A PALAVRA DO EDITOR

Anteontem, segunda-feira de carnaval, me deu na veneta e eu resolvi dar uma volta em Palmares, meu berço, minha terra de nascença.

Embarcamos eu, Aline e João e fui dirigindo meu bólido pela pista dupla, segura e tranquila.

Uma hora e meia certinho de Recife até lá.

Rubão, um conterrâneo amigo-irmão, é autor de uma frase que eu coloquei na contracapa da primeira edição do livro de crônicas A Prisão de São Benedito.

A frase é esta:

“Eu não troco Palmares por Paris”.

Uma frase que ele complementava com outra bem debochada:

“A única coisa que vai pra frente em Palmares é o atraso”.

Nada é levado a sério naquele recanto de mundo debochado e anarquista.

Num existe um único vivente que não tenha seu apelido e todos mangam de tudo.

Na entrada da cidade, numa avenida que fica às margens do Rio Una, a prefeitura botou lá um banco com o meu nome.

Ainda bem que o nome foi colocado no encosto, e não na parte onde se assentam as bundas dos visitantes.

Um alívio!

Rodei pela Rua dos Cornos, Beco do Mijo, Ladeira da Viração, Rua do Araticum,  Beco da Bosta, Rua do Limão, Beco da Tapa, Alto das Quengas, Rua do Esconde-Negro e vários outros cantos da minha infância.

Partimos no final da tarde e eu retornei ao Recife com as energias redobradas e o astral lá em cima.

Retornei com ânimo forte pra continuar o serviço em que estou metido agora: a revisão da quarta edição d’O Romance da Besta Fubana, que as Edições Bagaço irão lançar ainda neste semestre.

O livro vende que só a peste, segundo Arnaldo Ferreira, meu editor.

Ô povinho pra gostar de safadeza e do que num presta é esse público leitor brasileiro.

Vôte!

O Romance da Besta Fubana é um livro que se passa todinho nos cenários, cantos e recantos que revisitei anteontem.

Essa nova edição vai ficar bonita que só o autor!

E vai continuar vendendo bem, segundo previsão de Dona Gina, a maior catimbozeira e rezadeira da cidade, minha amiga querida.

Tomara que ela esteja certa!

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