CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Os Estados Unidos são chegados a sofrer tragédias em locais públicos, geralmente provocadas por bala de armas de fogo. Anualmente, milhares de mortes e lesões são registradas nos centros de controle americanos. Em 2013, foram registradas 11.208 mortes por homicídio e 84.258 lesões. Houve época que os assassinatos e pessoas feridas em áreas urbanas diminuíram, porém, a partir 2007, os massacres em massa aumentaram progressivamente. O aumento de crimes por arma de fogo preocupa. Uns atribuem o aumento das ocorrências às vendas crescentes de armas de fogo.

Em 2009, estimavam a existência de 310 milhões de revólveres, pistolas semiautomáticas e rifles nas mãos da população. São tantas armas que nem os ex-presidentes da Nação escaparam, apesar do forte esquema de segurança ao redor deles. A história americana registra pelo menos 11 tentativas de assassinatos às maiores autoridades americanas. Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John Kennedy não sobreviveram aos tiros mortais. Outros ex-presidentes americanos tiveram melhor sorte, mesmo atingidos por balas. Andrew Jackson, Harry Truman, Gerald Ford, Theodore Roosevelt e Ronald Reagan, Franklin Delano Roosevelt escaparam dos atentados.

Especialistas atribuem ser o exagerado registro de crimes de morte à excessiva quantidade de armas letais em poder da sociedade. Caso houvesse menos venda de armas curtas, os registros de crimes letais talvez fossem mais brandos. Como acontece na Austrália e Finlândia, outros países desenvolvidos que enfrentam a mesma situação de crimes de roubo e assaltos, mas os bandidos não têm a intenção de matar. Nos Estados Unidos os debates sobre a disponibilidade e restrição de armas são permanentes. Os defensores do desarmamento lutam por leis mais pesadas nas questões envolvendo o uso de armas para recreação ou defesa pessoal. Já os adeptos do armamento, além de expor uma garantia constitucional, vigorando desde a fundação do país, apontam o armamento com motivação para reduzir os crimes urbanos. Em 2015, os registros anotam 355 tiroteios em massa. Num dos tiroteios um atirador invadiu uma faculdade em Oregon. Matou 10 pessoas e feriu sete.

O mundo chocou-se com o banho de sangue em Boston, Massachusetts. A morte recente de 22 pessoas, embora vigore o cessar fogo desde 1995. Na loja da rede Walmart, em El Paso, no Texas, cidade próxima à fronteira com o México, a tragédia, considerada hedionda, ceifou a vida de mais de 20 pessoas e feriu outras 24 vítimas, no dia 03 deste mês. O atirador suspeito, um jovem de 21 anos, Patrick Crusius, foi preso carregando um fuzil. Era véspera do início do semestre letivo. As famílias lotavam a loja para comprar material escolar. Na desabalada correria, muitos se protegeram num contêiner de metal, assustados com a terrível lembrança do massacre de 1966, quando um estudante da Universidade do Texas matou 18 pessoas.

O pavor cresceu tão logo repercutiu o segundo ataque com muitos tiros no centro da cidade de Dayton, Ohio, que matou 9 pessoas, ferindo 26 vítimas. Depois da morte de 17 pessoas numa escola de Parkland, Flórida, o presidente Donald Trump, sugeriu o treinamento de professores com armas de fogo para reagir aos tiroteios. Talvez por isso, os opositores condenam o racismo adotado por Trump como uma das causas para encorajar o ódio nos Estados Unidos. Afinal, os 250 ataques com armas de fogo, registrados desde janeiro passado, levam os americanos a debater a liberação com mais rigor e restringir a posse de armas de fogo no país.

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O Brasil é um país estranho. De difícil compreensão. Enquanto veta o recurso extra de R$ 1,5 bilhão que seria destinado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação-Fundeb, medida aprovada pelo Congresso na Lei Orçamentária Anual para 2018, autorizou a concessão de R$ 1,7 bilhão para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha eleitoral. Desde 2007, a lei sobre o Fundeb vigora no país, mas, por aparentar tendências políticas, exibir fragilidade na gestão de recursos, claudicou nos compromissos que devia assumir para sustentar a educação básica em alta escala. Fixando determinado valor por aluno a cada ano, com vistas a garantir recursos para manter, construir e reformar escolas, comprar equipamentos e pagar o salário dos professores e do pessoal que trabalha no setor de educação.

O Fundeb visa melhorar o atendimento ao aluno na creche, na pré-escola, educação infantil, ensino fundamental e no ensino médio nas escolas públicas. Como foi proibida a ajuda das empresas para as campanhas eleitorais, visando eliminar a devassidão, o Fundeb lascou-se. Entrou pelo cano. Ficou a desejar na manutenção de recursos para não deixar a peteca cair nos programas dedicados a jovens e adultos. Falhas nos conselhos dedicados a acompanhar a aplicação dos respectivos recursos, tentaram desvirtuar a redistribuição normal das verbas direcionados à educação. Em 2014, o repasse para o Fundeb somou R$ 132 bilhões. No entanto, como tem havido cortes nas verbas para a educação básica, derivado de desajustes na política fiscal, a consequência resultou em fechamento de escolas e demissão de docentes pelo país. Pelo menos, 10 estados do Norte e Nordeste foram atingidos com a redução da verba do Fundeb.

