UMA IDÉIA ILUMINADA

As grandes ideias sempre orbitaram o imaginário humano desde os primórdios dos tempos, quando ele aprendeu (ou descobriu) a usar o fogo em seu benefício.
Poderia citar inúmeras ideias, descobertas ou invenções que trouxeram benefícios para o homem: Roda, bússola, vidro, prensa, bateria, lâmpada, telefone, radar, satélite, fotografia, etc.

Inclusive, aqui na coluna CORRESPONDENCIA RECEBIDA, dias atrás, comparei a ideia da criação do JBF pelo editor, como excelente, equiparando-a a um parafuso, um clips e um anzol… dadas as devidas e necessárias proporções, claro.

Os britânicos reputam a ideia do vaso sanitário (com sifão) uma das melhores invenções do homem. E quem não concorda?

Isto posto, em se tratando de ideia, cujo símbolo é uma lâmpada, eis que vem lá da África uma brilhante invenção de um jovem que, aos 11 anos, criou um sistema para proteger vacas de ataques de leões, conseguindo com seu invento genial, a preservação de ambos.

VACA PRECIOSA

A criação de gado na África, é uma atividade muito lucrativa para várias famílias. Possuir, mesmo que um pequeno rebanho de bois, é sinal de status e progresso social. Vaca é dinheiro vivo. Valem mais de mil dólares, cada.

O grande problema é que algumas comunidades, estão fixadas bem no Parque Nacional de Nairóbi, que se estende até Kitengela, onde a ocorrência de ataque de leões ao rebanho são constantes. Pelo grande Parque passeiam gnus e zebras em busca de pastagens frescas – um atrativo para os leões.

Na tentativa de proteger a criação de gado, usou-se desde os inúteis espantalhos, a criação de vacas em ambientes escuros. O primeiro era rapidamente ignorado e, no escuro, as vacas eram localizadas pelo cheiro. Ponto para os leões.

A LUZ – o “menino das luzes de leão”

Inventor aos 11 anos

Em sua constante vigília noturna para proteger as vacas, o jovem Richard Turere, notou que as feras só hesitavam em atacar o rebanho, quando percebiam a iluminação da sua lanterna. A luz os retraiam e afugentavam do ataque. Só que havia um alto custo com baterias para alimentar as lanternas.

Astuto e criativo, aos 11 anos de idade, o garoto tratou logo de inventar um sistema de iluminação movido a energia solar para manter os leões fora do curral, zerando o prejuízo de nove vacas por semana.

Rústico, simples e funcional

AUTODIDATA

Richard batizou seu invento de “lion lights” (luzes de leão, em tradução literal), luzes que imitam o movimento da lanterna – sem que precisasse ficar acordado a noite toda vigiando os animais.

Hoje, o sistema “lion lights“, que está sempre se aprimorando, está instalado em inúmeras propriedades pela África afora, beneficiando incontáveis criadores.

O lion lights 2.0 custa US$ 200 (R$ 750) para instalar. Metade do dinheiro geralmente vem de ONGs, enquanto o restante é fornecido pelo cliente.

Entre as versões do invento, existem 16 diferentes configurações de luz que piscam e a mais recente atualização desenvolvida por Richard é uma turbina eólica caseira para os dias em que as nuvens limitam o potencial de energia solar.

Richard da tribo Massai, já adulto

COLHENDO RESULTADOS

Uma das explicações para Richard não ter podido se beneficiar adequadamente como inventor das “luzes de leão” foi que, apesar de ser o mais jovem detentor de patente queniano, aos 15 anos, ele demorou a patentear sua ideia.

Por conta da invenção, Richard conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola de prestígio em Nairóbi e foi convidado a conhecer Jack Ma, o fundador do megasite de vendas chinês Alibaba.

Seu invento, está ajudando o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS, da sigla em inglês), que administra os parques nacionais do país, fazendo diminuir bruscamente a matança das feras por caçadores e nativos, que aniquilavam até 8 leões por dia.

Em suas palestras costuma dizer “Há muitos jovens no Quênia com ideias brilhantes, melhores até do que as minhas – eles só precisam de apoio”, diz Richard.

Isto sim, é uma criatura iluminada.

2 pensou em “UMA IDÉIA ILUMINADA

  1. Se os leões comiam bois e morriam aos 8 por dia, sobrevivendo muitos mais hoje portanto, eu que não vou “passear” por essas bandas ai…

  2. Tem toda razão, Sr. José Paulo.

    Hoje, o Quênia e outros países africanos têm, nos leões, uma das grandes receitas de arrecadação por conta do turismo.

    Assim como você, eu prefiro vê-los nas filmagens ou em um zoológico..E isso é uma excelente ideia.

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