GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Goiano Braga Horta

Temos de concordar: os norte-americanos estão à frente, entretenimento é com eles mesmos, seja música, cinema, parques de diversão, o escambau, eles é que mandam – e mandam bem. Podes falar, mas o que ouves é música americana, o que vês é o cinema deles, o que comes e bebes têm aquelas marcas fabulosas e se queres emoção para valer vais para Miami, Orlando… é Flórida!

Queres avanços na inteligência policial e militar não vais procurar em outro lugar. E os exemplos na política, na democracia (por assim dizer), é claro que é com eles.

Na economia, nem se fala: tá bom, a China se tornou aquela potência, mas, todos sabemos, muito às custas de tirar a pele fininho dos trabalhadores, além de umas certas sacanagens com marcas e patentes.

Os nossos Grandes Irmãos do Norte são inteligentes e estão atentos aos talentos!

Vejamos um caso:

Certamente, Tramp já estava de saco cheio com Maduro. Os americanos têm horror ao tal de comunismo, os assessores militares garantem que a Venezuela já implantou esse regime terrível e desumano lá, tem gente na minha família que acredita e confirma, e isso pode contaminar os Estados Unidos. Afinal, de Caracas a Miami é um pulo, uns dois mil quilômetros, vai que a Coréia do Norte põe uma base militar lá…

Outros dizem que o problema é mais de interesse na riqueza do petróleo e que é o que os americanos querem pegar, mas isso é meio assim parecido quase que com uma teoria da conspiração.

Eu não sei, não consigo acompanhar daqui de longe essa embrulhada, mas é como se eu visse Tramp amanhecendo pronto para intervir e acabar com a palhaçada, botar as tropas na rua, cercar o litoral com navios de guerra, apontar mísseis, essas coisas. Chama a tropa, digo, o Alto Comando e diz que é hora de atacar.

Aí, um copeiro ouve o papo na reunião e diz:

– Se me permite, senhor presidente, o mundo vai ficar contra o senhor, contra nós, se invadirmos um país, ainda que seja a Venezuela. Creio que teríamos de fazer um movimento em contrário, de modo que o mundo inteiro não só ficasse ao nosso favor como ainda nos ajudasse.

– Fala aí, moleque – retrucaria Tramp.

– É o seguinte, o senhor faz uma campanha de ajuda humanitária ao povo venezuelano, que está numa pindaíba só. Vamos mandar alimentos, remédios e o que mais eles necessitarem.

– Tá maluco? – Diria alguém do Alto Comando Militar.

E o copeiro continuaria:

– Maluco nada. É claro que Maduro não vai aceitar! Onde ficaria o seu orgulho? Tu aceitarias?! Pois ele vai recusar a ajuda e a gente, junto com o Brasil e os demais países que se alinharam conosco lá embaixo, vamos obrigar eles a receberem, vamos enfiar-lhes a ajuda pela goela abaixo!

Tramp, esperto, entende e vê bem mais à frente:

– Pois é, o povo quer a ajuda porque precisa dela, esse povo se junta com a oposição, a gente já colocou aquele interino lá, faz um movimento da peste, bota os caminhões com a ajuda nas fronteiras, vira aquele escarcéu, eles fazem a revolução, espetam Maduro no poste, a direita assume, menos uma droga de uns esquerdistas nos nossos calcanhares, a democracia floresce e nós tomamos de conta.

– De conta, presidente?

– É, é um novo jeito de falar que estou aprendendo.

Faz uma pequena pausa e acrescenta:

– Vão lá, comecem a encher aviões, navios e caminhões com os gêneros, chamem o mundo todo para entrar nessa e vamos ajudar a Venezuela humanitariamente na marra!

E termina:

– E promovam imediatamente esse garoto a garçom. Esse moleque vai longe!

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