UM OLHAR

Aves de arribação, que passais tristes
e buscais o calor de novos lares…
aves de arribação, acaso vistes
as asas de um amor cortando os ares?

Se da esperança a voz sumida ouvistes,
se lágrimas de luz brotando aos pares
de ocultos arquipélagos sentistes,
nos vôos rente ao dorso azul dos mares,

dizei-me onde é que estão, porque são minhas!
…No entanto elas se foram, tênues linhas
já prestes no horizonte a mergulhar.

Não responderam… Nem sequer me olharam…
Mas diz o coração — que naufragaram
na profundeza de um celeste olhar.

3 pensou em “UM OLHAR

  1. Belíssimo soneto, poeta!
    Rimas perfeitas, imagens harmônicas, métrica caprichosa em versos decassílabos de ritmo heroico, à Luís de Camões. Tudo desenvolvido de modo tal que a oração conduz a um arremate fantástico no segundo terceto.
    Pelo presente, grato a você e ao JBF, que viabilizou o encontro..
    Parabéns!

  2. Meu caro Meca Moreno, que bom que esse meu velho soneto haja tocado a sua sensibilidade. Obrigado pela generosa recepção.
    Vivo abraço de
    Anderson

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