RODRIGO CONSTANTINO

O juiz Sergio Moro parecia alguém muito sério, discreto e firme na defesa das leis. O ministro Sergio Moro já se mostrou mais apagado, incapaz de condenar abusos policiais a mando de governadores e prefeitos, para defender a liberdade individual, ou de criticar abusos supremos, para defender a Constituição. Abandonou o barco no meio de uma tempestade, saiu atirando, e imediatamente se jogou no abrigo do inimigo.

Já o político Sergio Moro parece apenas um demagogo, com várias promessas vagas e discursos politicamente corretos. Ele quer montar uma Força-Tarefa para acabar com a miséria. Ele quer diálogo com o Congresso para persuadir os deputados e senadores sem a necessidade de emendas parlamentares, que ele coloca inadvertidamente no mesmo saco podre do mensalão, banalizando um projeto totalitário e corrupto de poder da quadrilha petista.

O Moro político faz piadinha forçada com o humorista Danilo Gentili para parecer descolado, e se aproxima dos moleques oportunistas do MBL. O Moro político repete que tudo é muito simples, vendendo sonhos utópicos para adolescentes rebeldes (sem causa). Moro, sobre como acabar com a pobreza, solta esta pérola na entrevista para William Waack: “Às vezes é um problema simples…uma falta de emprego, educação”. Simples, muito simples.

Talvez a pior coisa em política seja a banalização de problemas complexos e a crença perigosa de que o estado é o grande salvador da Pátria. Moro parece beber justamente dessa mentalidade. Basta “vontade política” e alguém “bom” no comando para tudo se resolver, para o Brasil virar uma Suíça em uma gestão “esclarecida”.

Moro se aproxima do liberalismo, mas não sabe se quer privatizar a Petrobras. Moro quer meritocracia no serviço público e apoia a reforma administrativa, mas se enrola ao responder sobre os privilégios do Poder Judiciário, do qual fez parte quase a vida toda. Moro diz sobre o governo Bolsonaro: “Respeitosamente, o problema do governo é a ausência de projeto. Que espécie de país quer o Planalto? Ninguém sabe”. Qual o real projeto de Moro para o país? Ninguém sabe.

Como Moro pretende executar seus planos mirabolantes? O que ele entende na prática por economia verde e digital? Qual seus planos para a Amazônia? Como Moro vai negociar com um Congresso fragmentado e fisiológico no modelo de presidencialismo de coalizão?

Sobre a maior ameaça que temos à democracia hoje, Moro tem apenas “críticas” suaves. Moro diz que respeita o STF, mas que é “forçoso” reconhecer que decisões dos últimos anos enfraqueceram o combate à corrupção. O Supremo anulou as condenações dele ao ex-presidente Lula, que está solto e elegível numa manobra bizarra. O STF persegue com um “inquérito do fim do mundo” adversários políticos, chancelado pelo plenário da casa, mas para Moro o presidente Fux é um ministro “admirável”.

Diz que é preocupante quando um presidenciável “flerta” com o apoio a ditadores, como os de Cuba e Nicarágua, ignorando que Lula e o PT possuem um elo umbilical com tiranias socialistas, que o ex-presidiário fundou o Foro de SP com o ditador Fidel Castro, quem ele sempre tratou como um ídolo. Comparem a postura “crítica” de Moro com esse trecho do editorial da Gazeta do Povo:

É este Lula, fiel escudeiro de regimes carniceiros latino-americanos, que se apresentará ao eleitor brasileiro em 2022 posando de representante da “democracia”, contando com a ajuda de formadores de opinião mais comprometidos com a ideologia que com a verdade dos fatos. Lula não é um democrata, o PT não é democrata – e sua paixão por regimes autoritários é tanta que nem o pragmatismo eleitoral, que aconselharia moderação, consegue frear a ânsia petista de vir a público defender seus ditadores de estimação. Que ninguém se iluda: Lula não quer ser Merkel, Thatcher ou González; sua inspiração está em outro lugar.

Moro não consegue sequer repetir palavras objetivas e claras como estas sobre o bandido que quase destruiu nossa democracia, e pretende voltar para finalizar o serviço. Ele prefere se alinhar aos tucanos do MBL, que por sua vez passam o dia demonizando o governo Bolsonaro e tentando constranger o ministro Paulo Guedes. Este, porém, prefere não entrar na politicagem praticada pelos companheiros de Moro, como se viu em sua resposta ao deputado Kim Kataguiri na Câmara sobre offshores:

Em suma, o juiz Sergio Moro era alguém que merecia muita admiração. O político Sergio Moro é apenas mais um, pelo visto, que coloca seu projeto pessoal acima de tudo.

5 pensou em “TUDO MUITO SIMPLES, MORO?

  1. Gostei muito da conclusão do texto do Constantino.
    “Em suma, o juiz Sergio Moro era alguém que merecia muita admiração. O político Sergio Moro é apenas mais um, pelo visto, que coloca seu projeto pessoal acima de tudo.”
    Talvez, o Sérgio Moro político seja mais um igual a Lulla, Temer e Bolsonaro. Constantino foi correto ao colocar no condicional PELO VISTO. Veremos depois que ele for eleito.

    • C. Eduardo, Consta não comparou Moro a Bolsonaro, Temer ou Lulla. Esta parte ficou pela interpretação de analfabeto político do comentarista.

      Moro tem todo o direito de ser defendido. Porém com argumentos, assim como Consta o criticou.

      Se não tem argumentos, fica apenas a adoração doentia e a torcida pela sua eleição. Os petistas também são assim.

      Os conservadores (eu incluso), defendem Bolsonaro não pelo que ele é e sim pelo que ele representa. Não é perfeito, longe disso, mas é o único que defende ideias conservadoras.

      • João,
        Pede ao C Eduardo para ver o vídeo aqui abaixo do Gustavo Gayer, onde o Moro se enrola com uma pergunta simples do WW.

        Só rindo do Morno….

        • Caro Sancho! Lembra do Goiano? eu tenho saudade dele, pois o mesmo admitia sua doença pelo Lulla e tentava juntar argumentos para defendê-lo.

          O C. Eduardo não, ele é Moro doente, porém o cara tem se mostrado tão ruim como político que não há argumentos para defendê-lo, então o negócio é xingar, torturar números e inventar falácias contra Bolsonaro.

          Com Goiano havia uma linha de argumentação, ele tentava justificar as coisas. O caso do C. Eduardo é muito pior. Ele é vazio, assim como o Moro o é.

          E pensar que já considerei o moro como o maior herói nacional. Uma pena. Uma decepção.

          O duro é que ele nos chama daquilo que ele é, um doente que não vê o óbvio.

          Nós somos conservadores. Assim como v. eu acho Bolsonaro no máximo aceitável (somos exigentes), porém é o que temos.

  2. Prezados, como vcs tive muito respeito pelo ex-juiz, mas quando ouvi ruídos sobre o Banestado, ele como ministro da justiça inerte, parecendo uma mosca morta, os iluministros deitando e rolando, rasgando a constituição, deixando-o a em pedaços e ele como conhecedor nato, faz vista de paisagem? Não se pronuncia nem quando provocado? A maior decepção para quem tem um pouco de bom senso.

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