RODRIGO CONSTANTINO

Um júri na cidade de Nova York votou pelo indiciamento do ex-presidente americano Donald Trump (2017-2021), segundo fontes ouvidas por órgãos de imprensa dos Estados Unidos, como a CNN e o New York Times.

O político republicano foi indiciado em um processo relativo a um suposto pagamento para encobertar um caso às vésperas da eleição de 2016. Com isso, Trump se torna o primeiro ex-presidente dos EUA a enfrentar uma acusação criminal.

A imprensa americana informou que o indiciamento de Trump está sob sigilo e seu teor será divulgado nos próximos dias. Por ora, não se sabe os termos exatos da acusação contra o ex-presidente, nem se ele será preso.

Ele está sendo investigado pela Procuradoria de Nova York por pagar US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels para que ela supostamente silenciasse sobre um relacionamento entre ambos. Trump havia dito na semana retrasada que seria detido no dia 21 e pediu a seus apoiadores que protestassem.

A acusação é extremamente frágil do ponto de vista legal, e vem sete anos depois, quando outros procuradores decidiram não seguir por caminho tão tortuoso. Para sair de “misdemeanor” para “felony” é preciso provar que o pagamento foi pela campanha de Trump, e não uma despesa pessoal dele para simplesmente impedir um escândalo particular.

Mesmo comentaristas da imprensa esquerdista atestam a fragilidade do caso. Eis a verdade: a esquerda democrata persegue Trump faz tempo. Ele era um alvo em busca de um crime – ou mesmo um pretexto de crime – o que difere bastante do império das leis, em que crimes são descobertos e depois se encontra o culpado.

Ninguém vai conseguir negar o caráter político da decisão, ainda mais quando se sabe que o procurador Alvin Bragg teve sua campanha financiada pelo ultraesquerdista George Soros. Prender Trump é uma obsessão da esquerda faz tempo, e nunca conseguiram nada substancial. Sem achar pelo em ovo, tiveram de desenhar um.

Ron DeSantis, governador da Flórida, estado onde Trump reside, comentou: “A armação do sistema jurídico para promover uma agenda política vira o estado de direito de cabeça para baixo. É antiamericano. O procurador distrital de Manhattan, apoiado por Soros, tem consistentemente rasgado a lei para rebaixar os crimes e justificar a má conduta criminal. No entanto, agora ele está forçando a lei para atingir um oponente político. A Flórida não ajudará em um pedido de extradição, dadas as circunstâncias questionáveis ​​em questão com este promotor de Manhattan apoiado por Soros e sua agenda política”.

Leandro Ruschel desabafou: “Terremoto político nos EUA: um promotor de NY cuja campanha foi bancada pelo globalista George Soros conseguiu aprovar o indiciamento de Trump numa acusação estapafúrdia, claramente por motivação política. A esquerda está conseguindo destruir o sistema de Justiça americano”.

O alarde não é exagerado. O que sempre diferenciou a América de países latino-americanos foi o respeito ao império das leis. É verdade que, mesmo para pegar Trump, o sistema podre teve de buscar algum respaldo na lei, por mais patético que seja. Só isso já é um pouco melhor do que aquilo que se passa no Brasil, onde jornalistas são presos, censurados e têm contas bancárias congeladas e passaportes cancelados sem qualquer crime possível dentro do código penal ou da Constituição.

Não obstante, isso é um passo perigoso dos democratas que abre precedente assustador. Qualquer procurador estadual poderá agora perseguir presidentes. Pode ser um tiro no pé politicamente, pois vai acabar fortalecendo a campanha de Trump nas primárias, já que ninguém aceita esse grau escancarado de perseguição. Mas representa um esgarçamento institucional lamentável para o país.

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