A PALAVRA DO EDITOR

Quando se fala em turismo, vem logo à mente o prazer do entretenimento. O lazer, o descanso mental e físico, o verdadeiro relax para recarregar as baterias. Renovar o ânimo. Estimular a disposição.

Tanto no âmbito doméstico ou internacional, a finalidade do turismo é deixar a pessoa novamente em forma para exercer as atividades na volta do descanso. Diante da permanente vontade de acertar na profissão.

O turismo tem diversos atalhos. Tem o turismo de consumo que é feito com o objetivo de viajar, excursionar e comprar, consumir. Tem ainda outros tipos de turismo como o turismo religioso, o cultural, o rural e o ecológico.

O turismo religioso é ligado às peregrinações. O devoto se manda a visitar lugares sagrados. O turismo cultural é praticado por adeptos que se organizam para visitar e conhecer o patrimônio histórico-cultural.

A modalidade do turismo rural é estreitar os laços com pessoas amantes da natureza que procuram desvendar as suas raízes. Já o turismo ecológico, ou seja, o ecoturismo, é voltado para quem adora se infiltrar por trilhas, curtir cachoeiras, pescar, caçar, praticar esportes radicais.

Felizmente em todos estes campos turísticos, o Brasil tem um vasto repertório. Disponibiliza bons programas. Dispõe de vários destinos de fé. O que falta é saber explorar comercialmente.

O Santuário de Aparecida do Norte, em São Paulo, encanta. A festa do Círio de Nazaré, em Belém do Pará é inesquecível. A romaria de Padim Ciço em Juazeiro do Norte, Ceará, é classificada como o segundo maior polo turístico religioso do Brasil. Nova Trento, em Santa Catarina, é outra nova referência do turismo religioso.

A cidade teatro de Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus, no interior de Pernambuco, onde são encenadas passagens iguais à da Judeia Sagrada, todo ano, atrai um crescente público de diversas religiões.

Entretanto, um novo segmento do turismo que tem bombado no país, cheio de riquezas culturais. é o turismo comunitário. Por ser um tipo de turismo de efeito coletivo, tem cativado adeptos.

O turismo comunitário é uma modalidade realizado pelas próprias comunidades, visando engrandecer dois objetivos. Incentivar a convivência e o intercâmbio cultural.

Estreitar os laços de afinidade com os munícipes é o bicho. Não tem coisa melhor do que dormir na casa de um sertanejo numa rede de tucum, tomar aquele banho de rio na companhia de moradores do local, saborear gostosa feijoada com o pessoal da terrinha, receber aulas de artesanato com os próprios artesãos, aprender a fazer renda com as rendeiras da localidade. Nossa, que maravilha!

Para os entendidos no assunto, o turismo comunitário é um tipo de turismo chegado à base. As comunidades se reúnem, se estruturam para serem incluídas em roteiros turísticos, com o propósito de gerar emprego e renda. O problema é que na maioria das vezes fazem tudo sozinhas, sem nenhum tipo de assistência governamental, pois faltam políticas públicas voltadas para o tema.

Atribui-se aos estudantes da Universidade da Flórida, Estados Unidos, a inciativa de valorizar o turismo comunitário. Numa viagem ao Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, os universitários americanos se esbaldaram em realizar atividades simples. Pintar muros com tintas tiradas da própria terra, passear, palestrar em favelas, se inteirar com gente humilde, compartilhar empolgante costumes e manias.

Aliás, a iniciativa do turismo comunitário surgiu no ano de 1990. A ideia foi lançada com a finalidade de radicalizar contra o turismo predatório que, visando lucros, não se incomodava com os estragos nos ambientes visitados.

Diferente do turismo de massa, o turismo comunitário respeita o meio ambiente, não maltrata animais, não negocia manifestações de cultura puramente regionais.

O Ceará tá deslanchando no turismo comunitário. Diversas comunidades da área litorânea cearense aproveitam a onda para cativar público crescente. A resposta tem sido imediata. A frequência de turistas é cada vez maior. Anima os investidores.

No Brasil, o carnaval injetou R$ 8 bilhões no ramo turístico. Favoreceu os setores de hotelaria, bares, restaurantes, arte, ambulantes e agência de viagem. Muita gente faturou durante o reinado de Momo.

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