RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Em 22 de fevereiro, há 163 anos, nasceu em Londres o menino Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Filho de um Professor de Oxford e Pastor, que faleceu quando tinha apenas 3 anos, foi criado por sua mãe junto aos sete irmãos. Recebeu desta heroína, sua mãe, valores e ensinamentos que marcaram sua alma e sua vida.

Jovem e ativo, ingressou no Exército Britânico aos 19 anos, sendo designado para diversas missões, batalhas e guerras no subcontinente Indiano e nas Colônias Britânicas na África do Sul.

Em sua Carreira Militar galgou postos velozmente destacando-se perante seus superiores e comandados. Esportista ativo, naturalista e ator amador, Baden-Powell atuou também como espião e Scout (explorador militar).

Sua atuação na Guerra contra os Zulus e na Guerra dos Bôeres no Transvaal lhe valeram o Posto de Tenente-General e de Herói britânico. O respeito que despertava em seus inimigos fez com que estes lhe atribuíssem ‘apelidos’ ou codinomes, como os Matabeles que o chamavam de Impisa (O Lobo que nunca dorme) e os Kaffir o chamavam de “M´hlalapanzi”, que significa (O que atira deitado e que planeja antes de agir).

Mas o que um General Inglês, que lutou na Índia e África (alguns diriam colonialista) no final do Século 19, branco, cristão, conservador tem a ver com EDUCAÇÃO?

Baden-Powell ou B-P, como é carinhosamente conhecido, começou a perceber durante sua vida militar da importância da educação e formação de jovens, enquanto futuros cidadãos úteis e valorosos para a sociedade.

Foi na Guerra dos Bôeres, durante o cerco de Mafeking, que B-P pôs em prática suas teorias sobre formação e capacidade dos jovens, tendo sido estes fundamentais à vitória e levantamento do cerco.

De volta à Inglaterra escreveu e publicou o livro ‘Aids to Scouting’ (Ajuda à Exploração Militar), qual não foi sua surpresa ao observar que seu livro era um sucesso entre jovens e crianças, que utilizavam as práticas e jogos que havia sugerido para treinar soldados, em suas brincadeiras.

B-P reorganizou suas ideias e, em 1908, na Ilha de Brownsea, na Costa Inglesa, realizou um acampamento experimental com um Grupo de Jovens. Ali lançou a semente do Movimento Escoteiro. Como um rastilho de pólvora os escoteiros se espalharam pelo mundo, formando e legando à sociedade milhões de cidadãos em mais de 100 anos. Há escoteiros nos quatro cantos do mundo, somente ditaduras e regimes despóticos não permitem a presença de escoteiros em seus territórios.

Há críticas? Sim, principalmente daqueles que não conhecem o Movimento. Há pessoas mal intencionadas ou com intenções secundárias tentando se aproximar do Movimento? Sim. Há ex-Escoteiros que não honram suas promessas? Sim. Como toda e qualquer sociedade de homens, por mais perfeita que seja, existem as vicissitudes humanas. Mas o Movimento Escoteiro tem sido bem sucedido em expurgar estas pessoas de seu seio. Por ser um movimento em que a família acaba por inserir-se e participar ativamente do processo educativo/formativo dos jovens é mais fácil expurgar aquilo que não presta, é fácil impedir doutrinações ideológicas ou vícios tão comuns, infelizmente na Escola hodierna.

B-P concebeu uma pedagogia simples, para formação complementar de jovens cidadãos úteis, preparados, patriotas e tementes à Deus. O Escotismo nunca quis substituir os pilares formais da educação: Família, Igreja (religião) e Escola. Apenas as auxilia e faz delas partícipes obrigatórios de seu ciclo formativo. Não há Escotismo sem Deus (qualquer que seja), sem o envolvimento da família e sem apresentar resultados satisfatórios na Escola.

O restante é simples, a prática pedagógica é direta e divertida: Aprender Fazendo, Jogar/Competir de forma saudável, Conviver com a família e em grupo/sociedade, Viver em contato com a natureza e Recompensar o Mérito. A aprendizagem prática, o jogo leal, os desafios e a recompensa das conquistas com distintivos e medalhas encantam jovens.

O Tripé da Educação Escoteira é muito simples: Deus, Pátria e Próximo. Suas regras estão descritas em 10 leis (alusão aos 10 Mandamentos), mas positivas e não proibitivas. A Lei Escoteira diz: O Escoteiro é… E ali coloca uma virtude fundamental à vida em sociedade: Honra, Lealdade, Altruísmo, Fraternidade, Cortesia, Bondade, Felicidade, Eficiência e Pureza.

Os jovens a partir de uma promessa voluntária são instigados a buscar sua formação integral, a vencer medos e desafios, a liderar, a serem proativos e por isso são recompensados. Pais podem e devem participar, diferentemente de uma escola, onde o Professor detém o poder estatal do conhecimento, no Escotismo todos são importantes. Um pai ferreiro ou mecânico ou uma mãe médica sempre terão algo a ensinar aos jovens. E todos sempre podem ajudar em uma atividade, seja acompanhando os jovens, seja cozinhando, seja cantando uma canção à beira do fogo.