Como tem prazo de vigência até o final de 2020, os problemas podem se alastrar. Temendo a contaminação generalizada, tramita no Congresso um projeto, com o intuito de tornar o Fundeb um fundo permanente. Embora não se perceba, mais o Fundeb financia 63% das despesas com a educação básica brasileira. Garante matrículas para 40 milhões de estudantes no ensino básico. Até as escolas de ensino técnico sofrem com o corte de verbas. Por outro lado, o Fundo de Campanha, a verba para o político torrar na disputa pelo voto na urna, recebeu benefícios.

Mas, enquanto reduzem as verbas para a educação básica, na eleição de 2018, os candidatos se valeram de dois fundos públicos para financiar as campanhas. Usaram recursos do fundo eleitoral, R$ 1,7 bilhão e do fundo partidário, no valor de R$ 888 milhões. Diante da incoerência dos problemas, o que deve ser prioritário para o futuro do país. A educação ou a política? Ao contrário do Brasil, a França, considerando que a escola é a principal atividade para se formar um cidadão, adotou o seguinte esquema. Concentrar a atenção no básico para ensinar a criança a aprender ler, escrever, contar e, sobretudo respeitar o próximo. Telefone celular em sala de aula, nas escolas francesas, nem pensar. É proibido. E tamos conversado.

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Na política, o Rio de janeiro joga pesado. Fora do compasso do samba, os políticos fluminenses só fazem zoeira. Proibidos de desfilar no sambódromo porque suas proezas não estão no pé, mas nas mãos que com habilidade realizam farras de corrupção para roubar o que resta da coisa pública, os políticos fluminenses, descaradamente, deitam e rolam no crime dos desvios. De tão arrombado, com os desvios de dinheiro público, o Estado encontra-se altamente deteriorado pela ladroagem que os partidos políticos de esquerda, de extrema esquerda ou de qualquer outra ideologia política realizaram durante anos, no maior desaforo, muitas falcatruas. As trapaças enfeitadas de mentiras detonaram a corrupção no país. Disseminaram a forma de se beneficiar com o uso ilícito do dinheiro público em proveito próprio.

De tanto roubarem para atender apenas os interesses particulares, a classe política deu show de magia em fazer o dinheiro do povo sumir de repente para lugares incertos e não sabidos. Por isso, em vez dos recursos serem reservados para manter os serviços básicos, especialmente os destinados à assistência médico hospitalar, impedir que senhoras durmam nas calçadas dos hospitais públicos para garantir senha para o atendimento médico. Garantir a distribuição de alimentos e de remédios, destinados à coletividade em geral e o pagamento da folha dos servidores, os trambiques só trouxeram desesperança. Daí o parcelamento no pagamento dos servidores de alguns estados que passaram a receber por fatias a cada período, o mísero salário, forçando a inadimplência de muitos funcionários públicos, o nome sujo na praça, justamente por não terem condições de pagar as faturas. Quitarem as dívidas.

Embora haja determinação jurídica para decretar penalidade a quem descumprir as normas, o Rio de Janeiro foi jogado em tremenda crise econômica, política e social. A retração do setor de petróleo, a queda de arrecadação e o déficit previdenciário, só a Lava Jato, resultou na prisão de 4 ex-governadores, ex-secretários, 5 conselheiros do TCE, a cúpula da Mesa Administradora da Assembleia Legislativa, fora um bom número de assessores. Essas nojeiras todas são as responsáveis para colocar o nome do Brasil no quadro dos países mais corruptos do mundo. O que tem de parlamentares, deputados e senadores criminosos enganchado em escândalos ou integrando a lista de investigados pela Polícia Federal e pela Justiça não está no gibi. É por conta das safadezas que a população anda desacreditada com os políticos.

Também pudera, no lugar de usar de rigidez nos julgamentos, muitas vezes por pertencerem às altas classes sociais, os políticos trambiqueiros são beneficiados pelos bonzinhos magistrados, amigos de gente graúda que, embora tenham praticados crimes contra o Estado, são considerados anjinhos e postos na rua logo no primeiro habeas corpus para rir, em liberdade, de deboche na cara do povo. Agora, se o corrupto for pobre, cadeia nele, mesmo que tenha roubado apenas um ovo para matar a fome. Desse jeito fica difícil mudar o conceito de uma nação. Por outro lado, a população tem de ficar de olho aberto para desencorajar os políticos de permanece ludibriando a confiança do cidadão. O povo, enfim, tem de cortar as raízes dos vícios que a política costuma praticar. Eliminar os malfeitos sob o nome de nepotismo, negligência ou simplesmente aceitar de bom grado o famoso jeitinho brasileiro. Jeitinho contumaz que só beneficia as pessoas envolvidas na desonestidade. Nunca jamais o cidadão. A sociedade.

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