CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O corajoso que tiver fôlego para listar, a título de curiosidade, a quantidade de problemas que o país acumula, com certeza, vai se impressionar com o tamanho da relação. Se brincar, o catálogo pode ficar do tamanho do mundo, de tão extenso. Juntando todos os problemas do passado com os atuais, dá medo. A desorganização assusta.

As drogas rolam soltas. Os presidiários, dentro das detenções, como tem aceso fácil a celular, por falta de bloqueador, danam-se a fazer ligações para todos os cantos do Brasil, na ânsia de extorquir dinheiro. Amedrontar famílias, causar medo à pessoa que atender a ligação. Inventando mil mentiras.

Os políticos, eleitos com o dinheiro do povo e eternos aproveitadores da inocência do eleitor, deveriam, no exercício do mandato, aprovar leis severas para combater pelo menos metade dos problemas que atormentam a nação. Mas, como está escrito no estandarte de famoso bloco de carnaval do bairro de Boa Viagem, do Recife, “Quem tem cooler, tem medo”, os mandatários se calam. Têm medo de falar demais e perder a boquinha, cheia de mordomias. Rodeada de regalias.

Passiva, a população não gosta de cobrar. Então, sentindo-se dono do pedaço, protegido por todo tipo de regulamento, os tubarões costumam mandar o povo às favas e, enquanto puder, torram a paciência do cidadão. Metem a mão no dinheiro da sociedade. Praticam corrupção, recebem propinas, se viram em roubalheiras. Aí, sem perceber, tornam-se ladrões de colarinho branco. Até prova em contrário. É evidente que tem exceções, mas, a maioria domina os maus costumes.

Espertinhos, os parlamentares aproveitam o mandato para aprovar normas destinadas apenas a beneficiar apenas a quem exercer mandato ou exercer cargos púbicos. Os políticos ficam tão viciados com o poder, que uma vez fora, pintam e bordam. Fazem questão cerrada para voltar a todo custo à alçada parlamentar ou ocupar novas posições de destaque político nacional para não perder boas oportunidades de se manter por cima. Na crista da onda.

Os impostos, altíssimos, diminuem devagarinho o poder aquisitivo da população. O custo de vida, insuportável, perturba o bolso de qualquer cidadão, especialmente o das classes menos favorecidas. Os juros, na estratosfera, enchem o caixa dos bancos que, semestralmente, comemoram gordos lucros às custas da pobreza do cliente.

Além da poluição normal que o brasileiro enfrenta todo santo dia, atmosférica, visual, térmica, luminosa, sonora, hídrica e do solo, a sociedade ainda tem de aguentar a poluição oriunda do desmatamento e das queimadas. A fumaça dos incêndios, a maioria criminosa, vai longe encher o saco da população. Levado pelo vento, o fumacê atravessa fronteiras, e por onde passar, contamina o ar do ambiente, prejudicando a saúde do indivíduo que não tem a nada a ver com a ganância de pessoas interesseiras.

Está provado que a educação é a única garantia para levantar uma econômica. Tornar um país progressista. Melhorar a situação econômica e social das famílias. Esquecer por completo que o brasileiro é pessoa trabalhadora. Dedicada às suas tarefas. Cumpridor de suas obrigações.

Contudo, o tal do jeitinho brasileiro ainda faz parte da cultura brasileira. Substitui o planejamento e a técnica. Esquece a clareza. Passa a aceitar a bagunça e as mentiras, em vez da clareza e da sinceridade.

Enquanto o Brasil não solucionar um dos seus principais problemas, eliminar as falsas lideranças políticas, eliminar o estado de enganação, o pais fica amarrado às inconstâncias. Não cresce, não prospera, não atualiza a tecnologia, não gera riqueza, não cria empregos, não moderniza a infraestrutura, não distribui renda decentemente, justa, não elimina a pobreza, não oferece uma educação eficiente, não reduz o choque cultural, não dispõe de um sistema de saúde saudável, não disponibiliza segurança pública eficiente, capaz de combater a bandidagem à altura. Com soberania.

Estas são as razões porque o Brasil não escapa das crises. Não reduz a bagunça. Não impede a desorganização. Não prima pela governabilidade. Não apaga o título de paraíso da impunidade. A história comprova. A ironia e os deboches são armas genuinamente destruidoras. Contudo, no Brasil, infelizmente, essas porcarias são prato cheio.

Para evitar desilusões, o brasileiro tem de apresentar algumas qualidades. Manter-se eternamente capacitado, estar em dia com o noticiário, enriquecer a erudição, exibir força de moral, honradez e caráter. Para não cair no conto do vigário. Não tombar na arapuca de espertinhos que existem em qualquer esquina.

Afinal, o gigantismo estatal é condenável, o poder do Estado deve ser limitado, sem interferir nas famílias. A população deve lutar por formação eficiente, as pessoas não podem ficar desinformadas, afastadas das verdades, vítimas de deprimente burocracia. Valorizando os boatos.

Somente com garra e disposição, o Brasil vence a instabilidade e a insegurança reinantes. Todavia, para curar o câncer político que ataca a saúde da política brasileira, contumaz crítico do colega sentado ao lado no plenário do Congresso, o cidadão tem de amadurecer. Abrir os olhos. Antes que seja tarde demais.

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