PERCIVAL PUGGINA

O sucesso das redes sociais e da mídia alternativa se deve, principalmente, ao fracasso ético dos grandes grupos de comunicação do país. Se lessem o que publicam, se assistissem aos próprios programas com olhos de ver e não com olhos de quem dispara contra um alvo, talvez conseguissem compreender o fenômeno a que dão causa.

Enterra a si mesmo em cova rasa, à vista de todos, um jornalismo que silencia perante prisão de jornalistas, constrangimento de veículos e atos que reprimem a liberdade de opinião e expressão. Envolto em cortina de silêncio, tudo isso está acontecendo no país.

Nuvens escuras da incerteza cobrem os céus da pátria, grandes grupos de comunicação formam nosso mais ativo partido político e compõem bancada ao lado do STF. Menosprezam a liberdade de expressão de seus leitores, tanto quanto os ministros alardeiam como mérito sua permanente empreitada “contramajoritária”. Quem diverge é vilão e toda divergência é vilania.

Esgotam sobre os próprios leitores o vocabulário, os rótulos e os chavões que servem como carteira de identidade do grupo que foi varrido do poder em 2018.

Aliás, nada é tão parecido com um discurso da tropa de choque petista quanto o conteúdo de outrora expressivos meios de comunicação.

Eu me criei lendo jornais com enorme tiragem e elevada credibilidade, cujo conteúdo era enriquecido por opiniões competentes e textos de brilhantes escritores. Hoje, fico entre o riso e a tristeza ao perceber a unânime atenção, o apoio e a fidedignidade que lhes merecem atores bufos da cena política, como os senadores ficha-suja que encabeçam a CPI da Covid e ameaçadores ministros que nem mutuamente se respeitam.

Hoje, fico entre o riso e a tristeza, repito, ao ver como veículos outrora altivos e independentes cortejam o cesarismo togado da Suprema Corte. E nisso persistem, mesmo quando ela dilacera a Constituição, mesmo quando faz “justiça” com as próprias mãos e mesmo que suas convicções durem tanto quanto sirva às estratégias.

Veem as praças coloridas com as bandeiras da pátria comum, ocupadas pacificamente por famílias, idosos, pais, filhos, jovens. Ouvem-nos cantar hinos cívicos e rezar pelo bem do país.

Esse bom povo brasileiro está ali, com seus apelos e seus cartazes, porque ainda preserva a crença de que a democracia tem ouvidos para ouvir.

Esse povo sabe que as instituições são “da democracia”, a ela devem servir, mas não são, em si mesmas, “a democracia”.

Por sua militância porém, veículos que eram oráculos de nossos pais a tudo retratam com as cores da irracionalidade, do desprezo e do ódio. Dão mais guarida ao fascismo dos antifas do que à civilizada manifestação dos conservadores!

5 pensou em “UM JORNALISMO QUE SE EXTRAVIOU

  1. Concordo plenamente com excelente texto. Ta-nto é que nem mais me interesso em ver telejornais e canais especializados em notícia tais como CNN, Globo News, Band News w por aí vai. Não perco tempo. Cancelei minhas assinaturas de jornais impressos há mais de um ano. Era viciado em noticiários. Não valem mais nada para mim. Hoje, seleciono principalmente na internet, o que ler e os sites, tais e quais o nosso JBF.

  2. “Dão mais guarida ao fascismo dos antifas do que à civilizada manifestação dos conservadores!”

    Nada mais assusta a velha imprensa e os esquerdistas do que o despertar dos conservadores.

    Soberbos, em 2010 Lulla festejou o fim da direita conservadora, a imprensa o aplaudiu. Aí veio a 3ª Lei de Newton (a da ação e reação) sobre eles

  3. Prezado Mestre Puggina,

    Embora considere o seu artigo uma descrição magistral da realidade que estamos vivendo, considero que há apenas uma pequena correção a ser feita.

    Nós, os pacíficos conservadores, estamos sendo obrigados, por uma multidão de vermes abjetos, a apelar para a ignorância e partir para os fuzilamentos sumários.

    Não temos mais opções! Eles não respeitam mais nada, em sua imensa avidez por poder. Assim, teremos que sujar nossas mãos com esses seres gosmentos ao exterminá-los.

    Ao final de algumas décadas, entrarão na nossa história apenas como um momento aziago em que tivemos de exterminar essa raça maldita, a fim de podermos evoluir para a condição de uma nação pacífica e civilizada.

  4. Pingback: JBF ENTRE OS PREFERIDOS DOS LEITORES INTELIGENTES | JORNAL DA BESTA FUBANA

  5. Mestre Puginna
    Sou de uma geração que consolidou sua alfabetização lendo jornais como A União e O Norte, que se editavam nesta sofrida cidade de João Pessoa e o secular Diário de Pernambuco, que meu pai, o velho jornalista, que me inoculou com o vírus do Jornalismo que me infecta – no bom sentido, até hoje, trazia ao vir almoçar com família, como era hábito naqueles tempos.
    Foram essas folhas e o icônico Repórter Esso que me deram as primeiras tinta do mundo e me
    mostraram princípios éticos que hoje são enxovalhados com profusão nunca antevista.
    Como bem diz o nosso Adônis, em seu comentário, é lamentável assistirmos a sses espetáculos circenses com que figuras abjetas nos brindam nos tempos de hoje, sem saber o quanto eles ainda persistirão a nos violentar, sem que vislumbremos uma luz, a menos deslumbrante que seja, na muito distante boca do túnel, que nos livre dessas trevas.
    Constrangidos e vendo a profusão de notas e pronunciamentos diuturnos, ótimos exercícios vernaculares, somos levados a viver na lamentação de encontrar laivos de verdade na afirmação popular que diz que “cão que late não morde” ou no que dizia o popular cronista Ibrahim Sued quando afirmava que “os cães ladram, mas a caravana passa”.
    E, aí está ela a passar, com a maior tranquilidade!

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