DEU NO JORNAL

Luís Ernesto Lacombe

Cansei da patrulha, de quem aponta o dedo, vigia a vida alheia. Querem empatia, a palavra da moda, mas eles próprios não são capazes de se colocar no lugar de todas as vítimas dessa loucura que vivemos. Tentam transformar pânico em virtude, um sentimento que não eleva moralmente ninguém. Quem coloca mais pessoas em risco: alguém que não usa máscara ou alguém que se submete passivamente ao sequestro de liberdades fundamentais? A resposta exige equilíbrio, e é o pânico que move essa gente incapaz de perceber que preservar a liberdade é também defender a vida.

Tenho empatia pelos milhões de trabalhadores por todo o Brasil obrigados a enfrentar aglomerações no transporte público, ônibus, trens, metrôs. Pelas famílias numerosas que vivem em apenas um cômodo, num barraco, numa favela. Tenho empatia pelos que perderam o emprego, os que perderam a renda, os que quebraram, os que estão passando fome, os que não podem comprar remédios, os que dependem de um sistema público de saúde que sempre beirou o colapso e, diante da derrocada econômica, ficará pior. Aqueles que não usam serviços de entrega em domicílio, que não têm internet, plataformas de streaming.

Tenho empatia pelos estudantes impedidos de ter aulas presenciais, por todos que sofreram e sofrem com a violência, a violência doméstica, com os mais variados abusos, aqueles que perderam as esperanças, que foram empurrados para a depressão, que têm parentes e amigos que desistiram, que se mataram. Também por aqueles que, reféns do pânico, abandonaram tratamentos importantes, os que não fizeram exames para detecção precoce de doenças e agora enfrentam desafio muito maior do que um vírus que, sim, é potencialmente mortal, exige cuidados, mas tem taxas de letalidade e transmissibilidade baixas.

Tenho empatia por médicos que não defendem interesses políticos e comerciais, que são livres, que lutam pela vida, que seguem os ensinamentos de Hipócrates, o pai da medicina. Por todos aqueles que defenderam, desde o início, o isolamento vertical, apenas dos grupos de risco, pessoas mais velhas, com doenças pré-existentes e, claro, dos infectados. Portanto, repudio, com todas as forças, quem fala em ciência, despreza estatísticas e não prova que confinamentos pesados têm algo a ver com redução de números totais de infecções e mortes e são capazes de deter o avanço do vírus.

Tenho empatia pela população de Búzios e de Manaus; pelo prefeito de Porto Feliz e tantas outras cidades de São Paulo. Eles sabem que todas as vidas importam, que mais gente padecerá vítima de um falso ou equivocado combate ao coronavírus do que vítima da doença que o vírus chinês provoca. O risco maior são as decisões desequilibradas, até de juízes que fazem política, que se empenham na luta pela liberdade de bandidos, mas não pela liberdade de todos nós. Vá ao shopping center, tome um sorvete e pense nisso.

2 pensou em “TOME UM SORVETE

  1. Com todo respeito: já deu no saco, pôrra!
    Os maiores culpados de todas as situações ruins e desastrosas.
    Além das mortes de pessoas, que não precisavam ter morrido.

    São desses maus políticos, da mídia podre e desses elementos sinistros togados.

    Nenhum deles, teve hombridade, espírito público, respeito às leis e aos cidadãos.
    Não foram capazes, diante de um problema tão sério. Deixarem a demagogia, o odiozinho do bem, a empáfia e a soberba, de lado.
    Para tomarem coragem, vergonha na cara. Implementarem e colocarem em prática todas as medidas e decisões que se fizessem necessárias.

    Em primeiro lugar para salvar vidas. Depois, ir adequando cada circunstância às soluções pertinentes.

    Verba, dinheiro público. Não foi empecilho ou problema.
    Como sempre, o que grassou foi a roubalheira, a falta de Patriotismo, os interesses escusos, a cumplicidade das diversas castas de predadores da Nação.

    A indignação e a decepção, já são palavras em desuso pra descrever o sentimento do povo.
    O julgamento, a condenação e a prisão desses criminosos. É que irão aplacar a ira, a revolta e a injustiça que a população carrega consigo, diuturnamente.

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