A PALAVRA DO EDITOR

Era para ser um domingo de descanso, para repor as energias e partir para mais uma semana de trabalho intenso. Amanhã, afinal, teremos a eleição para o comando da Câmara e do Senado, e falta só mais um dia para Rodrigo Maia se mandar. Era para ser um clima de tranquilidade, portanto. Mas os tucanos não deixam.

Rolou neste sábado o jogo da Libertadores entre Santos e Palmeiras. Qual não foi a minha surpresa – e de milhões de brasileiros – ao descobrir que o prefeito Bruno Covas estava lá, no Maracanã, com milhares de pessoas? O que essa gente tem na cabeça?!

A imagem da hipocrisia circulou pelas redes sociais e logo despertou revolta, com toda razão. Covas é o prefeito de São Paulo, cidade sob várias restrições por conta da pandemia. Ele tem câncer, o que o coloca no grupo de risco. E mesmo assim ele achou adequado torcer pelo seu time num estádio de futebol, que sequer poderia funcionar na cidade que administra?

Guilherme Fiuza, mestre em apontar a hipocrisia dessa turma, desabafou por todos nós: “O Plano Miami-Maracanã salvando as vidas boas dos hipócritas enquanto milhões de trabalhadores sofrem restrições brutais sem um único laudo jamais ter fundamentado essa ciência de fundo de quintal. Como a sociedade pode aceitar 1 ANO desse escárnio? É muita vontade de ser escravo”.

O governador João Doria, que trancou o estado e foi para Miami nas épocas natalinas, também estava torcendo para o Santos, em meio aos jogadores, sem máscara. Quando o presidente Bolsonaro, palmeirense, vai a uma padaria ou mergulha no mar perto de banhistas, a mídia tucana o acusa de irresponsável para cima. Agora se cala, ou menciona o descalabro como um simples erro. O duplo padrão é patético!

O povo está de saco cheio, não aguenta mais. A sorte dos tucanos é que o brasileiro se mostra muitas vezes um “pacato cidadão”, mas é bom lembrar que se esticar demais a corda, ela pode romper. Eu arriscaria dizer que estamos quase lá, pois diante de tanta hipocrisia, causa-me até espécie o fato de que o povo não partiu ainda para a desobediência civil.

Bruno Covas tem duas opções dignas apenas: vir a público implorar perdão, confessar ser um hipócrita que agiu de forma canalha, e acabar com todas as restrições impostas à cidade; e também renunciar logo em seguida. Qualquer outra postura merece uma reação mais “ucraniana” dos paulistanos, se não quiserem viver sob um autoritarismo cafajeste.

Quando DitaDoria trancou o estado e foi para Miami, inventou palestras presenciais – isso entre o Natal e o Reveillon! O que Covas vai inventar? Que tinha reunião no Maracanã em dia de Libertadores e por isso foi a caráter com camisa do Santos?! Falta é caráter nesses tucanos mesmo! E em seus defensores da mídia.

Vejam a mensagem que Mario Sabino, do site Antagonista, curtiu: “Bruno Covas tem câncer. Não sabe se vai viver muito tempo, infelizmente. Sempre foi santista fanático. Quem julga o fato dele ter ido ao jogo do time de coração numa final de libertadores está com o julgamento moral embaçado. Força, Bruno”.

Esses “antas” são uns tucanos hipócritas também! E eles sabem da vida dos outros por acaso? Dos seus vários dramas? Das famílias angustiadas sem trabalho? Falar em empatia porque o prefeito tem câncer e colocar a desculpa no fanatismo pelo time de futebol justificam ir ao Maraca, mas o trabalhador que depende do restaurante aberto para viver que se exploda?!

Então o prefeito pode medir suas preferências, avaliando o risco que está disposto a tomar, e isso para ver um jogo de futebol, mas o seu Zé, garçom, tem que ficar em casa desempregado? É muita canalhice! É uma “moral” totalmente embaçada, mas eles acusam os outros do que são, pois perderam qualquer bússola moral, qualquer noção do bom senso.

Tucano costuma ser uma elite cosmopolita que faz quarentena gourmet, quando não é mais hipócrita ainda e fura seu isolamento para curtir Miami, Caribe ou uma “peladinha” com os amigos, enquanto o povo se ferra lá fora. Até quando?

5 pensou em “TUCANOS HIPÓCRITAS E O ESCÁRNIO COM O “PACATO CIDADÃO”

  1. Há muitos “senões” nesse procedimento hipócrita do prefeito de São Paulo, um dos quais mereceria ou merece, atenções mais acuradas dos órgãos ditos “competentes”, que é a resposta à pergunta: quem pagou as despesas de viagem, desse ‘pobre’ torcedor santista?”
    Não há sombra de dúvidas de que essa “viagem” não foi barata.
    Ponte aérea, talvez até para alguns acompanhantes, refeições para a comitiva, transporte especial e outras ‘coisitas más’…
    Eis aí um bom tema para alguma procuradoria fazer, pelo menos, uma canção sofrência.

  2. Pena que Rodrigo deu só duas alternativas para o Bruno fazedor de covas. A terceira que mais gostaria e ver seu suicídio no fantástico . Em país desenvolvido como o Japão o harakiri e até aplaudido

  3. Ultrajante… Humilhante… Revoltante…
    O poder, o sistema, os usurpadores do dinheiro, da fé e da esperança do cidadão. Mandam e desmandam.
    Estão protegidos pelas próprias leis que criaram à favor deles próprios. Além de contarem com a ajuda, a conivência e a cumplicidade dos membros sinistros da suprema toga, para alguma coisa que saia fora da curva cleptocrata e “et caterva”.

  4. “Se você exige respeito, tem que respeitar primeiro a si mesmo. Respeito não é algo que se busca ou se exige, é algo que se dá e se recebe.” Claudinei Ribeiro. E fica ainda a pergunta de Liliane Ventura: ” Por que obedecemos a quem não nos respeitam?.

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