UMA IMPRENSA FEITA DE URSINHOS DE PELÚCIA

Para o presidente Jair Bolsonaro, só existem duas empresas jornalísticas que prestam: a Folha e a Globo. O resto seria, como dizia Millôr Fernandes, armazém de secos e molhados.

Para ele, Millôr, imprensa é oposição.

Ao que tudo indica, só quem se opõe ao nosso presidente são Globo e Folha.

O primeiro, ele cansou de advertir aos seus jornalistas que abrissem os olhos, porque se continuassem com ataques a ele eles iriam ver o que é bom para a tosse.

Ainda não confirmou as tais ameaças, mas a Rede Globo já está avisada de que vai cortar um duro para renovar suas concessões.

Já a Folha, todo o mundo sabe, todo o mundo viu, o presidente mandou cancelar suas assinaturas no governo.

É claro que não pode fazer isso, não do jeito que fez, mas a Folha botou o galho dentro, fazer o quê, né?

Sobrou para os anunciantes. Chantageados, estão com a barba de molho, vez que Jair Bolsonaro avisou: olhem onde estão anunciando…

Há um velho ditado que diz que quem tem capital tem medo.

Está certo, não é bem assim o ditado, mas o resultado termina sendo o mesmo, pois o medo abunda.
E como abunda, ameaça Bolsonaro!

O presidente da república pode avisar a anunciantes que se eles fizerem publicidade em publicações de sua particular lista negra estarão fupagos e maldidos?

Claro que não.

Mas está todo o mundo cortando fininho, tem AI5 para todos.

Li alhures que como tem liberdade para assinar as publicações que quer, o governo pode também deixar de assinar a seu bel prazer.

Não, não pode. O agente público não tem prazer, isto é, não tem vontade. Ele só pode fazer aquilo que a lei permite.

Ah, e a lei por acaso não permite que pare de assinar um jornal?

Permite, sim, desde que não motive essa decisão por razões de interesse pessoal, ligadas a uma forma de censura.

Tivessem rabo, todas as publicações parariam de fazer entregas de jornais e revistas aos órgãos do poder executivo federal, pois, como notou Eugênio Bucci, são, como decorrência da decisão de Jair Bolsonaro, cordeirinhos a serviço dele, mansinhos e caladinhos, ou falam só bem dele, ou ficam quietinhos, ou estão fora.

Enquanto ninguém toma providências sérias, ficamos no humor de Jô Soares, que na desajuizada Folha ironiza com o vídeo de o próprio Bolsonaro colocando-se no papel do leão sendo atacado por hienas, assumindo o papel de Rei dos Animais…

Vai brincado.

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