O uniforme escoteiro disciplina e iguala todos, não há ricos ou pobres no Escotismo (ou não deveriam existir e, na maioria das vezes não há).
Lembro-me da canção do Ajuri do Centenário no Brasil:

“[…] Se ele é gaúcho.
Você do amazonas,
De baixo da lona são todos irmãos
Qualquer cor ou classe,
Qualquer raça ou credo
Despertam bem cedo são todos irmãos
Fazendo a comida universitários
Peões e operários
São todos irmãos
Nascido em palácio, nascido em favela
Lavando a panela, são todos irmãos […]”

Baden-Powell estipulou que para ser Escoteiro bastava querer, acreditar em Deus (qualquer Deus), honrar sua Pátria e Família e fazer voluntariamente uma Promessa. Promessa esta que é uma adesão de consciência, só caberá a você cobrar de si mesmo o cumprimento do Prometido.

“Prometo pela Minha Honra,
Fazer o Melhor Possível para cumprir meus deveres
Para com Deus e minha Pátria.
Ajudar o Próximo em toda e qualquer ocasião e,
Obedecer a Lei do escoteiro”.

Simples, um tripé: DEUS, PÁTRIA e PRÓXIMO. E a partir disto, com jogos, recompensa de mérito, responsabilidade e liderança Baden-Powell deu a sociedade uma ferramenta formativa de cidadãos úteis, saudáveis, trabalhadores, pais e mães de famílias, prontos para honrá-las, junto com Deus e sua Pátria e defendê-las de quaisquer ameaças.

Os jovens Escoteiros já foram, nas trincheiras das duas grandes guerras por exemplo, um muro ao ódio e ao totalitarismo e, tenham certeza, continuarão o sendo.

Tudo a partir dos ideais de um General Inglês, conservador, cristão e genial.

B-P fez mais, com seu dedo mínimo, pela educação e juventude mundial do que fizeram ou farão milhares de Paulos Freire e seus asseclas, em mil anos.

Por isso saúdo o FUNDADOR, renovo minha Promessa e abraço os milhões de irmãos escoteiros mundo afora.

“SEMPRE ALERTA PARA SERVIR!”

A seguir, três Canções que simbolizam os valores dos Escoteiros Brasileiros. 

1) Hino Alerta ou Rataplan (Canção dos Escoteiros):

2) Rataplan do Mar (Hino dos Escoteiros do Mar):

3) Rataplan do Ar (Hino dos Escoteiros do Ar):

10 pensou em “UM GENERAL E A EDUCAÇÃO

  1. Rodrigo, meu irmão de mesma ôpa. São narrativas como essa sua, trazendo à memória do passado para este século XXI tão perdido em miragens e falsas promessas que ainda nos dão esperança de que, sim, é possível uma sociedade saudável, harmônica e com valor no homem e em sua grandeza.

  2. Prezado Rodrigo,
    Compartilho do seu apreço pelo escotismo. Tivemos a glória de termos uma missão de padres beneditinos aqui em nossa cidade iniciada em 1962. Com a construção de Brasília eles buscaram um lugar nos arredores, nem tão perto, cerca de 600 km, e aqui se instalaram. Por volta de 1965 foi criado pelo saudoso D. Eric James Deitchman o Grupo Escoteiro Grande Urso que sobrevive ate hoje. Não tendo muita disposição para ajudar diretamente dou uma mesada para a manutenção que está a cargo de um contemporâneo até hoje.
    Imagine naquela altura uma pequena cidade do interior de Goiás podendo contar com os acampamentos,as cantorias, as danças e uma infinidade de atividades interessantes, no mato e na cidade. Praticamente toda a juventude participava. Que saudade.
    Quanto mais escoteiros mais melhores cidadãos.

  3. Sempre Alerta, fubânico. Foi com grande alegria e imensa saudade que li suas palavras a respeito do Escotismo, do qual foi partícipe por breves oito anos. As lições aprendidas naquele tempo, moldaram e aperfeiçoaram o meu caráter e de muitos amigos e irmãos, hoje com cabelos brancos e já alquebrados pelos anos de existência, todavia, a fibra continua a mesma e lealdade, a honestidade, a urbanidade continuam as mesmas. Praza Deus que este movimento ainda produza muitos bons frutos (cidadãos) que engrandeçam este País. Sua crônica levou-me a meio século atrás e isto foi uma viagem fantástica.

    • A mão esquerda, aqui, deriva da confiança. Entre guerreiros africanos a mão esquerda porta o escudo, ao largar o escudo para saudar, um inimigo ou amigo, o guerreiro demonstra que confia naquele, expondo-se a um ataque, que se ocorrer será desleal. E a deslealdade não era admitida entre guerreiros honrados.

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