CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Marechal do Ar Eduardo Gomes

Seguindo a rota das inclinações políticas de meu pai, posso refletir sobre aquele Ontem, quando havia homens de valor se apresentando para exercer atividades políticas, através do voto. Pessoas em que se votava, cientes de que trabalhariam pela pátria com honradez e competência.

Quando eu já havia atingido a juventude, fui com meu velho ao Aeroporto Internacional do Ibura, no Recife, receber o Major-brigadeiro Eduardo Gomes, militar de indiscutível qualificação administrativa e moral, ex-comandante do II COMAR, um dos fundadores do Correio Aéreo Nacional e líder da UDN – União Democrática Nacional.

O Brigadeiro, como se tornou mais conhecido, fora duas vezes Ministro da Aeronáutica, na era Vargas e retornava a Pernambuco em campanha política, pois se candidatara à Presidência da República.

Sua campanha no Sul teve um toque de classe. Senhoras da alta sociedade carioca, esposas dos seus eleitores, criaram um tipo de docinho para vender e amealhar fundos, a fim de suportar as despesas de propaganda.

Brigadeiro, o docinho famoso

Naqueles anos as campanhas eram custeadas pelos próprios eleitores.

Como era uma novidade, passaram tais guloseimas a serem conhecidas com o nome de “Brigadeiro”, marca que permanece até os nossos dias, sendo indispensáveis em festinhas infantis.

O entusiasmo por Eduardo Gomes era tão significativo que, sendo Pernambuco um dos estados que mais vibração despertava, aqui se juntaram vários coronéis da antiga “Guarda Nacional” – os célebres mandachuvas latifundiários do Agreste e do Sertão – em sua maioria bem aquinhoados, que apoiaram a iniciativa.

Antes da chegada do avião de carreira, o Coronel Veremundo Soares e vários correligionários se juntaram diante de uma automóvel marca Chevrolet, novíssimo, e tiraram fotografias.

Ao pisar novamente no solo do Recife, onde havia trabalhado por vários anos, foi saudado com entusiasmado discurso de Veremundo, ofertando-lhe o veículo para a campanha.

Depois do breve discurso em que agradeceu discretamente, deu ordens para que após a campanha se mandasse pintar o carro e integrá-lo ao COMAR.

Três meses depois o Diário de Pernambuco publicou reportagem com uma foto, mostrando o “Cheba” da cor de “burro quando foge”, devidamente emplacado com chapa branca, indicativa de patrimônio nacional.

Brigadeiro manda incorporar Chevrolet ao patrimônio da Aeronáutica.

Eduardo Gomes, que anos mais tarde foi promovido a Marechal do Ar, não venceu a eleição, mas deixou um exemplo de moralidade. Em 1975 recebeu a Medalha São Silvestre, único militar latino-americano condecorado pelo Vaticano. Com sua morte, muitos anos depois, tornou-se Patrono da Aeronáutica.

De fato, hoje não se faz mais Brigadeiros como antigamente: um Brigadeiro de verdade!

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