RODRIGO CONSTANTINO

Eleições para o Parlamento europeu apontam para vitória da direita. Na França, o candidato de Marine Le Pen obteve ao menos 31,5% dos votos.

Eleições para o Parlamento europeu apontam para vitória da direita. Na França, o candidato de Marine Le Pen obteve ao menos 31,5% dos votos

Entre tantos problemas no modelo europeu, dois merecem destaque: o sistema de “Welfare State” que tem minado o dinamismo econômico e produzido incentivos perversos; e a imigração desenfreada que produz evidente choque cultural. O povo quer melhores oportunidades de trabalho, e não quer ter como vizinhos “invasores bárbaros” que se negam a assimilar a cultura que os recebe.

As democracias ocidentais estão numa clara crise de representatividade, dado que as elites globalistas se encastelaram no poder e priorizam coisas bem diferentes. Falam em ideologia de gênero, em crime de opinião, em islamofobia, enquanto o povo quer o de sempre: emprego e segurança. Diante deste crescente abismo entre governo e governados, não é surpresa o avanço de uma direita com uma pegada mais nacional-populista.

Foi o que vimos nos resultados divulgados neste domingo das eleições para o Parlamento Europeu. Elas apontam para um avanço da direita da Europa, chamada sempre de “extrema direita” pela velha imprensa. Esse fenômeno desafia líderes das maiores potências do continente, como o presidente Emmanuel Macron, da França, e o chanceler Olaf Scholz, da Alemanha. A superação de seu partido pela direita de Marine Le Pen fez Macron dissolver a Assembleia Nacional e antecipar para este mês eleições legislativas que ocorreriam apenas em 2027. Há pressão por novas eleições na Alemanha também.

Não se trata, ainda, de uma derrota definitiva do establishment. A centro-direita permanecerá com o maior partido no Parlamento Europeu e dois partidos de direita aumentarão suas bancadas. Assim, a centro-direita ainda vai ter que formar uma coalizão para governar, mas as negociações e aprovação de leis vão ficar mais difíceis. É talvez o começo de uma importante guinada.

O objetivo de Macron, ao dissolver a Assembleia Nacional, é reduzir a força da direita com as novas eleições, mas a manobra é considerada arriscada e pode ter efeito contrário. Marine Le Pen celebrou a decisão de Macron e disse que seu partido está pronto “para assumir o poder se a França confiar em nós nas eleições nacionais”. “Essa votação histórica mostra que quando as pessoas votam, elas vencem”, afirmou.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o aliado libertário argentino Javier Milei também comemoraram a vitória da direita nas eleições para o Parlamento Europeu. Bolsonaro escreveu que “a Europa mostra que a vontade popular prevalece sem determinadas intromissões e logo mais se repetirão em outras partes do mundo”. Ele criticou o establishment, acusando-o de espalhar “fake news” para calar vozes divergentes e sustentou que “a vitória do povo mostra que as agendas impostas pelo sistema não estão satisfazendo sua vontade”.

Já o aliado argentino chamou a vitória de “tremendo avanço das novas direitas na Europa”, classificando como “grandes notícias do Velho Continente”. Ele lembrou da participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro deste ano, e disse que o evento estava “contaminado pela agenda socialista”, onde defendeu o capitalismo como a “única ferramenta” eficaz para erradicar a fome, a pobreza e a miséria.

De fato, o grande derrotado nas eleições foi o Fórum de Davos, a turma globalista do Klaus Schwab, que anunciou recentemente sua aposentadoria. Os globalistas são como tucanos, flertam com a esquerda radical, mas aceitam mais mercado, ainda que sob forte controle estatal. Na Europa, tentam há décadas criar uma espécie de socialismo light, com uma concentração enorme de poder em burocratas, tecnocratas e políticos. O povo não está satisfeito com os resultados.

E a faísca no incêndio é certamente a questão imigratória. Todo país tem não só o direito como o dever de manter algum controle rígido sobre imigrantes, pois a alternativa é virar a casa da Mãe Joana. O fluxo imigratório tem sido, porém, descontrolado e sem muito critério, sob a influência da culpa disseminada pela esquerda nas elites. Para expiar essa culpa “colonialista”, a Europa escancarou seus portões e permitiu verdadeira invasão, de gente que odeia o próprio legado europeu. Não pode dar certo.

Nos Estados Unidos, o tema da imigração será novamente um dos mais relevantes na eleição, e pode causar a derrota de Joe Biden, junto com a gestão medíocre na economia. Um grupo de manifestantes realizou um protesto contra Israel em frente à Casa Branca neste fim de semana, ocasião na qual defendeu a violência contra soldados israelenses que participam de operações na Faixa de Gaza, na tentativa de destruir o Hamas e resgatar civis que foram raptados em 7 de outubro. Durante os atos, alguns participantes pró-Hamas e pró-Hezbollah mascarados apelaram à “jihad” e ao “assassinato de sionistas”.

Esse tipo de radicalização é inaceitável para o americano médio, mas o governo Biden vem flertando com essa franja extremista e se afastando de Israel. O americano sente que seu país foi invadido por radicais sem qualquer apreço pelo legado da nação. Trump tem postura bem distinta quando o tema é imigração, e isso deve ajudá-lo na disputa. A imprensa fala em xenofobia, fascismo e extrema-direita, mas o eleitor percebe se tratar de pura ladainha, de bobagem ideológica, de traição da pátria pelos militantes disfarçados de jornalistas.

O Ocidente precisa, com urgência, de uma guinada à direita para evitar a continuação dessa crise estrutural e potencialmente fatal. Neste fim de semana tivemos raios de esperança vindos da Europa. Que seja apenas o começo…

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