TREM

“Lá vem o trem, trazendo o dia da melhora” disse Agepê na letra de um bonito samba. A missão do trem é transportar pessoas ou cargas em comboios, de um lado pra outro, conduzindo e despejando progresso por onde passar.

Faz duzentos anos que a composição ferroviária transporta matérias primas para as fábricas. Abastece o comércio de produtos acabados para vender. Leva pessoas de uma estação para outra para fazer negócios ou apenas passear em dias de folga num determinado destino.

O trem esteve presente nas guerras mundiais, primeira, segunda e outras. Contribuiu para o desbravamento do oeste americano. Ajudou no progresso da agricultura e da pecuária, pelo mundo afora, colaborou intensamente na construção de cidades.

O traçado da primeira máquina a vapor surgiu em 1681, quando Ferdinand Verbiest, jesuíta belga, inventou uma máquina autopropulsora a vapor. Posteriormente, em 1804, o engenheiro inglês, Richard Trevithick, montou a primeira locomotiva para puxar cinco vagões carregados de dez toneladas de cargas e de setenta passageiros. A velocidade do trem, não passava de apenas 8 quilômetros por hora.

Foi por volta da metade do século dezenove que os trilhos começaram a se multiplicar pelo mundo. Inglaterra e os Estados Unidos foram os responsáveis pela implantação de linhas ferroviárias ao redor do mundo, até chegar aos trens de alta velocidade. Nesses trens, a velocidade às vezes supera 500 quilômetros por hora. São trens de alta velocidade.

A iniciativa partiu da França que em 2007 inaugurou uma linha de alta velocidade, unindo Paris a Estrasburgo. Embora os japoneses tenham se antecipado ao lançar os trens de alta velocidade, ligando Tóquio a Osaka.

Existem 5 trens de alta velocidade percorrendo a Europa. O mais famoso é o Eurostar. Com vagões altamente confortáveis, dispõe de telas para vídeos, wi-fi e internet. Os trens da Eurostar ligam a Inglaterra, a Paris e Bruxelas, na Bélgica.

Para unir a Inglaterra ao continente europeu, o Eurostar passa pelo canal da Mancha, num trajeto submerso incrível. Emocionante.

O TGV, da França liga Paris a Bruxelas, Frankfurt e Munique, na Alemanha, Milão, Itália e Barcelona, Espanha.

O Thalys une 17 cidades da Europa Ocidental. O ICE alemão, além de viajar por países vizinhos, serve principalmente as mais importantes cidades alemãs. Por último, integrando a lista de cinco trens de alta velocidade da Europa, tem o AVE. Este é destinado a cobrir os principais destinos espanhóis.

No Canadá, a Companhia Rocky Moutaineer disponibiliza o trem transparente, totalmente de luxo. O passageiro viaja confortavelmente pelas montanhas rochosas e oeste canadense em fascinantes destinos. Caso queira, o usuário pode pernoitar na própria locomotiva. Usufruindo de mordomia total. Fina gastronomia, belos quartos e requintado banheiro.

O impressionante nos trens de alta velocidade, além da rapidez nas viagens, é o requinte. A limpeza, comodidade, pontualidade, segurança e bom tratamento.

No Brasil, a história é diferente. De 1850 até 1940, o serviço ferroviário era classificado como de boa categoria para a época. Depois, o trem foi desvalorizado pela insuficiência e precariedade. Por falta de investimentoa, a máquina de ferro deixou de transportar passageiros. Dedicando-se muito mal a levar cargas.

Atualmente, devido a altos custos, as estradas de ferro são centenárias. São 30 mil quilômetros de malha ferroviária ultrapassada por onde trafegam marias-fumaças, litorinas e locomotivas diesel elétricas.

As estações que restam, praticamente estão caindo aos pedaços de tão velhas. O único trem de passageiros diário, é operado pela Vale e faz o percurso pela Estrade de Ferro Vitória a Belo Horizonte, Minas Gerais. O percurso cobre 664 km e a duração da viagem é de 13 horas.

A deficiência do sistema ferroviário brasileiro é causada pelas crises econômicas, falta de investimentos em modernização e a forte presença do transporte rodoviário fazendo forte competição. Nem o setor público e nem a iniciativa privada demonstram interesses em investir no transporte ferroviário. Pelo menos por enquanto.

A experiência com a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), criada em 1957 para superar os déficits, não suportou a carga pesada e a falta de infraestrutura. Então, em 1992 foi incluída no Programa Nacional de Desestatização. Dando adeus ao modal ferroviário e deixando o caminho livre para o caminhão. Apesar de cobrar caro pelo frete.

No Brasil, nem o serviço, de metrô presta. O trabalhador paga passagem cara para usufruir de superlotação, constantes atrasos e equipamentos ultrapassados.

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