A PALAVRA DO EDITOR

Nos atuais tempos pandêmicos, de vacinas ainda não chegadas e outras presepadas sanitárias, angustiando meio mundo, inclusive os menos jovens e os abilolados de cuca mínima, recebi um presente pra lá de arretado de ótimo: um livro de Braulio Bessa, poeta e cordelista cearense, que tem como mantra, um lema que todo nordestino do interior deveria ter em sua identificação: Matuto, sim; besta, não!: Poesia que transforma, Bráulio Bessa, Rio de Janeiro, Sextante, 2018, 144 p.

O autor é um cearense parido em 1985, que dedicou um dos seus livros para seus leitores da seguinte maneira:

Dedico este livro a você, / Que ao sentir minha poesia / se emociona, se transforma / e faz de mim alguém que serve / para alguma coisa boa.

Uma dedicatória que arrepia até cu de falecido de boas oiças. Que me fez ler o livro todo, de fio a pavio, numa tarde de domingo. E já encomendando mais três outros pelo site da Estante Virtual, uma área internética que congrega mais de mil sebos de todo Brasil, de cadastramento gratuito, senha pessoal e intrasferível. Um serviço de altíssimo nível, usando a expressão do meu mano mais novo Zequinha, geólogo da pesada, às vésperas de se vacinar contra essa pandemia filha-da-puta, mas sempre atento aos serviços oferecidos pelos sítios eletrônicos de todo o país e do exterior.

Permitam-me os leitores reproduzir, abaixo, algumas quadras do Bessa que muito me sensibilizaram, encarecendo a todos a leitura de seus livros de poesia, um ótimo receituário repleto de reflexões iluminadoras, artisticamente bem estruturadas. Uma pequena amostra apenas:

Sobre a fome:

“Sendo assim, se a fome é feita / de tudo que é do mal /é consertando a origem / que a gente muda o final. / Fiz uma conta , ligeiro: / se juntar todo o dinheiro / dessa tal de corrupção, / mata a fome em todo canto / e ainda sobra outro tanto / pra saúde e educação.”

A força de uma mãe:

“Se preciso, passa fome / pra nos dar o que comer. / Quem nos ensina a crescer / sem dinheiro ou sobrenome. / O que se aprende não some, / lhe faz alguém consciente / e forte interiormente. / Por isso não me confundo. / A maior força do mundo / é o amor que uma mãe sente.”

Para uma mudança já:

“Pra mudar basta existir / Ninguém pode controlar / Pois tudo que é vivo muda / Viver é se transformar. / Viver é evoluir / E ao deixar de existir / Até morrer é mudar.”

Seus textos não poéticos também explicitam uma beleza ímpar. Seu testemunho sobre o amor, fez-me acariciar agradecido o rosto da Rejane, para quem eu estava lendo algumas páginas do Bessa:

“Uma vez eu disse que o amor disse que o amor tem gosto de seriguela madura. Ela tem esse sabor, ela deu esse sabor à minha vida. Ela adoçou muita coisa em minha vida.” Confesso que o Bessa fez em mim ampliar dois amores: pela Rejane e pela seriguela, que aprendi a amar quando da minha morada na capital alencarina, período 1949/52

Por fim, para conservar o gostinho de quero-mais, uma reflexão do Bessa para todos aqueles negacionistas que não sabem o que é solidariedade:

“Será mesmo tão difícil / ´ra gente compreender / que quando se ajuda alguém / o ajudado é você? / Será mesmo que enganar / é melhor que ajudar? / Será que não tem mais jeito / de aprender essa lição / consertando o coração / que bate no nosso peito?”

Para o Bessa, um bilhete:

Você é um poeta do baralho!

Nos seus versos vibro e me embaralho.

Um abraceijo com toda minha devoção, por me ter tornado melhor cidadão!!

2 pensou em “UM POETA DA BEXIGA LIXA DE ÓTIMO

  1. Fernando, o cara é bom. Eu tenho livro dele, fantástico. Vejo alguns vídeos e já declamei algumas poesias dele por ai. Muito bom

  2. Assuero: Já mandei buscar pela Internet mais dois livros dele. Como seria bom convidá-lo para o Cabaré do Berto, para uns pitacos versejados.

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