos amigos no trato com este escrevinhador.

    • Mestre Xico,

      Eu o substituir como sinônimo de “conto curto”, que o Mestre o sabe fazer com maestria.

      Soa bem agradável, não? E não macula a língua culta e bela do parnasianista Olavo Bilac.

  3. Meu Caro Ciço Tavares,
    Chamo meus curtos contos de CONTÍCULOS, minha mínimas crônicas de CRONIQUETAS e
    meus pretensos versos de POEMITOS. Talvez um dia lance im LIVRINHO com esse título:
    CONTÍCULOS, CRONIQUETAS e POEMITOS.
    Abraço XICO

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